O milagre de Istambul – ANÁLISE TÁTICA MILAN X LIVERPOOL CHAMPIONS LEAGUE 04/05

Por Felipe Holanda

ist1Festa do Liverpool, campeão da Champions (Divulgação/UEFA)

Um jogo que é considerado por muitos como o melhor de todos os tempos. É assim que é visto o confronto entre Milan e Liverpool pela grande final da Champions League na temporada 2004/2005. Afinal, foi uma das maiores reações da história do esporte, que ficou conhecida como “O milagre de Istambul”. Depois de estar perdendo por três gols de diferença, o time inglês se reergueu e chegou ao empate, vencendo nos pênaltis e se sagrando campeão.

ist2Escalações de Milan e Liverpool (Feito no Tactical Pad)

Além de emocionante, foi um grande duelo tático entre Carlo Ancelotti e Rafa Benitez. O Milan entrou em campo no 4-4-2 clássico, variando para o 4-3-1-2, com Shevchenko e Crespo no ataque. Pirlo era o responsável pela cabeça de área, enquanto Seedorf e Gatusso atuavam pelos flancos e Kaká como camisa 10. Na defesa, Nesta e Stam protegiam o goleiro Dida, com Cafu e Maldini nas laterais direita e esquerda, respectivamente.

Já o Liverpool de Benitez começou o jogo no 4-4-1-1, com Baros no ataque e Kewell no apoio. A dupla de volantes era formada por Xabi Alonso e Steven Gerrard, com Rise e Luis Garcia pelos lados do campo. Lá atrás, Finnan, Carregher, Hyppia e Traoré eram os protetores do goleiro Dudek.

Espaço entre as linhas do Liverpool e Milan controlando o jogo

Com a bola rolando, foi o Milan que tomou a iniciativa de ir ao ataque. Dessa forma, controlou facilmente o jogo no primeiro tempo.  Logo no primeiro minuto, Pirlo cobrou falta com precisão e Maldini finalizou de primeira para marcar um lindo gol e deixar o Rossonero em vantagem.

Do outro lado, o Liverpool, com as linhas muito espaçadas, não conseguia segurar o ímpeto dos italianos. A equipe inglesa utilizava uma marcação com duas linhas de quatro na tentativa de conter as investidas do Milan.

ist3Liverpool se defendendo com duas linhas de quatro (Reprodução/Football Bloody Hell)

Enquanto os Reds tentavam se organizar defensivamente, o Milan dominava o meio de campo. Não dava espaços para os meias do Liverpool trocarem passes e tinha a bola na maior parte do tempo.

ist4Milan dominando o meio de campo (Reprodução/Football Bloody Hell)

Defensivamente cirúrgico

Além da boa movimentação do meio para frente, o Milan era cirúrgico na defesa. Povoava bem a grande área e não dava espaços para o Liverpool. Além disso, era preciso na transição ofensiva, ocasionando vários contra-ataques altamente perigosos.

ist5Milan postado na defesa (Reprodução/Football Bloody Hell)

Tentando reverter a situação, o Liverpool esbarrava numa falha estrutural e ocupava muito mal os espaços. Do banco de reservas, o técnico Rafa Benitez via sua equipe perdida em campo e já esperava pelo pior.

Hernan Crespo, o algoz

Até que o pior aconteceu. Crespo, que havia ficado em impedimento três vezes, foi o algoz da vez. Após boa troca de passes, Shevchenko cruzou rasteiro e o argentino finalizou sem chances para o goleiro Dudek: 2 x 0.

Em seguida, ainda houve tempo para o terceiro, com o Milan coroando um primeiro tempo perfeito. Kaká quebrou as linhas de defesa do Liverpool com um passe magistral para Crespo, que deslocou o goleiro com uma “cavadinha” e marcou um golaço.

ist6Crespo vence Dudek com categoria (Divulgação/UEFA)

Mudança tática em busca do milagre

Na segunda etapa, Benitez sabia que precisaria melhorar para ficar com o título. E mudou o time drasticamente no que se tornaria uma das grandes mudanças táticas na história da Champions League. O 4-4-1-1 virou um 3-4-2-1, com Hamman entrando na vaga de Finnan para marcar Kaká individualmente e Gerrard passando a atuar mais adiantado.

ist7Liverpool volta mudado para o segundo tempo (Feito no Tactical Pad)

Foi justamente o capitão Steven Gerrard atuar mais adiantado que mudou os rumos do jogo. No auxílio, Riise e Smicer, que entrou no primeiro tempo devido a lesão de Kewell, atuavam pelos flancos, com muita amplitude e velocidade.

Como se pode ver na foto abaixo, o Liverpool modificou totalmente sua estrutura defensiva e passou a atuar com três zagueiros, com Carragher na direita, Traore na esquerda e Hyppia como uma espécie de líbero.

ist8Liverpool na transição ofensiva com três zagueiros (Reprodução/Football Bloddy Hell)

Em fases defensivas, o Liverpool era outro time no segundo tempo. Muito mais compacto, sem grandes espaços entre as linhas, cedeu pouquíssimas chances ao Milan e passou a controlar as ações do jogo. Do meio pra frente, Hamman, Alonso, Smicer, Gerrard e Luis Garcia marcavam sob pressão especificamente Kaká, Pirlo e Gatusso.

ist9Marcação sob pressão do Liverpool (Reprodução/Football Bloody Hell)

Reação antológica

A reação vermelha começou com o Gerrard, símbolo daquele time. O camisa 8 completou cruzamento de Riise de cabeça e estufou as redes rossoneras. Na sequência, Smicer bateu de fora da área e venceu Dida, diminuindo para 3 x 2, placar que recolocava o Liverpool no jogo.

Quando o Milan tentava recuperar o controle das ações, Gerrard foi derrubado na grande área e o árbitro Manuel Mejuto González marcou pênalti. Alonso foi para cobrança e não perdoou. O 3 x 3, que parecia impossível, havia virado realidade para o Liverpool.

O jogo seguiu frio na prorrogação e, nos pênaltis, o Liverpool foi mais feliz nas cobranças, ficando com o título e fazendo história na Liga dos Campeões com o placar de 3 x 2. Uma virada inesquecível.

@holandafelipee

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