Pedalando rumo ao título – Análise tática de Corinthians 2 x 3 Santos – FINAL BRASILEIRÃO 2002

Por Rodrigo Costa

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            Num domingo, 15 de dezembro de 2002, Corinthians e Santos se enfrentaram pela segunda partida da final do Campeonato Brasileiro daquele ano. A primeira partida tinha sido 2 x 0 para a equipe santista, com show de Diego, que, lesionado, deixou o gramado logo no primeiro lance do segundo jogo, em seu lugar entrou Robert, com isso, o Santos que jogou aquela final histórica teve Fábio Costa; Maurinho, Alex, André Luiz e Léo; Paulo Almeida, Renato, Elano e Robert; Robinho e Willian.

pedala1O Santos jogava no tradicional 4-4-2 brasileiro. Não se prendam à locais fixos, futebol não é pebolim. 

            Apesar da vantagem trazida do primeiro jogo, o Santos não era uma equipe que jogava na defesa, muito pelo contrário. Os jogadores buscavam atacar sempre que podiam e fazer mais e mais gols, era um time bastante ofensivo e técnico. Com isso, o Peixe marcou de maneira muito eficiente em bloco médio, realizando encaixes setoriais e subindo a pressão quando necessário. A equipe se defendia no 4-2-3-1 e no 4-1-4-1, tendo Paulo Almeida protegendo a frente da área de maneira primorosa, com isso o Corinthians só conseguiu chegar pelos lados, nas costas dos laterais, principalmente de Maurinho. A linha defensiva se postou muito bem realizando bloqueios e antecipações constantes para que os atacantes corintianos não dessem sequência às jogadas, além dos laterais encaixarem em seus respectivos “alvos” os perseguindo por alguns metros. Robinho fechava a linha de meio pela esquerda e Elano pela direita.

Organização defensiva santista se baseava em dois desenhos, marcando por encaixes e com pressão intensa.

            Já em organização ofensiva, o Santos construía as jogadas a partir dos seus meio-campistas, visto que os zagueiros não tinham tanta qualidade técnica para isso. No primeiro tempo, Léo foi mais contido no apoio (Gil atuava pelo seu lado, portanto a marcação devia vir primeiro), com isso Maurinho teve maior liberdade para avançar até o último terço. Paulo Almeida e Renato jogavam de terno! Os meias tinham qualidade de passe para sair da pressão e encontrar os jogadores mais desequilibrantes à frente deles em boas condições, principalmente Renato.

No último terço, Elano abria como meia direita e organizava o jogo por ali, onde teve bastante o apoio das ultrapassagens de Maurinho. Robert substituiu muito bem Diego, fazendo uma partida excelente, pois se movimentou bastante entre as linhas rivais, caindo tanto pelo centro como pelos lados, sempre gerando apoios no setor da bola e retendo bem a posse. O centroavante Willian esperava paciente uma oportunidade de gol, fixando a defesa corintiana. Já Robinho foi quase um esquema à parte. O Menino da Vila atuou pela esquerda, mas tanto com como sem a bola, ele fechava bastante para o centro e em diagonal, armando as jogadas da equipe, invertendo bolas para o lado mais livre e sempre partindo para cima dos marcadores, uma, duas, três … OITO VEZES! Pênalti! O próprio cobrou e converteu ampliando a vantagem para o Peixe.

Liberdade de Robinho com e sem a bola. Maurinho apoiou muito na partida. Fonte: YouTube

A partir do gol, o Santos passou a ter mais a bola e assustar mais o Corinthians, mas no último lance da primeira etapa, Fábio Costa começou a despontar como mais um personagem daquela tarde. No 1º minuto ele já tinha evitado um gol em uma desatenção da defesa santista pelo lado direito em uma cobrança de lateral. O segundo lance, agora com o Corinthians explorando o espaço deixado pelo Santos nas costas de Maurinho, o goleiro novamente apareceu para salvar, assim como na sequência do lance, mais uma vez nas costas de Maurinho, cabeçada defendida pelo arqueiro praiano, apesar do impedimento marcado.

 No segundo tempo, o Santos passou a atuar mais em busca de contra-ataques, mas sem recuar suas linhas. Marcinho entrou na vaga de Renato no Corinthians passando Gil para a esquerda (em cima de Maurinho, que deixava espaço na marcação) e tornou o time mais ofensivo. Mesmo assim as melhores chances corintianas até os 30 minutos foram de bola parada, com Fábio Costa salvando três vezes seguidas em lances assim, visto que em organização ofensiva o Santos conseguia fechar bem os espaços impedindo os avanços do time da capital, além de continuar pressionando e tentando atacar como no lance abaixo.

No vídeo percebemos a marcação intensa santista, a transição ofensiva rápida, mas que se tornou organização ofensiva. Robinho com liberdade para ir até o setor da bola (reparem que ele também vai dar apoio a Renato e Léo pela esquerda, depois aparece na área para finalizar), com Renato ocupando mais a esquerda quando isso acontecia. Qualidade no passe de Paulo Almeida e Renatinho, sendo primordial a ultrapassagem de Léo para que a chance de gol tivesse sido criada.

O técnico Leão sacou Willian e colocou Alexandre para reforçar a marcação no meio, deixando assim Robinho mais centralizado e livre para se movimentar e criar jogadas, com isso Renato passou a apoiar mais pela esquerda. Mas, explorando o ponto fraco santista pela direita defensiva, Gil conseguiu passar por Maurinho e dar a assistência para o gol de Deivid aos 30 minutos, já aos 39, nova jogada de Gil pela esquerda, agora sofrendo falta para a cobrança na área e gol da virada de Ânderson.

O Santos não se abalou, buscou atacar mesmo assim, e aos 43 minutos Renato encontrou Robinho entre as linhas, que passou para Elano e se projetou em profundidade recebendo, passando pelo marcador e devolvendo para Elano que fez o movimento de infiltração após dar o passe. Ainda tinha tempo para mais um contra-ataque, que pós escanteio Léo lança Robinho (sempre ele) na ponta esquerda, que dribla dois marcadores e a bola sobra para o próprio Léo que acompanhou o lance até o fim para concluir lindamente de direita decretando o sétimo título brasileiro do Santos.

Reparem que o posicionamento centralizado, mas com liberdade de Robinho, permitiu a conclusão da jogada, sendo fator decisivo a infiltração de Elano, pisando na área para finalizar a jogada. Fonte: YouTube

O título coroou a geração de Meninos da Vila, sendo o time mais jovem a ser campeão do Brasileirão até então, com média de 22 anos e 10 meses, tendo Diego e Robinho como protagonistas, mas sem nos esquecermos de Fábio Costa, Elano, Renato, Paulo Almeida, Léo e vários outros.

@costarodrigosfc

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