Primeiro Grenal em Libertadores: ANÁLISE TÁTICA – GRÊMIO 0x0 INTERNACIONAL

Por Luiz Martins e Maurício Wiklicky

O primeiro grenal pela libertadores, terminou de uma forma ruim, tendo 8 jogadores expulsos, após briga generalizada entre ambas equipes, mas não se pode dizer que enquanto a bola rolou, tivemos um belo jogo de futebol, com os dois adversários de mesma cidade, uma das sete cidades do mundo com dois campeões mundias, sempre buscando a vitória.

Os times treinados por Eduardo Coudet e Renato Portaluppi, fizeram um grande enfrentamento no 11 contra 11, alternando superioridade entre si, como a muito tempo não se via no maior clássico entre clubes brasileiros. Um dos melhores clássicos dos últimos anos. Um 0x0 de muita qualidade.

Análise da partida

Nos primeiros quinze minutos o Grêmio impôs seu ritmo, por estar dentro de casa. Tinha uma tentativa de apostar em bolas mais longas para seus homens de frente, tendo Diego Souza como ponto focal das ações, na busca por segurar a bola em campo adversário e aproveitar as chegadas de Everton e Alisson, somados as investidas de Matheus Henrique e Lucas Silva. Diego Souza que teve papel importante de fazer o pivô, onde de 24 disputas contra os zagueiros colorados ganhou 14. Foi substituído por cansaço, pois teve que se movimentar de lado a lado no ataque para fazer essa parede, algo novo no Grêmio de Renato.

Quando buscava saída curta, desde o goleiro, tinha em Maicon um jogador que iniciava as jogadas, realizando a distribuição para os laterais, que atuavam mais por dentro ao invés de buscar o corredor central. O camisa 8 gremista era bem protegido pelos companheiros do trio de volantes, Lucas e Matheus, responsáveis primeiramente por barrar a pressão que a linha de três colorada buscava exercer, para roubar a bola. Assim conquistou boas investidas e teve chances de abrir o placar.

O Inter após esta dificuldade inicial, conseguia defender com seriedade o volume de jogo gremista, com Musto coordenando o momento de pressionar e posicionar as linhas de marcação em zonas altas do campo, algo que o volante vem realizando desde sua chegada ao clube da Beira-Rio.

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Fechamento de espaços do Inter, que pressionava bastante o Grêmio, desde a saída de bola, dificultando a progressão tricolor. (fonte: instat/Edição: Luiz Martins)

Assim o time foi equilibrando o jogo, gerando melhores opções de saída de bola, através de sua linha de 3. Porém a saída deveria ser muito coordenado, pois a marcação gremista se alternava entre média e alta, sempre com maior ocupação de espaço no setor da bola. Assim, o Inter tinha que fazer a inversão rápida para encontrar o homem livre do lado oposto, o que por vezes causou problemas na saída de bola, até mesmo com auto confiança beirando a irresponsabilidade, ou então maior temporização para o tricolor se organizar defensivamente.

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Grêmio marcando a saída de bola, onde Lomba muitas vezes foi acionado para fazer inversão. Foto e edição: Maurício Wiklicky

Mas o Inter teve uma diferença nessa saída de 3. O meia central não era o principal responsável por receber a bola, girar e distribuir. Ele aparecia mais aberto em um dos lados, tendo a companhia de um dos meias laterais pelo lado oposto, seja Marcos Guilherme, que na saída se via muitas vezes por dentro, ou Boschilia, que era muito ativo nesta ação. Com isto, o time colorado se desvencilhava da forte marcação dos interiores Lucas Silva e Matheus Henrique, retirava Maicon de seu posicionamento entre os companheiros e gerava muito volume de jogo pelos lados de campo, principalmente pelo setor direito de ataque, com Rodinei, Edenilson e Thiago Galhardo, que alternava entre duelar com os zagueiros, ou aparecer na direita pra progredir o time. Tendo Maicon fora, Guerrero era visto bastante caindo por dentro e tentando realizar alguns pivôs fora da área, mas sempre bem vigiado por Pedro Geromel, que foi incansável ao marcar o centroavante peruano, mesmo que em um destes lances, Paolo tenha encontrado Boschilia em infiltração, perdendo uma chance clara de abrir o placar para o visitante, ao apostar em uma cavadinha para encobrir Vanderlei.

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Um dos grandes duelos do grenal. Foto: Reuters/Diego Vara

Com ambas equipes buscando pressionar o adversário, Inter em bloco alto e Grêmio em bloco médio, as defesas tiveram maior destaque na primeira etapa, esperando o que seus técnicos poderiam mudar com o intervalo.

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Inter possuía muitos jogadores em campo adversário, com o lado esquerdo como principal arma ofensiva (fonte: instat/Edição: Luiz Martins)

As primeiras medidas de ambos técnicos foram buscar potencializar suas estratégias. Pelo Inter, Coudet colocou Moisés no lugar de Uendel, aumentando a profundidade de seu time e transformando o lado esquerdo em lado forte do time, tendo Boschilia, que fazia ótima partida e Edenilson, o principal construtor de ações do Inter, caindo junto aos companheiros e aparecendo também em infiltrações e demonstrando maior poder no volume ofensivo do time.

Já Renato apostou em Jean Pyerre no lugar de Maicon, alterando o esquema 433 (marcando no 442) para o 4231 (com a tentativa de manter a marcação). Inicialmente a ideia de Renato para aproveitar melhores chances na entrelinha do adversário, mas perdendo um pouco na questão defensivo, cedendo maiores espaços por dentro, pois Alisson e Everton não conseguiam fazer a recomposição como em outros tempos. Estes espaços foram aproveitados pelo Inter, que tinha Guerrero saindo bastante da referência e Marcos Guilherme, que também transitava por ali. Renato também fez uso de Pepê, para ter maior agressividade pelos lados, ao sacar Alisson, que pouco acrescentou na parte ofensiva.

Com essa alteração o Grêmio quis aproveitar os lados do campo, pois ao longo do jogo Alisson, e principalmente Everton centralizaram seu jogo, o que pode ser prejudicial para ambos, em especial para Cebolinha que tem como principais caraterísticas o drible e a velocidade, e para isso é necessário de espaço, que com certeza pelo meio não terá. O jogo

O Inter foi melhor no jogo taticamente, onde nos seus momentos de superioridade se notou com mais ênfase o domínio. Apesar de uma menor posse no ataque (29,61% do seu total), mostrando uma nova característica de construção, em especial pelo lado esquerdo, onde conquistou as melhores chances, sendo uma bola na trave e uma jogada cara a cara com Vanderlei. O Grêmio nas individualidades e nos erros do Inter chegou mais ao gol, com 13 finalizações (5 certas e uma bola na trave), contra 9 dos coloradas (3 certas e duas bolas na traves, que são consideradas erradas.

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Estatísticas do jogo via Footstats.

Tudo bonito, até que em jogada de velocidade com Pepe, uma falta de Moisés inicia a briga generalizada que tirou um pouco o brilho de uma grande partida, de muitas questões táticas interessantes que ambos os técnicos traziam aos amantes do futebol. Um jogo de futebol society, 7 x 7, onde o Grêmio propôs o jogo, quase fez dois gols, mas impossível de analisar.

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Futebol Society no GreNal da Libertadores. Foto: Maurício Wiklicky

Uma nítida evolução de jogo do Inter de Coudet contra um Grêmio ainda tentando encontrar a melhor formação e equipe. Um bom clássico, machado por cenas lamentáveis. Um grenal de Libertadores da América.

@ojunomartins

@mwgremio

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