Santos: O que esperar para o restante da temporada?

Por Rodrigo Costa

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            O texto pretende focar nas quatro linhas, no futebol jogado, nos jogadores e em tudo que estamos com saudade nesse momento, mas para isso preciso dar algumas informações importantes para tomarmos como base para o restante do artigo e também da temporada.

  1. Quando o futebol brasileiro e sul-americano irão retornar?

Não sabemos! Para resumir as últimas notícias, no início de maio a CBF deu sinal verde para o retorno das competições ainda este mês, mas as federações estaduais foram contra, seguindo as recomendações dos seus respectivos governadores estaduais. Como sabemos, infelizmente a situação do Covid-19 no Brasil se agravou bastante, e com isso, a Federação Paulista (estado mais afetado pela pandemia) decidiu que o futebol no estado só voltará com liberação da Secretaria de Saúde, além disso, os quatro grandes (Santos, São Paulo, Palmeiras e Corinthians) decidiram que só irão voltar aos treinos no mesmo dia. E a última informação que temos, do dia 19 de maio, é que a CBF prevê volta do futebol brasileiro para o final de junho, além de término do calendário esportivo cogitado para início de 2021. Já a CONMEBOL prevê retorno de suas competições em setembro, sem estipular datas.

  1. Como serão os calendários das competições?

Santos disputa esse ano o Campeonato Paulista, Copa do Brasil, Copa Libertadores e Campeonato Brasileiro. O calendário do futebol brasileiro tradicionalmente já é muito apertado. Quando a pausa aconteceu, o Paulistão ainda nem tinha chegado em suas fases decisivas. O Santos ainda não tinha estreado na Copa do Brasil, que parou na sua terceira fase. Na Libertadores, apenas dois jogos da fase de grupos foram disputados. Já o Brasileirão, obviamente nem começou. Quando o futebol retornar, vamos observar dois, três jogos por semana, apertando ainda mais as datas e espremendo ainda mais elencos dos clubes.

Dito isto, vamos ao que interessa. Em 2020 o Santos jogou 12 vezes, sendo 10 partidas pelo Paulistão com 4 vitórias, 3 empates e 3 derrotas, marcando 10 vezes e sofrendo 8 gols, já pela Libertadores foram 2 jogos, sendo 2 vitórias, marcando 3 gols e sofrendo 1 gol. Líder nos seus respectivos grupos nas duas competições, mas um desempenho, no geral, aquém do esperado. Em termos táticos a equipe teve bons jogos, jogos mornos e outros terríveis, além disso, uma característica ocorreu bastante nos primeiros jogos: o time jogava bem no primeiro tempo, mas na segunda etapa caia fisicamente e tecnicamente, em alguns jogos isso aconteceu de maneira clara.

Nesse sentido, as melhores atuações do Peixe na temporada foi o primeiro tempo contra o Palmeiras (0x0), a vitória contra o Mirassol (3×1) e a vitória contra o Botafogo-SP (2×0), nelas vimos um Santos com triangulações constantes pelos lados, envolvendo os adversários com trocas de posições e jogadores atacando em profundidade, utilizando basicamente o domínio da posse de bola e acelerando as jogadas quando necessário, além de linhas de marcação mais altas e agressivas, algo que o time já estava acostumado a realizar ano passado e não vinha acontecendo nos primeiros jogos.

Roubada de bola no campo de ataque e triangulações pelo lado esquerdo. Fonte: Premiere

Pituca e Soteldo trocam de posição e tem o apoio de Felipe Jonatan para se associarem. Foi fundamental dois jogadores atacando em profundidade: Sasha e Felipe. Percebam que Sasha está entre as linhas, bem recuado e percebe o espaço que poderia ser aproveitado. Fonte: GloboEsporte.com

 

Marcação alta e pressão intensa contra o Palmeiras. Fonte: GloboEsporte.com

             Já as piores atuações santistas foram as partidas contra a Ferroviária (0x0), a derrota para o Ituano (2×0) e a derrota para o Corinthians (2×0). Nesses jogos vimos o oposto do citado acima. Um Santos apático, sem controle da posse de bola ou ineficiente, que mesmo quando tinha a bola não conseguia criar chances de gols e ser superior aos adversários, como no segundo tempo do clássico contra o Corinthians mesmo com um a mais em campo. Além disso, a defesa alvinegra nesses jogos foi passiva e muito falha, com erros coletivos e individuais, resultando em espaços à frente da área e pelos lados do ataque adversário.

sanfu1Ferroviária aproveitando o espaço à frente da área santista. Edição: Rodrigo Costa. Fonte: GloboEsporte.com

sanfu2Marcação não foi encaixada na partida contra o Corinthians. Edição: Rodrigo Costa. Fonte: SporTV

Marcação passiva e descompensada do Santos. Tanto o jogador da base, quanto Yago (autor do gol) com muito espaço para pensar e executar as jogadas, além disso o lateral Pacheco passou pelo fundo fazendo 2×1 em cima do Felipe Jonatan. Fonte: GloboEsporte.com

            Dentre todas as atuações uma coisa em comum: falhas nas bolas paradas defensivas. Os erros são coletivos e individuais, alguns chegam a ser toscos e infantis (tanto coletivos como individuais). Os últimos cinco gols sofridos pelo Peixe foram em jogadas de bola parada, e não importa a ocasião, seja escanteio ou faltas, a dificuldade da defesa santista de proteger sua baliza tem sido grande. E o pior, quando o futebol retornar os clubes não terão tempo para treinar, principalmente o Santos, estando em quatro competições (eu, particularmente, sou a favor do cancelamento do Campeonato Paulista de 2020).

            Como citei acima, vamos esbarrar em um calendário caótico e congestionado, em que as equipes com os melhores e maiores elencos vão se sobressair. O Santos vive uma situação financeira terrível, inclusive sem nenhuma perspectiva de contratações para o restante do ano, além de poder perder alguns jogadores como Lucas Veríssimo e Kaio Jorge (se a proposta for boa, realmente tem que vender, vai arrumar um pouco da casa). Então, teremos que trabalhar com o que temos e ajustar jogo a jogo os erros que vinham ocorrendo e potencializar os acertos, tornando-os constantes jogo a jogo.

             As famosas triangulações que Jesualdo Ferreira tanto almeja precisam se tornar corriqueiras contra qualquer adversário, contra qualquer modelo de jogo. O Santos tem em Soteldo, Pituca e Felipe Jonatan um lado esquerdo ofensivo muito forte, aliando qualidade técnica nos três jogadores, explosão física e ataque a profundidade, com as triangulações ocorrendo mais por esse lado. O entrosamento entre eles vinha crescendo e as jogadas se tornando mais constantes como vimos em vídeo mais acima.

Já pela direita, com Marinho, Sánchez e Pará o desenho muda um pouco e temos jogadores de características um pouco diferentes. Jesualdo precisa criar algum mecanismo que compense as poucas subidas de Pará ao ataque (apesar de que um lateral subir por vez ser algo que o treinador defende), portanto, Sánchez e Marinho acabam sendo muito sobrecarregados por esse setor, talvez precisando de mais alguém para se aproximar e auxiliar, como Sasha vinha fazendo algumas vezes. Sánchez tem total capacidade para armar o jogo na base da jogada, mas sua principal característica é a infiltração na área, com isso, Alison ou Jobson (ou quem jogar de ‘5’), precisa se tornar o jogador armando por trás, na base.

A defesa com Luan Peres e Lucas Veríssimo se mostra bastante forte, com a dupla sendo muito boa nos desarmes, além de velozes e ágeis, mas precisa do auxílio dos meias para evitarem os espaços à frente da área. Quando a pressão ou marcação desses jogadores não são eficientes, os zagueiros acabam ficando expostos, muitas vezes em situações de inferioridade numérica ou qualitativa.

Para reposição, temos peças como Raniel, que já se mostrou uma boa contratação tanto para atuar como ‘9’ quanto pelos lados, Kaio Jorge e Yuri Alberto também podendo fazer as duas funções, mas sendo melhores centralizados e que podem evoluir, Arthur Gomes e Lucas Venuto correndo mais por fora e Uribe que é uma dúvida. No meio, Evandro tem mais chances de disputar titularidade na rodagem que o time deve ter, meia bastante técnico e que cresceu no fim da temporada passada (se não sair para o Athletico), Jobson que teve boas chances, mas precisa evoluir e se adaptar melhor, Sandry e Jean Mota. Na defesa temos Madson pela direita, sendo mais ofensivo que Pará, Luiz Felipe e o jovem Wagner Leonardo para defesa, e não temos lateral esquerdo reservas, apesar de Luan Peres também poder atuar por lá.

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Obviamente que no retorno das partidas o ritmo vai ser mais baixo, como profissional de Educação Física que sou, é impossível um time recuperar o condicionamento de competição depois de 80, 90 dias sem treinos e jogos, em um mês (pra ser bem bonzinho com o tempo que os times treinarão antes de jogarem oficialmente), além das inúmeras lesões que devem ocorrer. Jesualdo já ressaltou isso no dia 25 de maio. O temor de nós santistas é de que o time demorou para “pegar no tranco” no início da temporada na questão física. A estratégia deve ser muito bem planejada.

A projeção é de que teremos um restante de temporada difícil (não só o Santos) e teremos que ter paciência com desempenho e resultados. A esperança está nas boas partidas que a equipe fez antes da pandemia, desde de que se tornem mais constantes e na qualidade técnica de jogadores como Soteldo e Sánchez, assim nos fazendo acreditar que, pelo menos nas competições de mata-mata, o Santos consiga chegar em fases mais avançadas.

@costarodrigosfc

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