PRÉ-JOGO: Grêmio x São Paulo

Por Daniel Klabunde e Pedro Galante

Grêmio e São Paulo farão o primeiro jogo das semifinais da Copa do Brasil nessa quarta-feira (23). Aqui, discutimos sobre o momento e o funcionamento de ambas as equipes e contamos com a ajuda de setoristas para entender melhor o que pode rola nesse grande duelo.

Renato Portaluppi vive mais um momento de muita pressão no comando do Grêmio, eliminado nas quartas de finais da Copa Libertadores, precisa se recuperar pelo menos fazendo uma boa partida contra o tricolor paulista.

Ocupando a sexta colocação no Campeonato Brasileiro, vê na Copa do Brasil a grande chance de estar na Libertadores de 2021, que vem frequentando por pelo menos 8 temporadas seguidas.

Mas a partida não será nada fácil, levando em conta o aspecto anímico da equipe do São Paulo, que se isola cada vez mais na primeira posição do Campeonato Brasileiro e está com a confiança alta, o tricolor Gaúcho precisa acertar o seu meio campo, o coração da equipe.

Jean Pyerre, Darlan e Matheus Henrique são os que ditam o ritmo da equipe, se estes três não estão bem, a equipe não vai bem. Postado no 4-2-3-1, o Grêmio sempre busca a troca de passes e posse de bola, assim como o São Paulo de Diniz, buscando a melhor oportunidade para agredir a zaga adversária e encontrar o melhor momento para a finalização.

Ai entra a figura de Jean Pyerre: possui ótima finalização de média e longa distância, além do seu passe qualificado sempre rompendo as linhas defensivas adversárias e encontrando os pontas ou o centroavante, também tem uma ótima cobrança de falta.

Pela esquerda, o maior nome do time no momento, Pepê é o diferencial da equipe, sempre buscando o 1×1 e em velocidade, levando vantagem na maioria dos duelos. Pela direita a grande incógnita do time, Luiz Fernando ou Ferreira devem ocupar este lugar, Luiz Fernando tem boa qualidade técnica, sempre busca a linha de fundo, mas Ferreira consegue mais vitórias no 1×1, além de ser um velocista como Pepê.

Em momento ofensivo poderemos ver por várias ocasiões Pepê se movimentando e trabalhando por dentro, praticamente entre Jean Pyerre e Diego Souza, deixando o corredor livre para as subidas de Diogo Barbosa.

Já em momento defensivo é o grande problema do Tricolor Gaúcho, ainda possui uma recomposição muito lenta, principalmente quando Maicon atua no meio campo, o time ganha em qualidade nos passes mas perde muito defensivamente, e assim os zagueiros sofrem com a transição ofensiva do time adversário, sempre ficando no mano a mano com os atacantes, no momento que um meio campista adversário encaixa com os atacantes e conseguem superioridade numérica, a zaga gremista acaba sofrendo muito.

Uma surpresa, ou não, seria a escalação do Grêmio no 4-3-3 ou 4-1-4-1, com Lucas Silva na base fazendo a proteção da zaga e os meio campistas  trabalhando e se movimentando com os pontas.

De contestado a celebrado, Fernando Diniz vive o seu melhor momento no comando técnico do São Paulo. Líder do brasileiro, o tricolor paulista enfrenta o Grêmio na semifinal, no sonho de conquistar o título inédito da Copa do Brasil.

Muito da boa fase da equipe se deve ao bom momento da dupla Brenner e Luciano, que juntos acumulam 35 gols na temporada. Mas, o processo de levar a bola aos atacantes ainda não está consolidado: Fernando Diniz tem feito alguns ajustes na saída de bola e na construção, para que a equipe não dependa apenas de cruzamentos e tenha mais caminhos para gerar perigo.

Com Luan – peça importante no aumento de produção do time – recuando, e Daniel Alves se oferecendo como opção mais avançada, o São Paulo busca construir pelos corredores, inclusive acumulando jogadores no lado da bola. Contra blocos altos, a intenção é achar o passe de ruptura e acelerar usando os espaços vazios. Contra blocos mais baixos, a equipe aposta nas aproximações e no controle em espaço curto para acelerar a circulação da bola e colocar seus laterais em boas posições de cruzamento, e, mais importante, criar vantagens para que seus atacantes finalizem dentro da área.

Defensivamente, se organiza em um 4-4-2 com bastante pressão na bola. Uma pressão frontal e agressiva, que busca empurrar o adversário para trás, fazendo a bola voltar até o goleiro, que é forçado ao chutão. Algumas vezes uma descoordenação entre as linhas permite que o adversário encontre espaços para receber a bola longa e estruturar ataques. Mas, no geral, a marcação é bem eficiente em impedir a progressão do adversário, especialmente pelo centro.

As transições não são o ponto alto do time, não tem comportamentos fundamentais no futebol atual – pressão pós-perda e verticalidade pós-recuperação – mas funcionam bem ao que se propõem. Quando perde a bola a recomposição é facilitada pelo balanço defensivo com o lateral do lado oposto, e quando a recupera, busca tirar a bola da pressão e reestruturar o ataque com paciência, muitas vezes recuando para o goleiro Tiago Volpi.

O São Paulo é um time que acredita em si e nas suas qualidades, justamente por isso, não escapa de seus defeitos.

Por onde o Grêmio pode agredir o São Paulo?

O Grêmio tem ótimos jogadores com características particularmente interessantes para aproveitar as falhas defensivas do São Paulo. O trabalho da trinca Matheus Henrique, Darlan e Jean Pyerre na base da jogada, somado às flutuações entrelinhas de Pepê devem gerar problemas para Daniel Alves e Luan, que muitas vezes ficam em inferioridade numérica quando o time sobe a pressão.

Além disso, o espaço entre linhas pode ser fundamental para Diego Souza ou Churrín receber bolas longas e criar situações de ataque contra uma linha de defesa muito avançada.

Por onde o São Paulo pode agredir o Grêmio?

Se for pressionado na sua saída de bola, o São Paulo pode buscar explorar as costas da linha defensiva do Grêmio. Os movimentos de recuo de Luciano e Brenner podem ser importantes para tirar Geromel ou Kannemann da linha defensiva e criar espaço para infiltrações.

Se o São Paulo encaixar a marcação no meio campo e não deixar que Matheus Henrique, Darlan e Jean Pyerre ditem o ritmo do jogo, pode travar a construção gremista e construir chances a partir de roubadas de bolas.

Entrevista com Jeremias Werneck, setorista do Grêmio pelo Uol e SBT-RS:

Você espera alguma movimentação ou troca de algum jogador que possa surpreender na partida?

Resposta: Sinceramente? Considero pouco provável… Observando o próprio histórico do Grêmio com Renato, é mais provável que a estratégia e formação mudem para surpreender do que alguma mexida na escalação. Algum papel específico para jogador que desempenha historicamente outra coisa. Alguém para ficar mais perto do gol, mais aberto ou fechado pelos lados, mais recuado. 

Como o Renato contribuiu para a chegada do time a esse estágio?

Resposta: O trabalho do Renato, pelo o que a gente vê e apura nos bastidores, é alicerçado em ideias simples (não confundir com simplórias) e grande dose de liberdade para os jogadores mais ofensivos. Ele dá ao jogador a total liberdade de decidir o que fazer mais perto do gol — exceção feita a algum jogo específico da temporada. Essa condição faz com que o time tenha alguns padrões baseados nas individualidades. Em resumo, o que se vê do Grêmio é muito resultado do trabalho do Renato. O momento atual, quatro jogos sem vitória depois de 18 partidas sem perder, não diz muita coisa diferente do que já se viu antes. A fadiga pela temporada pesa, assim como o golpe duro dos jogos com o Santos — onde entendo ter havido erro de análise e estratégia.

Renato encontrou em Darlan alguém para dar suporte a Matheus Henrique. Um entrega mais vigor físico e intensidade e dá liberdade ao outro para corridas mais longas com a posse da bola. Jean Pyerre teve lampejos de um meia criativo que o Grêmio não tem desde Douglas (considerando que Luan fez outro papel nos melhores momentos dele no time). O problema é que o setor perdeu um pouco mais na recomposição defensiva e a linha sempre alta começou a ficar ainda mais exposta. E no ataque, alguns princípios não estão sendo bem executados e há oscilação grande das individualidades.

Se o Grêmio sob o comando de Renato sabe é surpreender. O time pode aparecer com outra atitude e com ideias pontuais para encarar o São Paulo. E também pode ser engolido, como foi diante do Santos, por uma estratégia de pressão e verticalidade.

Com a desclassificação na Copa Libertadores e o sexto lugar no Campeonato Brasileiro, você
considera essa partida contra o São Paulo como uma retomada?

Eu diria que é a última chamada da temporada, na verdade. Em caso de classificação, o time vai para uma nova decisão com chance de título. Em caso de desclassificação, o Grêmio vai jogar até fevereiro para pegar vaga direta à fase de grupos da Copa Libertadores. Talvez possa até se beneficiar das competições paralelas em São Paulo e Palmeiras para sonhar com algo a mais no Brasileirão. De toda forma, vai ser pouco para quem criou a expectativa (por méritos próprios) de estar em três competições e com crescimento de desempenho até bem pouco tempo.

Entrevista com Edu Affonso, setorista do São Paulo pena ESPN Brasil:

Você espera alguma movimentação ou troca de algum jogador que possa surpreender na partida?

Resposta: Não espero nenhuma movimentação ou troca. A única dúvida é o Luciano, que eu não acredito eu jogue. Não acredito que o São Paulo irá forçar um jogador que não está 100%. Devido ao time ter se apresentado muito bem no último jogo [vitória por 3 a 0 contra o Atlético Mineiro], ele deve manter o Tchê Tchê como substituto do Luciano, fazendo uma função bem variada: é um homem de meio-campo, mas jogou mais avançado, ajudando a marcar a saída de bola adversária.

Como o Fernando Diniz contribuiu para a chegada do time a esse estágio?

Resposta: A contribuição do Diniz primeiro é não desistir dos jogadores. Talvez o único jogador que ele tenha desistido foi o Alexandre Pato. Mas os demais ele não desiste, não desistiu de jogadores que estavam no limbo.

O Gabriel Sara quando subiu, fez os primeiros jogos ano passado, foi muito criticado; no começo do Brasileiro, muito criticado; ele não desistiu do atleta e hoje ele é uma referência no meio de campo, acabou de renovar o contrato.

O Brenner, que muitos técnicos trabalharam e não deram atenção, o Diniz, que já o conhecia do empréstimo no Fluminense, trouxe ele de volta, esperou um pouco o Brenner amadurecer, explicou para ele que essa era sua última chance e agora está arrebentando.

O Luciano que veio do Grêmio desacreditado, teve o trabalho psicológico do Diniz para que ele jogasse e fizesse os gols que está fazendo, nessa que é uma das suas melhores fases da carreira.

A maior contribuição do Diniz é não desistir, trabalhar o psicológico, não tirar o cara na primeira crítica. Ele não desiste, ele é teimoso até. E acho que isso acabou contagiando o clube e dando um relacionamento excelente com os jogadores. Os jogadores se sentem protegidos. Essa confiança mutua contribui muito pra esse momento.

Como conciliar a disputa da Copa do Brasil com o Campeonato Brasileiro? Existe alguma predileção?

Resposta: Eu até acho que se a situação no Brasileiro fosse diferente, poderia haver uma predileção pela Copa do Brasil, afinal de contas são mais quatro jogos. Embora, o São Paulo em mata-matas nos últimos anos tem ido muito mal.

Porém, por uma coincidência, o São Paulo conseguiu fazer uma gordura no campeonato brasileiro exatamente em cima das semifinais contra o Grêmio, uma gordura que lhe permite por exemplo, no próximo jogo entre as duas semifinais, que é contra o Fluminense, de repente, dependendo do que acontecer em Porto Alegre, poupar os principais jogadores.

Essa vantagem que o São Paulo tem na competição nacional faz com que o time não tenha de priorizar nenhuma competição. Pode focar agora na Copa do Brasil sem muito prejuízo no Brasileiro. Agora, se fosse outra situação – de liderança apertada ou briga por G4 – conhecendo o Diniz, acho que ele tentaria ir com força máxima nos três jogos.

@pedrosbgalante e @klabundedaniel

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