Uma derrota amarga – ANÁLISE TÁTICA DE BINACIONAL 2 x 1 SÃO PAULO

Por Pedro Galante

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Depois de ser eliminado na pré-Libertadores de forma vexatória em 2019, o São Paulo voltou a disputar a fase de grupos da competição mais importante do continente. O sorteio, assim como tudo que tem rodeado o clube, foi cruel com o torcedor: LDU e Binacional, dois adversários na temida altitude e o atual vice-campeão River Plate. O primeiro desafio seria no Peru, a quase 4000 metros acima do nível do mar, contra o Binacional.

A altitude é um medo constante, sempre mencionada por torcedores e jornalistas. Não é à toa. Ao influenciar na condição física dos jogadores e na trajetória da bola, a altitude extrapola o seu papel de contexto geográfico e se manifesta quase como um décimo segundo adversário para o time visitante. As saídas? Jogar coletivamente e com inteligência. É preciso defender e atacar próximo para ocupar os espaços com menos esforços físicos.

Sabida a condição da altitude, havia a expectativa de como Fernando Diniz adaptaria o esquema do São Paulo para tal cenário. O São Paulo que vinha sendo uma equipe de pressão constante, de muito esforço para recuperar a bola não poderia ser assim em Juliaca.

Pois bem, o Tricolor chegou três horas antes da partida – pagou multa por isso – para tentar driblar o efeito da altitude e fez um primeiro tempo sob medida: jogou próximo com e sem bola, se esforçando e se poupando nos momentos exatos. Parecia que a altitude poderia ser vencida, e foi, nos primeiros 45 minutos. O São Paulo marcou aos 20, com Alexandre Pato.

O pecado foi ter perdido as demais chances. Teve condições de ir para o intervalo com um placar muito confortável. Antony e Pablo desperdiçaram chances que não se pode perder.

A questão sobre os clichês é que, apesar de serem odiáveis, estão completamente certos. E no futebol, quem não faz, toma.

O Binacional empatou com o centroavante Aldair Rodríguez, o artilheiro da equipe no ano, em uma jogada que o São Paulo não havia permitido até então: o lançamento nas costas da linha de defesa. É impossível dizer se Arboleda chegaria a tempo, ou se Tiago Volpi fecharia as pernas mais rápido ao nível do mar. O que se sabe é que o jogo foi em cima da montanha e a bola encontrou a rede. Esse foi um golpe duro para o São Paulo.

Com as entradas de Andy Polar e Guachire, a equipe peruana se tornou mais ofensiva. Márcio Araújo, o auxiliar de Diniz, tentou responder com as coerentes entradas de Liziero e Toró, a fim de fazer com que a equipe recuperasse algum domínio no meio campo e ganhasse fôlego no ataque. Não deu certo porque o São Paulo não conseguia manter a posse de bola; com muito mais disposição, o Binacional pressionava e recuperava a bola.

Aos 32, caminhando entre as linhas de uma marcação que já era permissiva, Arango virou o jogo para os mandantes com um chute de fora da área.

O São Paulo tinha ainda 10 minutos para buscar um empate, mas não conseguiu, mesmo com a entrada de Hernanes. Além da falta de perna, faltou calma. Aquele jogo sob medida para altitude, com tabelas e aproximações não voltou a acontecer.

A derrota é péssima e coloca o São Paulo contra a parede logo na primeira rodada. Discutir se a derrota tricolor foi para si mesmo, para a altitude – e aqui é quase sempre esquecida a possibilidade de mérito do adversário – é pouco relevante. O São Paulo perdeu e, daqui em diante, mais do que nunca, precisa ganhar.

@pedrosbgalante

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