A consagração da Fúria – ANÁLISE TÁTICA HOLANDA 0 X 1 ESPANHA COPA DO MUNDO 2010

Por Gêra Lobo

WhatsApp Image 2020-03-25 at 15.25.15

Em 2010, a final da Copa do Mundo iria apresentar ao planeta um campeão inédito. De um lado, a Holanda, que já tinha batido na trave outras vezes e ia em busca de acabar essa maldição. Do outro, uma Espanha que encantava o mundo com seu futebol de muita posse de bola e que vinha de um título da Eurocopa em 2008, além de ter como base um dos maiores times da história do futebol, que era o Barcelona de Pep Guardiola. No final, valeu a filosofia vencedora dos espanhóis. Porém, vamos entender um pouco como tudo aconteceu naquele 11 de julho de 2010.

Holanda: organização ofensiva e defensiva 

WhatsApp Image 2020-03-25 at 15.25.49O 4-2-3-1 de Ber van Marwijk 

O time de Ber van Marwijk se baseava num 4-2-3-1 bem concreto, com muito jogo vertical e velocidade, utilizando a versatilidade de Arjen Robben, que seguia seu estilo de jogo, caindo da ponta pra dentro e abrindo o corredor pro lateral (Van der Wiel) e a técnica apuradíssima da dupla Wesley Sneijder e Robin Van Persie, sendo, esse, uma peça fundamental por conta do seu jogo apoiado, saindo da área.

A saída de bola passava muito por Mark Vam Bommel, que era uma válvula de escape diante da pressão da Espanha, que iremos falar depois. Porém, diante disso, a Holanda, que era um time ótimo tecnicamente, tanto que o trio fala por si só, teve que apostar nas ligações diretas durante o jogo durante a fase ofensiva. Assim se desenrolou os ataques holandeses durante todo o jogo: velocidade e esperança de brilho dos seus melhores jogadores.

Na organização defensiva, os laranjas se comportaram de maneira sublime durante quase todo o jogo. Como a imagem abaixo mostra bem, quando não subia pra pressionar o portador, a Holanda se postava numa variação de 4-4-2 (Sneijder e Van Persie a frente)/4-5-1/4-1-4-1, alternando blocos médios e, repetindo, pressões em determinadas faixas do campo. Destaque gigante, mais uma vez, para Mark Vam Bommel, que soube pressionar o setor da bola e teve leituras excelentes. Muitas às vezes, ele saia da primeira linha pra pressionar.

WhatsApp Image 2020-03-25 at 15.26.15

Espanha: organização defensiva e ofensiva 

WhatsApp Image 2020-03-25 at 15.29.12O 4-3-3 de Vicente Del Bosque

Bom, todos nós já conhecemos o que a Espanha nos propõe em termos futebolísticos desde, mais ou menos, 2008, certo? No esquema de Del Bosque, a versatilidade reina. Um 4-3-3 mais no papel, pois Iniesta, que seria o extremo-esquerdo, funciona praticamente como um quarto homem de meio campo, descendo pra auxiliar na criação, além de participar muito do jogo entrelinhas com Xavi e Pedro.

Vale destacar que a Espanha nunca foi uma criadora de extremos altamente agudos e verticais, mas também nunca foi um problema. Eles tendem a ser muito técnicos com a bola e no entedimento do jogo, e é isso que Pedro e Iniesta fizeram bastante não só na final, mas na Copa também. São o que chamamos de pontas-construtores, com muita liberdade posicional. Um jogador como Villa, versátil e ótimo em rupturas, era necessário nessa seleção.

WhatsApp Image 2020-03-25 at 15.29.38

Na saída de bola, uma trinca bem sólida com Busquets-Xabi Alonso-Xavi, que servia como sustentabilidade no início da jogada. O mais legal de se destacar era a intensa movimentação, sempre com jogo altamente aproximado e passes curtos, avançando gradativamente com a bola. Talvez um pouco mais de jogo lateral faltou durante o jogo, mas os laterais também não tinham essas características. Jogo associativo e entrelinhas era a marca garantida daquele time.

No momento defensivo, se engana quem acha que, pelo estilo dos jogadores, Del Bosque ia colocá-los pra defender em linhas bem compactadas apenas. Não, pressão intensa lá no goleiro para abafar o adversário e recuperar a bola o mais rápido possível. Além disso, encaixes muito bem feitos e pressão ao portador. Também era impressionante a forma da pressão pós-perda espanhola, pois, como era um jogo muito aproximado, assim que o time perdia a bola, principalmente em campo rival, 3/4 jogadores já estavam em cima para recuperá-la. Obediência e inteligência posicional.

WhatsApp Image 2020-03-25 at 15.29.46

Porém, assim como pressionar é importante, o cuidado com os espaços cedidos lá atrás serve de ensinamento. Contra uma equipe veloz e que aposta nesse jogo de maior intensidade e ligação direta como a Holanda, a Espanha teve alguns problemas exatamente com esses espaços, já que, muitas vezes, um buraco no meio e situações de 1 x 1 deram certos problemas, mas nada que comprometesse o resultado final.

1º tempo

O início de jogo foi melhor pelo lado dos espanhóis, que tinham bem mais a bola e tentavam criar a partir do seu jogo aproximado e buscando muito as ações pela direita, além dos desmarques do Villa, sempre com um ou dois jogadores entrelinhas para atrair a defesa ou criar em um passe de ruptura.

Enquanto isso, a Holanda atuava muito de maneira reativa, alternando em blocos médios e alguns momentos de pressão ao portador, com intuito de roubar a bola em campo adversário e imprimir velocidade, mas o time de Vicente Del Bosque era muito inteligente nos movimentos com e sem a bola. Ofensivamente, pouquíssima coisa de pé em pé, muito pela altíssima pressão espanhola, que fazia com o que os laranjas tentassem muita ligação direta.

WhatsApp Image 2020-03-25 at 15.30.49

O jogo foi altamente equilibrado no primeiro tempo, e com uma carga emocional considerável, seja em alguns erros bobos dos dois times, como nas entradas bem duras. Espanha tinha muita dificuldade de criar pela obediência tática do time de Ber van Marwijk, que montou uma defesa altamente compacta, cedendo pouquíssimos espaços. Destaque maior pra Mark Van Bommel, que foi excelente nas caças. Foi um primeiro tempo de muito estudo e pouco brilho dos dois times, com nenhuma grande chance.

2º tempo 

No segundo tempo, a partida seguiu bastante igual, mas com as duas equipes bem mais ligadas com a bola, conseguindo arranjar mais espaços para agredir o adversário. A Espanha seguiu a sua fórmula de jogo aproximado e passes curtos, tentando chegar ao gol de maneira gradativa e organizada. Já a Holanda focou mais ainda na velocidade com Robben mais participativo e Van Persie funcionando fora da área no ataque apoiado.

Falando em Robben, a grande chance da partida no tempo regulamentar, e um lance até, de certo modo, histórico em finais de Copa, veio dos pés, quando Sneijder deu um passe primoroso entre Piqué e Puyol para o camisa 11, que saiu cara a cara com Casillas, tentou deslocá-lo, mas o capitão espanhol fez uma defesa genial com o pé direito. Aquele lance deixou o jogo mais aberto e interessante.

WhatsApp Image 2020-03-25 at 15.31.00

A entrada de Jesus Navas deu um novo ar ao time de Del Bosque, que começou a ter mais profundidade e velocidade pelo lado direito, com Navas jogando em cima do já experiente van Bronckhorst. Isso ficou claro pouco tempo depois, quando o ala fez ótima jogada e cruzou rasteiro para Villa, que finalizou quase que na pequena área, mas Heiting bloqueou o chute. Foi uma partida bem mais veloz e aberta no segundo tempo, mas nada de gol.

Prorrogação

E toda essa empolgação do segundo tempo foi levada pra prorrogação, com os dois goleiros trabalhando bem. A Espanha seguiu na sua forma de jogo de muita posse, mas, muito pelo cansaço também, via a Holanda muita a vontade também, aproveitando os espaços e imprimindo velocidade. As chances apareciam, mas nenhum dos dois times conseguia aproveitar.

Porém, no início do segundo tempo veio algo que mudou a perspectiva do jogo: a expulsão de Heitinga. Depois disso, foi uma pressão grande da Espanha, tentando ter superioridade numérica em todos os setores, mas a boa compactação holandesa surtia efeito… menos aos 11′ do segundo tempo, quando Fábregas achou um belo passe pra Iniesta finalizar e dar o primeiro título da história de uma seleção histórica.

WhatsApp Image 2020-03-25 at 15.31.13

 

@gerinhalobo_

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s