EMPATE MODESTO – Análise tática de Juventus 0 x 0 Milan

Por Daniel Klabunde e Rodrigo Costa

O duelo que marcou a volta do futebol na terra da bota foi a semifinal da Copa Itália entre Juventus e Milan. No primeiro confronto, empate de 1 x 1 em Milão, dando vantagem para a Juventus pelo gol marcado fora de casa, podendo empatar sem gols para ir à grande final. Stefano Pioli escalou o Milan no 4-2-3-1 com Donnarumma; Conti, Kjaer, Romagnoli e Calabria; Bennacer, Kessié, Paquetá, Bonaventura e Çalhanoglu; Rebic.

Enquanto isso a Juventus se posicionava no 4-1-4-1 defensivamente e no 4-3-3 nas ações ofensivas, deixando os três homens de frente bem a vontade para se movimentar e trocar de posição entre eles.

A superioridade da Juventus foi percebida logo de cara, fazendo com que o Milan marcasse em seu campo, com linhas baixas e tentasse fechar os espaços contra os avanços bianconeros. Pioli deixou Bonaventura mais à frente, próximo a Rebic pressionando os defensores da Juventus quando eles tinham a bola.

Milan marcou no 4-4-1-1 que variava para o 4-4-2, com linhas próximas. Fonte: InStat

O Rossonero tentava sair jogando, mas esbarrava na marcação alta e pressão do adversário. Além disso, a construção das jogadas, no 4-2 (zagueiros + laterais + Bennacer/Kessié) sofria muito pelo lado esquerdo com Calabria errando muitos lances e comprometendo a evolução do jogo do Milan.

Milan tentava iniciar as jogadas no 4-2. Fonte: InStat

Estes erros eram provocados pela marcação em bloco alto por parte da Juventus, que colocava seus três homens de frente pressionando na linha da grande área adversária, mais Bentancur e Matuidi logo atrás efetuando encaixes nos homens de meio do Milan.

Marcação alta da Juventus
Fonte: InStat

Após a expulsão de Ante Rebic, aos 15 minutos, o domínio da Juventus se tornou maior, obrigando o Milan a ser mais cauteloso. O time de Stefano Pioli continuou se defendendo no 4-4-1, com Bonaventura sendo o jogador mais avançado, com as duas linhas de quatro bem próximas e flutuando de acordo com a posição da bola. Os jogadores milanistas faziam perseguições ocasionais, principalmente os dois volantes, para impedir os bianconeros de receber passes em profundidade.

Milan defendendo no 4-4-1 com linhas bem próximas, realizando perseguições e encaixes setoriais. Fonte: InStat

Com a marcação bem compactada do Milan, a Juventus abria seus pontas para darem o máximo de amplitude possível tentando abrir a defesa milanista e fazendo seus homens de frente se movimentarem constantemente, com seguidas trocas de posições entre Cristiano Ronaldo, Dybala e Douglas Costa.

Pontas sempre em amplitude para espaçar a defesa do Milan
Fonte: InStat

Com isso, a dificuldade de manter a posse ou contra-atacar era muito grande por parte do Milan, a defesa não conseguia conectar os passes para Paquetá, Çalhanoglu e Bonaventura, e quando isso acontecia, os meias não davam prosseguimento às jogadas, visto que a pressão da Juventus era intensa.

Isso melhorou após os 30 minutos, onde o Milan conseguia sair da pressão e se organizar ofensivamente, Bennacer foi importante nesse sentido. Hakan flutuava da esquerda para o centro enquanto Bonaventura atacava em profundidade ou se movimentava pelos lados, já Paquetá jogou aberto pela direita, mas essa organização não foi capaz de criar chances de gol.

Organização ofensiva do Milan no final do primeiro tempo. Bennacer e Hakan foram importantes para manterem a bola no ataque. Fonte: InStat

Na volta do segundo tempo, o Milan criou uma boa chance na movimentação de Bonaventura pela direita, encontrando Hakan dentro da área para finalizar, mas logo o italiano foi substituído por Rafael Leão no comando do ataque, visto que a situação do jogo era propensa a um jogador mais rápido e físico.

Tendo um pouco mais a posse da bola no segundo tempo, o Milan sofreu em algumas transições defensivas, mas teve em sua dupla de zaga segurança para impedir os avanços adversários. Kjaer e Romagnoli foram os principais responsáveis (além de Donnarumma) por impedir os gols da Juventus. A dupla somou, juntos, 10 cortes, 4 chutes travados, 4 interceptações e 1 desarme de acordo com o SofaScore.

Boa Recomposição defensiva, enquanto Romagnoli da o combate Kjaer faz a cobertura pelo meio
Fonte: InStat

No fim do jogo, Krunic e o jovem centroavante Lorenzo Colombo entraram nas vagas de Kessié e Paquetá, respectivamente. Com as trocas, Rafael Leão passou a jogar pela direita, com Colombo sendo o atacante avançado, mas as mudanças não surtiram nenhum efeito, ainda dando tempo para Laxalt e Alexis Saelemaekers entrarem nos lugares de Calabria e Conti, momento em que a Juventus pressionou novamente com linhas altas e de maneira intensa a saída de bola rossonera.

Mesmo mantendo a pressão constante durante toda a partida a Juventus não conseguiu sair com um resultado positivo, faltou efetividade ao ataque, foram 26 finalizações com apenas 7 no gol.

Apesar da classificação, ficou claro que o preparo físico da equipe está muito bom, mas as questões técnicas estão abaixo nesta retomada, muito por causa da parada, é preciso retomar o entrosamento e qualidade técnica, como se estivessem retornando das férias.

@costarodrigosfc e @dktricolor

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