A consagração de mais uma geração – Análise tática de Santos 2 x 1 Peñarol – FINAL LIBERTADORES 2011

Por Rodrigo Costa

 

Uma quarta-feira a noite, dia 22 de junho de 2011 e o Santos se sagrava tricampeão da Libertadores em cima do Peñarol, no Pacaembu lotado. Aquele time sensacional que era comandado por Muricy Ramalho jogava no 4-4-2 em losango, sendo um time mais equilibrado do que a equipe que encantou o Brasil no ano anterior. O time da final (e que era o time titular) teve Rafael Cabral; Danilo, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Arouca, Elano e Ganso; Neymar e Zé Eduardo.

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O primeiro tempo foi mais nervoso, a equipe brasileira sentia a ansiedade de resolver logo a partida, por isso pecou em vários lances que acabaram impedindo de criar jogadas melhores. O reflexo disso era Arouca, errando muitos passes, além disso, Neymar sofria marcação dura e apertada. Mas defensivamente o Santos também não sofreu, não cedendo nenhuma chance clara aos uruguaios. A marcação santista era feita em bloco médio que pressionava apenas a partir do meio campo, deixando os zagueiros uruguaios trocar passes, algo que mudou no final do primeiro tempo, com o Peixe pressionando mais forte e subindo as linhas em vários momentos.

Desenhos base da organização defensiva do Santos

Muricy Ramalho postava o time no 4-3-1-2 que variava para o 4-1-4-1 em alguns momentos, a intenção era ter o trio da frente pronto para os contra-ataques. Ainda, Adriano foi direcionado a marcar de forma individual o melhor jogador do Penãrol, Alejandro Martinuccio (que foi o “vice” craque da Libertadores, atrás apenas do menino Neymar), e por onde Martinuccio ia, Adriano ia atrás dele, sem dar espaços, sem deixar pensar. O argentino foi anulado naquela final.

Adriano executou sua função de maneira excelente. Fonte: YouTube

Em organização ofensiva o time era sensacional. A equipe tinha alguns mecanismos bastante interessantes que potencializavam cada característica dos seus jogadores. A construção das jogadas se dava geralmente pela direita, pois tinha Danilo e Elano no apoio, já do lado esquerdo era mais comum ver lançamentos buscando aproveitar a velocidade de Neymar. Na criação, podíamos perceber um Paulo Henrique Ganso desfilando sua maestria, pois tinha liberdade para recuar e cair pelos lados, mas ele atuava (e gostava mesmo) era de flutuar entre as linhas rivais e naquela final, mesmo voltando de lesão após 45 dias sem jogar, organizou a equipe e encontrou diversos passes chave para seus companheiros.

Ganso fez uma partida muito boa, sendo o maestro da equipe na final. Fonte: YouTube

 Arouca era o meia área-a-área e tinha boa capacidade de armação e marcação além de infiltração, movimento que era constante. Danilo era um lateral bastante apoiador, sempre realizando ultrapassagens pelo corredor e algumas vezes afunilando com a bola no pé, visto que Elano era o meia que flutuava entre o corredor central e o lateral, armando a equipe pela direita, em vários momentos aberto na linha.

Na volta do intervalo, o nervosismo e ansiedade ficaram de lado e o time voltou a ser o que era, solto e confiante. E a peça fundamental para isso foi Arouca. O jogador que vinha mal, voltou do intervalo com a qualidade habitual e passou a comandar o meio campo santista ao lado de Ganso e Elano. Tanto é que a linda jogada do gol de Neymar é criada a partir dele, rompendo linhas de marcação conduzindo a bola depois de um drible e uma ótima orientação corporal, o toque refinado de Ganso e a conclusão de Neymar, aberto na ponta esquerda.

Arouca foi a peça chave para o Santos melhorar. Fonte: YouTube

Pós gol, o Peñarol começou a se lançar ao ataque deixando espaço na defesa para contra-ataques santistas que começaram a serem explorados, principalmente em escanteios, onde Muricy deixava Neymar livre para puxá-los, além de Arouca na entrada da área para a ligação. Além do mais, a posse de bola santista foi mais inteligente, com os jogadores se movimentando e dando apoios ao portador da bola, principalmente os meias Arouca, Elano e Ganso, e assim saiu o segundo gol alvinegro, com Ganso caindo pela esquerda e a bola invertida de Neymar para o lado vazio, com a dupla Elano e Danilo.

Durante o segundo tempo o Peixe teve vários contra ataques criando chances claras. Fonte: YouTube

Santos não jogou só pelos contra ataques como também teve maior e melhor posse de bola, de maneira inteligente. Fonte: YouTube

Como é exemplificada no segundo gol, girando a bola com paciência até a definição. Fonte: YouTube

Desse modo, o Peñarol tentou um abafa em busca do milagre, mas mesmo fazendo o gol, no espaço deixado por Alex Sandro (que entrou na vaga de Léo), o time uruguaio não assustou a equipe da baixada, visto que a marcação santista continuava impecável, apesar de Alex Sandro permitir alguns espaços nas suas costas. No fim, Pará ainda entrou na vaga de Ganso, passando Danilo para o meio, tendo duas linhas de quatro na marcação, com isso, contra-ataques alvinegros se tornaram mais constantes, com os jogadores acumulando gols perdidos, ou seja, por detalhes, aquela final não teve um placar mais dilatado, pois o Santos era muito superior tecnicamente ao Peñarol.

santos4penDefesa santista bem postada impediu chances claras do Peñarol. Fonte: YouTube – Edição: Rodrigo Costa

O título ficou em boas mãos, consagrando uma geração de Meninos da Vila comandados por Neymar e Ganso que ainda tinha Elano e Léo que estavam na geração Diego e Robinho em 2002-2004. E Neymar foi eleito o Rei da América com apenas 19 anos, enquanto os uruguaios “perderam no campo e apanharam”, Léo.

@costarodrigosfc

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