O topo de uma geração – ANÁLISE TÁTICA DE PORTUGAL 1X0 FRANÇA

Por Daniel Klabunde

WhatsApp Image 2020-05-25 at 18.40.38

Pela segunda vez a seleção portuguesa chegava a uma final de Eurocopa, na primeira havia sido derrotada pela Grécia em 2004. Na Euro disputada na França em 2016 Após três empates na fase de grupos, passou por Croácia nas oitavas de final (1×0), Polônia nos pênaltis após empate em 1×1 (5×3) nas quartas de finais, ainda aplicou 2×0 em cima do País de Gales de Gareth Bale na semifinal, se classificando para enfrentar a França na grande decisão no Estádio Stade de France, Paris.

A expectativa era de uma grande partida entre as duas equipes, de um lado Cristiano Ronaldo, Nani, Quaresma (mesmo começando no banco), muitos nomes que teoricamente já estavam no fim de seu ciclo pela seleção lusa. Pelo lado da França não era diferente com nomes surgindo na seleção e outros em tom de despedida como Evra, Griezmann, Pogba, Payet. Umtiti e Matuidi.

Então vamos à partida.

Um início de muita cautela pelo lado lusitano com o técnico Fernando Santos posicionando o time no 1-4-4-2 na organização defensiva, mas nada de jogadores somente mantendo as linhas defensivas, bem pelo contrário, a ordem era efetuar perseguições aos principais jogadores de meio para tirá-los da partida.

Estratégia que funcionou muito bem, tanto que Griezmann, Matuidi e Pogda pouco conseguiam produzir pelo meio, os únicos momentos de perigo eram criados por Sissoko, que conduzia muito bem a bola rompendo as linhas defensivas e finalizando com perigo ou efetuando cruzamento para dentro da área.

por1Portugal postado no 1-4-4-2 defensivamente

por2Jogadores portugueses efetuando perseguições e criando encaixes para dificultar a saída de bola dos franceses. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

Com o time indo bem defensivamente ficou mais fácil realizar a saída de bola na transição ofensiva, neste momento William Carvalho era muito importante para que essa saída fosse com qualidade e segurança, sua movimentação recuando entre os zagueiros e formando a saída Lavolpiana fazia com que o meio campo francês abrisse espaços para as movimentações de Adrien da Silva e Renato Sanches que sempre ficavam nas costas de Giroud e Griezmann.

A marcação no 1-4-4-2 da França estava falha, deixavam muito espaço entre a primeira linha de dois homens na marcação e a segunda linha de quatro, ainda possibilitando aos laterais lusitanos trabalharem bem em amplitude.

por3Saída Lavolpiana com William entre os zagueiros, meias ocupando o espaço deixado entre as linhas da França e os laterais bem abertos em amplitude. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

Mas aos sete minutos um susto nos torcedores portugueses, Cristiano Ronaldo leva um apancada de Payet no joelho esquerdo e fica por alguns minutos sentindo muita dor no gramado. O camisa 7 volta para a partida, alguns minutos depois cai novamente no gramado, tem seu joelho enfaixado e retorna novamente, mas aos 23 minutos do primeiro tempo, não resiste e é obrigado a ser substituído. Ricardo Quaresma entre no lugar do capitão e principal jogador da seleção, com a substituição Fernando Santos também implanta outra mudança no posicionamento do time, se organizando defensivamente no 1-4-1-4-1, onde mais uma vez William Carvalho foi peça chave para o bom trabalho defensivo negando espaços entre as linhas e fazendo perseguições inteligentes, principalmente em cima de Griezmann. O camisa 7 francês por muitas vezes era vista sair da sua zona de conforto tendo que recuar até a linha de meio campo para receber a bola e iniciar as jogadas.

por4Posicionamento no 1-4-1-4-1 defensivo com William Carvalho protegendo o espaço entrelinhas. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

por5Números de William Carvalho na partida. Imagem: SofaScored

Com a saída de Cristiano Ronaldo a equipe continuou se movimentando no 1-4-1-3-2, mas com Nani sendo o homem mais a frente no ataque e Quaresma mais posicionado como extrema esquerda.

No segundo tempo mais uma mudança importante efetuada por Fernando Santos, colocando Rui Patrício para participar da saída de bola, gerando ainda mais superioridade numérica no meio campo e se sobressaindo nas triangulações e liberando ainda mais os laterais para avançar.

por6Saída de 3 com o goleiro e o trio de meio campistas formando um triângulo para criar opções na saída de bola. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

O gol da vitória sairia somente aos 3 minutos do segundo tempo da prorrogação, marcado por um jogador desacreditado pela torcida e que aos poucos estava perdendo seu espaço na seleção. Éder trabalhou como um camisa 9 depois de João Moutinho recuperar a bola em uma cobrança de lateral mal feita pelos franceses. O camisa 9 português fez muito bem a parede, se livrou de de Koscielny e chutou forte para dar a vitória e o título para a seleção portuguesa, o mais importante de uma geração até hoje dos lusitanos.

por7

por8Imagens: InStat / Edição: Daniel Klabunde

Apesar de Cristiano Ronaldo não participar efetivamente da partida, conseguiu dar um título de expressão para a sua seleção, um desejo sempre frisado pelo camisa 7 em qualquer entrevista que dava.

Para a próxima Eurocopa Portugal terá uma vida difícil na fase de grupos com Alemanha, uma seleção que ainda está por ser definida e a própria França, onde ambas ocupam o Grupo F da competição.

@dktricolor

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s