CUCA NO SANTOS – Análise tática dos primeiros jogos

Por Rodrigo Costa e Rafinha Santos

            Após cinco partidas de Cuca no comando, o Santos tem duas vitórias, duas derrotas e um empate, com seis gols marcados e seis sofridos e sexto lugar na tabela do Campeonato Brasileiro. Assim como os resultados, o desempenho também é irregular, tendo seus altos e baixos. Esse texto trará um resumo tático do Peixe de Cuca até então e também análises de jogos específicos como contra o Athletico, Sport e Palmeiras, mostrando o que essas equipes fizeram para encarar o alvinegro praiano.

            Era esperado que ocorresse uma melhoria defensiva após a chegada do novo treinador, mas em termos de desempenho, o Santos sofreu poucos gols em comparação com a quantidade de chances criadas pelos adversários que enfrentou, portanto esse número poderia ter sido bem maior, destaque para Vladimir e João Paulo (esse segundo maior destaque) para evitar alguns gols.

            Além disso, é nítido a melhoria nos lances de bolas paradas defensivas que era o principal ponto fraco do Santos com Jesualdo Ferreira. Antes de Cuca, dos 12 gols sofridos pela equipe, 6 foram de bolas paradas, que eram feitas numa marcação zonal onde os jogadores eram facilmente vencidos pelos adversários que concluíam constantemente livres. Com Cuca, apenas um gol aconteceu em lances assim, logo na estreia contra o Red Bull Bragantino, por uma falha na sobra (treinador teve apenas dois dias de treino). A marcação do atual técnico em lances assim é mista com predominância individual, além de terem um ou dois jogadores na sobra. Os jogadores assimilaram mais esse modelo e estão mais seguros defendendo a área em bolas paradas.

            Cuca utiliza e utilizou até esses jogos o mesmo desenho tático base, o 4-3-3, portanto, o desenho tático não mudou em relação a Jesualdo, mas vários mecanismos são diferentes. A estreia contra o Red Bull Bragantino foi animadora em termos de desempenho, principalmente no primeiro tempo, apesar da equipe ter tentado se encontrar no início e cedido algumas chances para o adversário. A equipe santista pressionou o adversário com linhas altas, por meio de encaixes individuais e de forma agressiva, além de ter o domínio da posse de bola, mas sem criação efetiva por parte do trio de meio-campistas (que continuam mal), buscando portanto as jogadas pelos lados com Soteldo e Marinho para criarem chances para a equipe, além da aproximação de Pará e Felipe Jonatan.

            O segundo tempo, principalmente após o gol de Marinho, a equipe recuou suas linhas e passou a apostar nas transições rápidas para o ataque, mas conseguiu criar apenas uma chance clara de gol assim, perdida por Uribe e Soteldo livres. No mais, o RB Bragantino teve maior posse de bola e controle da partida principalmente na entrada de Claudinho, controlando as ações pelo meio, que encontrou muito espaço à frente da área santista, local onde foram a maioria das finalizações, fazendo com que Vladimir tivesse que salvar o time algumas vezes.

            Contra o Internacional, o Santos fez a pior atuação até aqui. Postado no 5-3-2 (3-5-2), o Peixe foi engolido pelo Inter no Beira-Rio, onde não teve controle nenhum no meio campo, sem conseguir manter a posse, dar prosseguimento às transições ofensivas e nem ser combativo nos duelos.  A troca para o 4-3-3 com a entrada de Kaio Jorge e saída de Luiz Felipe surtiu efeito por alguns minutos, com o alvinegro conseguindo ultrapassar o meio campo e reter melhor a bola no ataque, mas sem êxito. Diferentemente de contra o Red Bull, contra o Inter, Cuca buscou recuar as linhas e esperar o adversário.

            Cuca, no intervalo, promoveu as entradas de Jobson e Tailson nos lugares de Sánchez e Pituca, mudanças que fizeram com que o Peixe tivesse mais posse de bola, conseguisse sair da pressão do Inter e criasse chances, destaque para Jobson nesse sentido. Mas após o primeiro gol do Inter, numa falha individual de Felipe Jonatan, o time caiu o rendimento novamente, com isso, Cuca mudou a equipe (entraram Ivonei e Madson, saíram Alison e Felipe Jonatan) deixando mais ofensiva e tentou pressionar o Inter, mas sem ter volume ofensivo e criação das jogadas de forma eficiente, dependendo muito de Marinho e Soteldo (criando a jogada do gol anulado de Kaio Jorge), além de sofrer constantemente nas transições defensivas e novamente, assim como contra o Bragantino, ceder espaço pelo meio na frente da área.

            Na terceira rodada, o adversário foi o Athletico Paranaense, que apostou muito na equipe SUB 23, indo a campo no 4-1-4-1 padrão que foi utilizado no estadual, porém as laterais sofreram alterações, pois Adriano foi negociado e deu espaço para o também experiente Jonathan e pela esquerda Marcio Azevedo deu espaço para Abner (o autor do gol), o meio campo teve Wellington como central, Léo Cittadini pela esquerda e pela direita Marquinhos Gabriel veio para a segunda linha dando espaço no ataque para Nikão na vaga de Erick, além disso, Vitinho e Vinicius Mingotti tão receberam oportunidades de começar a partida.

            Cuca optou, novamente, por marcar com linhas mais recuadas a partir do meio campo e o CAP teve muito mais posse de bola (Santos não conseguia ter a bola e criar jogadas), mas sem efetividade e finalizações, pois dessa vez os espaços foram fechados de forma eficiente com linhas próximas e compactas. Quando decidiu subir a pressão, o Santos marcou o primeiro gol e criou mais uma chance clara de gol, além de ter roubado mais duas bolas em campo ofensivo, aumentando a moral da equipe e explorando os corredores laterais, principalmente com Marinho, para ampliar o placar com Felipe Jonatan.

            Após um primeiro tempo abaixo do esperado por parte do Athletico, o setor de ataque foi modificado com Carlos Eduardo centralizado, Pedrinho pela esquerda e Richard no meio campo, além de Khellven na vaga de Jonathan. A equipe chegou bem ao ataque e finalizou 12 vezes, porém apenas duas foram no alvo, o modelo de posse de bola fez com que a equipe tivesse quase o dobro de passes em relação ao Santos, mas não teve eficácia.

            Isso se deu pelo fato do Peixe ter encaixado a marcação e teve em Alison destaque nas recuperações de bola, principalmente fechando os espaços pelo meio que vinham sendo constantes, fazendo com que o CAP buscasse jogadas pelos lados (como no gol, em jogada individual). Além disso, o alvinegro conseguiu contra atacar em transições rápidas. Foi a melhor atuação santista até aqui, mesmo não sendo uma atuação espetacular.

Na quarta rodada, contra o Sport, em Recife, o Peixe encontrou um time que após a saída e chegada de alguns jogadores, o padrão de jogo foi modificado tanto no quadrangular de rebaixamento do estadual quanto no início do campeonato nacional, mas o sistema tático 4-2-3-1 ainda se encontra presente, porém modificando a sua proposta de jogo para potencializar o ataque, porém defensivamente a equipe vem regredindo.

            O setor defensivo do Sport tem duas vagas em aberto, pois enquanto Patric, Iago Maidana (apenas como zagueiro, na vaga de Raul Prata), Adryelson e William Farias são titulares absolutos, existe a dúvida entre Luciano ou Sander pela lateral esquerda (posição que equipe sofreu seus dois últimos gols) e Ronaldo ou Ricardinho como volantes de contensão ou criação.

            Já o Santos, com João Paulo e Alison (na zaga), manteve o mesmo desenho tático, com ênfase para a saída de três apenas quando Jobson atua. O time não teve muita posse de bola e quando teve, a circulação dos passes era lenta e previsível, tendo em Sánchez e Pituca os principais problemas desse início de trabalho de Cuca, fazendo com que Soteldo tentasse receber a bola pelo meio, muito recuado e de costas, função e setor que não o potencializa. Destaque para a pressão pós perda eficiente, com Kaio Jorge sendo importante nesse sentido, além de ser ótimo em pivôs e apoios, tendo qualidade técnica acima da média para a idade.

            Enquanto isso no ataque Elton ganhou a vaga de Hernane devido aos gols na quadrangular e estreia do nacional, além disso, Leandro Barcia não estava em condições de jogo, fazendo com que os dois atacantes de lado sejam jogadores de velocidade, destaque para o recém-chegado Marquinhos que vem correspondendo bem e Bruninho que atuou na vaga de Lucas Venuto que por contrato não pôde jogar.

O lado esquerdo santista defensivo continua abaixo, com Felipe Jonatan e Pituca cedendo muito espaço por ali, não conseguindo encaixarem a marcação e sem ter a recomposição de Soteldo por esse setor (necessário??), e foi por onde o Sport criou suas chances tendo a oportunidade de abrir o placar, na marcação pouco intensa do alvinegro.

            Com a entrada de Tailson na vaga de Sánchez o time aumentou a velocidade na circulação de bola e conseguiu envolver melhor o Sport, aumentando o domínio após entrada de Lucas Braga e Jean Mota (Jobson e Kaio Jorge) tendo maior mobilidade no meio-ataque, inclusive com troca de corredores entre laterais e pontas, chegando assim ao golaço da vitória com Marinho e passe de Lucas Braga, além de ultrapassagem de Soteldo no mesmo lance. Santos terminou o jogo com linhas baixas e compactas, destaque novamente para a partida de João Paulo salvando o alvinegro em algumas oportunidades.

            No clássico contra o Palmeiras, que apostou no 4-2-3-1, porém com uma proposta de jogo mais organizada indo a campo com Gabriel Menino saindo do meio para a ala direita, tendo essa vaga no meio campo ocupada por Bruno Henrique e Ramires foi substituído por Lucas Lima. Além disso, Matias Viña, Felipe Melo e Gabriel Veron ainda se recuperam de lesão, abrindo espaço para Luan e Diogo Barbosa.

            As modificações fizeram com que a equipe palmeirense tivesse mais capacidade de organização tática e mais capacidade técnica para chegar ao ataque com poder de finalização e associações coletivas para infiltrar na área com passes curtos, ao invés de apostar apenas nos lançamentos com o objetivo do jogador infiltrar na área com a posse da bola no 1×1, dessa vez a equipe apostou no poder de criação de Lucas Lima do meio para a esquerda, Gabriel Menino pela direita, Luiz Adriano atuando com mobilidade tanto quanto parede pra quem vem de trás quanto para que Rony infiltrar atacando espaços.

Isso se deu por conta de que o Santos voltou a ter alguns erros que vinha cometendo anteriormente, que tinham sido corrigidos em alguns jogos, como o espaço deixado na entrada da área pelo meio, muito por conta da marcação errada do trio de meio-campistas que seguem com baixo desempenho, basicamente afundando dentro da grande área e não protegendo a chegada dos elementos surpresas. No clássico, pelo menos três chances claras (com uma sendo gol) foram criadas a partir desse espaço.

            Um ponto positivo que podíamos observar em jogos passados e que vimos dar resultado no clássico, são as jogadas ensaiadas nas bolas paradas ofensivas, marca registrada de Cuca. No mais, o Peixe ainda depende muito de Soteldo (apesar de ter caído o rendimento) e Marinho para criar suas jogadas, seja em contra-ataques ou em organização ofensiva com jogadas pelos lados, visto que o meio-campo segue em nítido declínio técnico e tático, com muitos erros de passes e baixo poder de marcação.

Cuca precisa encontrar outras alternativas, principalmente no meio campo, visto que o Peixe não tem o controle no setor em nenhuma partida por conta disso, dependendo sempre de Marinho ou Soteldo. Já observamos em outros jogos com Tailson, Jobson (tem que melhorar, pouco combativo apesar de bom tecnicamente, mas displicente) e Jean Mota, além de apostas em Ivonei e Anderson Ceará. Erros pontuais precisam ser corrigidos e alternativas dentro do elenco devem ser encontradas, com a semana livre para treinos esperamos melhoras apesar do próximo adversário ser muito forte, o Flamengo.

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