Um show no AD10S – Napoli 4×0 Roma

Por Rodrygo Nascimento

No último domingo (29) o Napoli recebeu a equipe da Roma no estádio Sao Paolo, em Napoles. A partida fica marcada por ser a primeira pelo Campeonato Italiano após a morte do maior ídolo da história do time do sul da Itália. Diego Armando Maradona faleceu na última semana, e as homenagens ainda continuaram na cidade e na partida. O Napoli parecia estar sendo protegido por algo vindo de D10S.

Agora falando da partida, o time de Genaro Gattuso conseguiu uma vitória contundente, um 4 a 0 sem tomar conhecimento de uma Roma que vinha de boa sequencia no Campeonato Italiano. Eram 9 jogos de invencibilidade, com 7 vitórias e 2 empates. Ou seja, números que corroboram a importância da vitória da equipe de Gattuso. Vale ressaltar que ambas equipes estavam brigando pela vice liderança da competição.

Agora vamos ao jogo…

A equipe do Napoli ficou conhecida por ser muito fluida, ter jogadores de mobilidade do meio pra frente. Ela pode se comportar no 4-3-3, 4-1-4-1, 4-4-2 e 4-2-3-1, porém, é mais abitual ver a equipe se comportando no 4-4-2/4-1-4-1 sem bola e no 4-3-3 com bola. Com todos os defensores titulares a disposição, Genaro levou a campo o que tem de melhor, Meret, Di Lorenzo, Manolas, Koulibaly e Mario Rui. Sem Bakayoko, Diego Demme foi o titular da equipe. Fabian Ruiz, que mantém a grande fase desde o ano passado, e Zielinsk mais à frente. Osinhem segue fora por lesão, Mertens foi descolado para centroavante e Losano entrou na ponta direita com Insigne na esquerda.

Estrutura sistêmica do Napoli na partida contra a Roma. Fonte: Tactical Board

Com Demme na base do tripé do meio campo e Mertens na referência, o Napoli ganha dois jogadores com maior mobilidade, entretanto perde em força física em dois setores importantes campo. O belga tem boa leitura de espaço e procura sempre flutuar as costas dos volantes, ataca bem o espaço, enquanto Demme com boa capacidade de cobertura territorial além de pressionar bem o portador da bola.

O Napoli para se defender busca fazer marcações mais setorizadas, priorizando fechar os espaços, mantendo o bloco de marcação compacto e fazendo compensações quando um jogador sai para pressionar. Quando o lateral que esta próximo da jogada sai para pressionar, o lado oposto vem fechando. Isso funciona mesma coisa para os meias internos, sempre um meia se descolando da linha para pressionar junto com o atancante. O gatiho para subir o bloco de marcação é sempre quando o adversario recua a bola para o defensor, a partir deste movimento a equipe sobeo bloco e busca enxaixes individuais. Em comparação aos últimos anos, Gerano é o treinador que mais conseguiu coordenar melhor essa subida de pressão.


Napoli em organização defensiva no 4-1-4-1. Lateral sai para pressionar, lateral oposto fecha a linha de zaga e ignora o adversário em amplitude. Os meias internos próximo da jogada já se posicionam para fechar a linha de passe próxima ao portador.

Para atacar o time do sul da Itália adota princípios do jogo de posição. Mesma ideia que Maurizio Sarri tinha à época que comandava a equipe. Laterais em amplitude, meias internos buscando oferecer linha de passe. Zagueiros ativos na construção tentando sempre ganhar campo com passes mais verticais. Pontas fazendo compensações, enquanto um busca a amplitude o outro fecha junto com Mertens em profundidade. Por vezes, Mertens recuava para uma região as costas dos volantes da Roma.        

Organização ofensiva do Napoli
Mertens como falso 9

O 1ª tempo foi com o Napoli dominando as ações, tendo mais um controle territoral, bem distribuido em campo,controlando os espaços quando não tinha a posse. Quando subia a marcação era sempre bem coordenada e evitava a progressão da Roma, que por sua vez investia em lançamentos em profundiade para as infiltrações de Karsdorp e Spinazzola. Além de aproveitar o pivô de Dzeko, este praticamente nulo nos 45 min iniciais. Adotando uma postura mais reativa, a equipe de Paulo Fonseca dava campo, atraindo o Napoli deixava com conseguisse trabalhar a bola com tranquilidade até a intermedária, a partida dali, os encaixes eram definidos. Buscando sempre eliminar as opções de passe no corredor central, esses mais visiveis com Pellegrini e Veretout, a dupla era responsavel por marcar Fabian Ruiz e Zienlisnk. Enquanto o trio de zaga se preocupava com a o tridente ofensivo do Partenopei, sempre com perseguições mais curtas, induzido que as jogadas  fossem sempre pelos corredores laterais. A partida dali, criava uma zona de pressão para recuperar e sair em velocidade.

Com isso, a partida acabou virando um jogo de xadrez, quando a Roma conseguiu acelerar a jogada com Spinazzola, o lateral perdeu a chance, o Napoli contragolpeou como em um almanaque e na sequencia do lance saiu a falta para Insigne bater e abrir o placar.

No 2ª tempo foi praticamente o mesmo cenário do 1ª. Napoli com mais dominio territorial, principalmente com a posse. Enquanto a Roma procurava sair em velocidade para aproveitar a velocidade de Pedro e Mkhitaryan, que autavam mais pro dentro por de trás de Dzeko, e dos laterais sempre com um poder de infiltração importante para o sistema de Paulo Fonseca. Em alguns momentos da partida a equipe da capital conseguiu pressionar o Napoli, entretanto esbarrava nas tomadas de decisão – quase sempre erradas – e também no bom sistema defensivo do Napoli. Fechava bem o bloco, com as linhas muito bem estreitas, Deme fazendo a cobertura entre elas. Os dois meias internos importantes para pressionar o adversário no corredor central. Enquanto nos corredores laterais as dobras dos pontas+laterais foram fundamentais para não sofrer com os apoios. O segundo gol saiu logo aos 11′ min do 2ª, momento de equilibrio da partida. E os outros 2 gols na parte final do jogo.

A equipe de Gattuso segue firme pela briga para uma vaga para a UEFA Champions League da próxima temporada. O trabalho do italiano à frente do Napoli fica cada vez mais maduro. Com o elenco bem mais equilibrado e com boas peças, consegue firmar suas ideias de jogo potencializando cada jogador. Além disso, tem grande capacidade de conseguir se adaptar à contextos diferentes. Pode jogar mais fechado saindo em velocidade, com duas referências mais à frente, procurando fazer uma saída mais apoiada ou então um ataque direto para vencer a segunda bola. De fato o trabalho de Gattuso e bom à frente do Napoli, consquistar o título é quase impossível, mas caminha para no futuro pensar em vôo mais alto. 

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