Evolução constante – ANÁLISE TÁTICA DE SÃO PAULO 2 x 1 SANTOS

Por Rodrigo Costa e Pedro Galante

Em um Morumbi vazio, devido a pandemia do vírus COVID-19, São Paulo e Santos se enfrentaram pela decima rodada do Campeonato Paulista.Com alguns desfalques para o clássico contra, Jesualdo Ferreira escalou o time mais uma vez no 4-3-3 com Éverson; Pará, Veríssimo, Luan Peres e Felipe Jonatan; Jobson, Pituca e Sánchez; Soteldo, Arthur Gomes e Yuri Alberto.

Já Fernando Diniz tinha apenas o desfalque de Tiago Volpi, e escalou a mesma equipe que iniciou a última partida contra a LDU, pela Libertadores.Na primeira etapa vimos um jogo disputado no meio campo, o Peixe marcou de maneira bem eficiente e compacta, alternando as alturas das linhas de marcação de acordo com o setor da bola e fazendo uma pressão ocasional, protegendo a baliza por meio de zonas.

Nos primeiros minutos a marcação foi mais com bloco médio/alto e permitiu alguns espaços aos tricolores. Com o passar do tempo a marcação começou a encaixar e o alvinegro se postou no 4-1-4-1 em bloco médio/baixo, impedindo a criação de jogadas pelos pés de Dani Alves e Igor Gomes, principalmente com Jobson, Pituca e Sánchez.

Como resposta, o Tricolor buscava explorar algumas bolas longas para Pato e Igor Gomes que flutuavam nos espaços deixados pelo bloco santista. Essa alternativa de saída mais longa é interessante como opção. Contra a LDU, a equipe sofreu ao ser pressionada e não poder fazer sua habitual saída curta.

O São Paulo também pressionava sem bola, mas em um bloco mais baixo. Até começava algumas pressões na área santista, mas sempre com o bloco muito espaçado, permitindo que o Santos superasse essas pressões sem dificuldade. Mais próximo do seu próprio gol, a defesa ficava mais compacta. Ofensivamente, o Santos conseguiu criar apenas uma oportunidade, justamente a do gol, e que foi bem construída. Antony errou passe no contra-ataque e o Peixe recuperou. As triangulações que Jesualdo tanto almeja aconteceram com Arthur Gomes e Pará “girando o triângulo”, trocando de posição e, desse modo, abrindo a defesa são paulina para o passe de Sánchez achar Pará atacando em profundidade.

O alvinegro também buscava surpreender o tricolor em inversões de bolas para os pontas e tentativas de lances de bolas paradas ofensivas. Já as defensivas seguem sendo o ponto fraco da equipe no ano. Bruno Alves foi o maior finalizador do primeiro tempo, justamente em lances assim, além de Arboleda também ter aproveitado o espaço que surge na defesa santista principalmente em escanteios.

A expulsão de Jobson aos 44 minutos da etapa inicial modificou totalmente a partida. A proteção entre as linhas feita por ele e a compactação defensiva que vinha sendo efetuada deixaram de existir na segunda etapa, visto que as duas linhas de 4, com Soteldo mais à frente para os contra-ataques não se portavam de maneira única e coesa. Yuri Alberto pela direita tinha dificuldades de recomposição e acabava sobrecarregando Sánchez e Pituca na marcação à frente da área. Por isso, Madson entrou na vaga de Yuri para ter uma recomposição melhor na segunda linha.

O São Paulo passou a explorar bastante o espaço entre as linhas que o Santos deixou (ou foi obrigado a deixar).Yuri Alberto não fazia a recomposição na segunda linha, mesmo o Santos tendo um a menos. Fonte: globoesporte.com – Edição: Rodrigo Costa

Sabendo da vantagem numérica, Fernando Diniz lançou sua equipe em busca da virada: trocou Bruno Alves por Pablo. Reinaldo virou zagueiro e Antony fazia a função de ala pela esquerda, dobrando com Vitor Bueno em cima de Pará.

Reinaldo como lateral e Antony como ala pela esquerda. (Foto:Instat/ Pedro Galante)

E a virada era só questão de tempo e mais uma vez (duas, na verdade) os gols sofridos pelo Santos foram de bolas paradas. Vem sendo recorrente os erros individuais e coletivos nesses lances, dessa vez com Éverson saindo mal no primeiro gol (característica que ele deve melhorar) e, no segundo gol, um exemplo claro de como NÃO se deve defender em lances assim, com a bola sendo cruzada QUATRO VEZES sobre a área e Pablo completando para o gol debaixo da trave. Falha imensa, falha coletiva, falha besta. Jesualdo precisa arrumar e treinar esses lances urgentemente, como já mencionado em análises anteriores.

Os últimos 5 gols tomados pelos Santos surgiram de bolas paradas.Os gols de Pablo foram importantíssimos. Não só pela virada em um clássico, mas pela recuperação da confiança do jogador. Pablo é um jogador-sistema, não é exatamente decisivo, mas ajuda a equipe funcionar. Ter um jogador dessa característica é importante.

O restante da partida foi ataque contra defesa, com o Santos tentando não levar mais gols e sem possibilidade nenhuma de assustar o São Paulo, nem em contra-ataques, visto que os dois melhores jogadores (Soteldo e Sánchez) foram substituídos por Tailson e Evandro.

O São Paulo dominou, mas não ampliou; não por falta de chances, mas por falta de contundência. Ainda assim, foi uma vitória importante para uma equipe que a cada jogo impõe seu estilo – o que inclui certos defeitos. A evolução é constante.Em verde, o domínio total do São Paulo.

Fonte: SofaScore

@pedro17galante
@costarodrigosfc

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