Amistoso de altíssimo nível – ANÁLISE TÁTICA ALEMANHA 1 X 1 ESPANHA EM 2018

Por Guilherme Monteiro e Gêra Lobo

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Em momentos opostos, Alemanha e Espanha se encaravam em março de 2018 na busca de reabilitação e de afirmação dentro de seus contextos. A Die Mannschaft vinha de 2 empates (Inglaterra e França) e a La Roja com 1 empate contra a Rússia, pós 3 vitórias consecutivas (Albania e Israel pelas Eliminatórias da Copa e um amistoso contra a Costa Rica). Joachim Low e Julen Lopetegui propuseram algumas mudanças nos 11 iniciais. O Espanhol, sacou Nacho Fernandez, Busquets, Suso e Marco Asensio e promoveu as entradas de Carvajal, Koke, David Silva e Isco. Já Low, retira Trapp, Süle, Plattenhardt, Can e Gündogan da equipe titular. Ascende ter Stegen, Boateng, Hector, Kimmich e Khedira para começar a partida.

amistoso 1Imagem: Guilherme Monteiro (Via: TacticalPad)

As mudanças de Löw não causaram o impacto inicial que Joachim esperava, visto que a Alemanha sofreu bastante nos primeiros 35’ de jogo. Dificuldades em ler as jogadas para pressionar no momento certo, fechar espaços e linhas de passe. E em organização ofensiva, a dificuldade de encontrar espaços na próximos a área defensiva espanhola. Circulando rapidamente até encontrar uma brecha para finalizar. E num desses raros lances Müller acerta um belo chute e empata a partida aos 35’ do 1° tempo. Em transição, a situação era bem mais confortável, Kimmich era elemento fundamental para eliminar pressões; com conduções ou passes, quebrava a marcação e acionava Kroos com espaço para progredir e colocar os homens de frente em boa condição para concluir a jogada.

amistoso 2Foto e edição: Guilherme Monteiro (Via: Instat)

Em organização defensiva, um 4-4-2 em bloco médio, mas com debilidades em conter o predomínio espanhol na base da jogada, atuando em inferioridade numérica no setor. Os movimentos de apoio de Rodrigo foram importantíssimos para a Espanha encontrar espaços. Hummels e Boateng eram na maioria das vezes levados para fora da área para pressionar e roubar a bola. Em contrapartida abriam buracos defensivos. Em transição a situação é bem semelhante. A equipe de Julen Lopetegui atraía os alemães para o lado da bola e prontamente trocava a bola de corredor, tirando a bola da pressão. Ao final da 1ª parte a Alemanha já não sofria tanto, até pelo desgaste espanhol com sua proposta agressiva em campo. Mas também não chegou à frente com perigo.

amistoso 3Foto e edição: Guilherme Monteiro (Via: Instat)

amistoso 4Foto e edição: Guilherme Monteiro (Via: Instat)

Os comandados de Lopetegui estavam muito bem alocados no seu esquema de 4-3-3, com os pontas construtores (Silva e Isco) circulando bastante e descendo pra auxiliar a saída diante da pressão alemã, assim como os meias centrais. Rodrigo servia de escape com seus ótimos desmarques, tanto que foi assim que saiu o primeiro gol da partida, com ele saindo da marcação alemã e recebendo cara a cara com Ter Stegen. Além disso, como de praste, desde o início um jogo muito aproximado e de passes curtos, isso como forma de atrair a marcação e abrir corredor para os laterais.

amistoso 5Foto e edição: Gêra Lobo

Em organização defensiva, a Espanha se postava numa variação de 4-3-3 com 4-5-1, com Silva e Isco descendo algumas vezes pra compactar e organizar a primeira linha; Rodrigo mais a frente. Porém, o maior objetivo das duas equipes eram as pressões desde o campo rival para abafar e recuperar mais rapidamente a bola. Pressão altíssima no portador da bola, com vários homens no setor, e perde-pressiona intenso. A questão de jogar aproximado e ter muitos jogadores em determinado setor ajudava isso. Encaixes muito bem feitos e boa leitura das ações adversárias.

amistoso 6Foto e edição: Gêra Lobo

As mecânicas e estratégias não se alteravam tanto, entretanto o jogo foi mais franco e o campo mais “largo” no segundo tempo, muito pelas ideias de atrair e atacar o espaço das equipes. Durante 11 minutos, foram muitas “trocas de golpes”, com tiradas de bola da pressão e campo para progredir nas áreas rivais.

E nesses momentos a Alemanha foi melhor, criou duas boas oportunidades com Werner, numa finalização na pequena área, e Draxler, num petardo de fora da área, mas ambas pararam em De Gea. A partir dos 20’, a Nationalmannschaft volta a ter os problemas do 1° tempo em organização ofensiva, desta vez, adiciona-se a dificuldade de acertar os passes nas triangulações. Que dificultaram ainda mais a criação dos desequilíbrios na defesa espanhola.

Resumindo um pouco: com as duas equipes mais “soltas” e com mudanças, os esqueletos tendem a, repetindo, mudar, o que acarretou em ainda mais espaços e um jogo de muita transição. De Gea e Ter Stegen viraram protagonistas na partida e evitaram o que poderia ter sido um jogo de muitos gols, mas de um nível técnico absurdo, ainda mais por estarmos falando de um amistoso.

@guizaomb19
@gerinhalobo_

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