A importância da iniciação tática em formato de jogos

Por Rafael Santos

iniciação futsal

       Atualmente existe uma discussão muito grande sobre a faixa etária em que os professores devem iniciar um trabalho tático direcionado ao invés de atividades lúdicas e recreativas. A Pedagogia do Futsal diz que a aprendizagem é adquirida mediante a participação do aluno de forma eficiente, econômica e sem desperdício de tempo.

            Durante o processo de iniciação devemos tomar alguns cuidados e o texto “Aulas Eficientes” cita alguns procedimentos indicados, como: compor grupos menores de alunos, redução dos espaços, revezamento constante e determinar um tempo adequado para a execução da tarefa.

            Existe outro contraponto que também defende as atividades táticas como forma de ensino é feito por Lauro de Oliveira Lima no texto “Selecionando o Brinquedo Certo Para a Aula de Futsal”. O professor deve utilizar seu vasto repertório e criar, modificar ou até mesmo inventar atividades que as crianças tenham afetividade por ela e tenham interesse em fazê-las.   Essa tomada de decisão permeia o subjetivo e necessita de uma percepção aguçada do professor, por que se as crianças não têm interesse ou afetividade pela atividade, ele precisa adequar ou guiar melhor a sua proposta.

Iniciação

            A base defendida pela Pedagogia do Futsal diz que o professor deve sempre provocar conflitos cognitivos aos seus alunos norteando as atividades com novidades, desafios e acima de tudo um embasamento técnico e tático. O texto “O Conflito Cognitivo Em Treinos De Iniciantes” é um ótimo inicio de leitura para se aprofundar na didática de treinamento.

            As atividades precisam ser dividas em partes, para que o professor consiga proporcionar a evolução em conjunto e tenha próximos passos quando a atividade deixar de ter afetividade ao aluno.

            Um bom exemplo seria: Se durante o treino de finalização todos os alunos estão conseguindo acertar o alvo, mas todos estão usando apenas o pé que seja dominante, dentro disso seria aconselhado buscar o conflito e induzir os alunos a usarem o pé não dominante, essa nova regra inclui conflito cognitivo, um novo desafio, elementos técnicos de fundamento, lateralidade e o principal, os alunos voltarem a ter interesse na atividade.

            Essa fase inicial precisa conter os contextos de regra, posições em quadra, direcionamento e objetivos, se o professor conseguir contemplar essas ações e gerar interesse das crianças, ele vai ter alcançado o objetivo prévio da iniciação esportiva. Esse processo demanda tempo e continuidade, o professor precisa estimular os alunos a falarem, por que falando eles vão pensar mais e o estimulo cognitivo será estimulado também.

            O professor não pode cometer dois erros básicos, ele não pode explorar os extremos, dessa forma ele não pode aplicar o mesmo treino sempre e em contrapartida também não pode aplicar sempre treinos distintos; ele precisa incorporar as atividades anteriores e aperfeiçoa-la, sempre buscando deixar a proposta próxima de uma situação real de jogo.

Teaching Games For Understanding (TGFU)

            No inicio dos anos 80, os professores Burker e Thorpe desenvolveram um processo de treinamento muito interessante que objetiva o ensino do jogo pela compreensão tática, ele busca apresentar ao aluno uma situação- problema que ele deve tentar solucionar mediante a aquisição do  conhecimento tático.

            Nesse processo a função do aluno é ser construtor ativo, ele precisa ter voz ativa e ter a liberdade de acertar e errar, entretanto, não existe o certo e o errado. E a função do professor é eleger os problemas táticos e assim como já foi falado, ele precisa selecionar bem o brinquedo, precisa direcionar os alunos para o caminho mais adequado e o principal é que ele precisa manter a liderança abrindo mão da autoridade.

            A primeira fase desse processo indica que o processor deve propor um jogo modificado relativo ao conhecimento prévio dos alunos, apresentando apenas as regras e o objetivo, nada mais. Após os alunos executarem essa atividade proposta ele deve informar os problemas táticos apresentados e manter o dialogo com os alunos para que eles possam dar ideias de soluções para esses problemas e os alunos precisam saber o que fazer como fazer e por que fazer.

            Agora é o momento de mais importância, os alunos vão praticar essas habilidades e vão buscar a resolução dos problemas táticos e precisam dominar suar habilidades. Nesse momento a parte cognitiva dos alunos irá estar em conflito frequente para buscar novas e novas soluções, além das tomadas de decisão, o interesse pelo brinquedo é esperado por que tem o desafio claro e a competitividade ou colaboração pode incrementar esse processo, por que a premissa dos jogos coletivos e jogos de transição fala que um jogo é produzido com oposição e colaboração.

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            O texto exemplifica bem que é possível trabalhar a iniciação esportiva com atividades táticas direcionadas, o professor demanda repertório e uma boa percepção para adaptar, adequar e modificar suas atividades.

            A iniciação tática é de vital importância, por que ela abrange um universo imenso de oportunidades e opções para que a atividade tenha contexto, por que cada professor tem o formato de jogo e dentro disso ele inclui na sua metodologia essa ideia central diluída em atividades complementares.

            Não podemos nunca imaginar uma criança como maquina ou profissional, devemos manter a natureza dela e dentro disso inserir contextos e experiências. É claro que a “brincadeira de rua” ajuda muito por gerar um ambiente propicio a tomada de decisão e criatividade, mas no decorrer do texto me apoiei apenas no processo de treinamento.

            O processo de treino é parte do ensino geral, assim como existem as matérias escolares, o processo de iniciação esportiva deve ser similar e buscar sempre a evolução do aluno e o principal foco do texto que é o interesse do aluno pela atividade esportiva coincidindo com o aprendizado.

@Rafinha_Esporte

 

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