O talento dentro do sistema – ANÁLISE TÁTICA DE BRASIL 5 X 0 BOLÍVIA

Por Pedro Galante

Depois de quase um ano sem atuar, a seleção brasileira voltou a campo nesse que foi o primeiro passo rumo à Copa do mundo de 2022. O time comandado por Tite venceu a Bolívia sem muitas dificuldades e mostrando algumas ideias interessante que devem ser fundamentais na construção da equipe.

Foto: SofaScore

Desde o último campeonato mundial, Tite tem aplicado alguns conceitos do chamado Jogo de Posição. Muito se fala sobre os impactos dessas ideias e de como os jogadores estariam sendo subutilizados nesse modelo. Contra a Bolívia, a seleção deu uma pequena amostra de como pode usar a estrutura (que é apenas uma parte) do Jogo de posição potencializando seus talentos.

Com Danilo trabalhando por dentro e Renan Lodi atacando o corredor esquerdo, a estrutura se aproximava de um 2-3-5: Danilo, Casemiro e Douglas Luiz no meio campo; Lodi e Cebolinha dando amplitude e Neymar, Coutinho e Firmino entre as linhas adversárias. O 2-3-5, também chamado de pirâmide invertida, é a estrutura clássica do Jogo de Posição popularizado por Pep Guardiola.

No entanto, a seleção não reproduziu os comportamentos do Jogo de posição. Se o fizesse, precisaria circular a bola com mais velocidade e ter Coutinho e Neymar mais fixos para fixar adversários e liberar espaços. O que Tite fez foi dar liberdade para Neymar e Coutinho se aproximarem e abusarem de seu talento enquanto os demais garantiam amplitude, profundidade e cobertura em caso de perda da posse. Quando um recuava para se aproximar da bola o outro aparecia entre as linhas adversárias como opção de passe, especialmente pela esquerda, o que ajuda a explicar a atuação abaixo de Everton Cebolinha: acostumado a atuar pela esquerda cortando para dentro, Everton jogou pela direita ao pé natural, e muitas vezes não tinha o apoio nem de Coutinho, nem de Danilo.

Coutinho e Neymar sempre tinham liberdade para arriscar a jogada, pois mais atrás haviam três jogadores prontos para pressionar e dois zagueiros atentos em defender a profundidade. Com a pressão pós-perda, o Brasil matava as transições bolivianas.

O Brasil foi pouco exigido defensivamente, mas foi possível ver em alguns momentos o funcionamento defensivo do time: em bloco alto, pressão na saída adversária com Neymar, Firmino e Everton, com o trio de meio campo sustentando mais atrás; em bloco mais baixo, o ponta direita voltava e Douglas Luiz ficava mais a esquerda formando uma linha de 4. O centroavante voltava mais, geralmente combatendo o primeiro volante adversário, enquanto Neymar ficava livre de funções defensivas, sendo preservado em caso de contra-ataque.

É claro que se tratava de uma partida fácil contra um adversário frágil, mas o Brasil não se complicou e mostrou como pode encaixar seus grandes talentos dentro de uma estrutura tática sem diminuí-los.

O Brasil volta a campo na terça-feira, 13, às 21 horas da noite contra o Peru. Uma partida mais complicada que testará as ideias de Tite.

@pedrosbgalante

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