“Vitória” da estratégia – ANÁLISE TÁTICA DE SÃO PAULO X GRÊMIO

Por Pedro Galante

São Paulo e Grêmio se encontraram no Morumbi para decidir uma vaga para a final da Copa do Brasil. Os gaúchos traziam a vantagem a vantagem de 1 a 0 conquistada com muito suor em Porto Alegre. Se a primeira partida foi uma vitória da raça gremista, como analisamos aqui, o empate na última quarta-feira (30) foi uma “vitória” da estratégia montada por Renato Portaluppi.

Os problemas do São Paulo começaram antes mesmo do apito inicial. Luciano, que atuou contra o mesmo Grêmio e o Fluminense sem estar em plena condição física não poderia jogar a partida decisiva. Dentro de campo, as dificuldades do tricolor paulista também apareceram cedo. Desde o começo da partida, o Grêmio deixou claro sua estratégia: deixar o jogo em uma temperatura bem baixa, negar espaço desde a construção e, quando os astros se alinharem, tentar ferir o adversário. Funcionou muito bem.

O trabalho defensivo de Diego Souza e Jean Pyerre foi fundamental. Se, na primeira partida, o São Paulo conseguiu fazer boas triangulações pelos lados, inclusive criando duas chances claras, foi porque Daniel Alves esteve muito ativo. O camisa 10 carregava a bola e se aproveitava do bom posicionamento dos companheiros para criar dúvida no volante adversário. A hora que um dos volantes saltava para pressionar, a bola ia para o corredor e depois se movia muito rápido, de pé em pé, para chegar à área. Agora, na volta, Dani não teve esse espaço. Jean Pyerre esteve sempre atento para pressionar o camisa 10 quando este estava a sua frente e para fechar a linha de passe quando ele avançava em campo. Foi assim que o Grêmio travou o jogo associativo do São Paulo, com uma primeira marcação muito rígida, evitando que a linha de meio quebrasse e desse espaço para a circulação rápida.

O São Paulo precisava encontrar outras formas diferentes de armar suas jogadas. Nos primeiros 15 minutos, arriscou alguns lançamentos. Kanemann e Rodrigues foram superiores pelo alto. Tentou usar Luan como esse armador na base da jogada, mas faltou espaço do mesmo jeito. A falta de Reinaldo e Luciano pesou. São jogadores fundamentais para o modelo funcionar, mas que também tem capacidade de entregar algo diferente: Reinaldo com sua presença ofensiva no corredor e Luciano com a mobilidade e boa leitura.

E assim caminhou o jogo até seus minutos finais. O Grêmio bastante confortável com a sua vantagem e muitíssimo eficiente em negar os espaços que eram fundamentais ao São Paulo, que tentava se reinventar a cada minuto, mas só conseguia ser o mesmo time. Foi, bem verdade, um jogo de uma nota só, sem muitos desvios.

Mesmo as alterações, que foram 10 ao todo, só vieram para manter o jogo como estava. O Grêmio renovando o folego para respirar tranquilo coma bola bem longa do seu gol, o São Paulo empilhando gente a frente e alongando cada vez mais o passe, como é característico dos times que estão desesperados.

O Grêmio classificou-se com muitos méritos. Pode não ter enchido os olhos, mas chegou à final. O São Paulo agora foca no Campeonato Brasileiro.

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