Vitória à Coudet: ANÁLISE TÁTICA – INTERNACIONAL 3×0 UNIVERSIDAD CATÓLICA

Por Luiz Martins e João Cardoso

Beira-Rio, casa cheia, com o Inter fazendo seu melhor jogo do ano até aqui e venceu a Universidad Católica por 3 a 0, na sua estreia pelo Grupo E da Libertadores. Uma atuação irrepreensível que encheu os olhos do torcedor e do amante de bom futebol.

Demonstra aos poucos os passos que o Internacional busca, para assumir o protagonismo pretendido, desde agora em 2020.

Contexto Tático

O Inter entrou desde o começo da partida “mordendo o adversário”, através de ótimas pressões na saída de bola da Católica, algo que já é costumeiro aos comandados de Eduardo Coudet. Nestas pressões, sempre com bloco compacto, tinha de 3 a 5 jogadores limitando as ações do adversário, obrigando ele a utilizar passes longos, saindo de sua zona de conforto em uma saída curta pelo chão.

Time colorado recuperava a bola e já partia com muita velocidade, intensidade e ótima organização ofensiva, com boas movimentações da dupla de ataque Paolo Guerrero e Thiago Galhardo, demonstrando uma sinergia de ações, como se já jogassem a muito tempo juntos.

Quando um buscava centralizar, o outro saia do setor, abria espaços para infiltrações dos meias e ambos já buscavam melhor posicionamento para aproveitar passes e finalizar. Fora que com estas saídas para o entre linhas, recebiam a bola e já acionavam Boschilia, que caia bastante por dentro para somar junto aos companheiros e apostar em triangulações e principalmente Marcos Guilherme, que tinha campo aberto pela direita para conduzir e chegar com velocidade dentro da área, transformando o lado direito em lado forte de ataque.  Volume ofensivo absurdo do time, mas faltava concretizar estas chances em gols, algo que não ocorreu na primeira etapa do jogo.

inter1Pressão gerada a saía de bola, por parte do Inter, foi vista durante noventa minutos. (Fonte: Instat / Edição: Juno Martins)

A Universidad Católica de Ariel Holán não se encontrou em campo. Estruturado em um 4-3-3, Holán buscava dividir os espaços de modo que seus atacantes pudessem receber a bola em condições de desequilibrar. Dessa forma, as fases iniciais de construção se davam com ambos laterais em amplitude, Ignacio Saavedra (1° homem de meio) se aproximando dos zagueiros e tendo José Pedro Fuenzalida e Luciano Aued um pouco mais adiantados, com Fuenzalida sendo o 2° homem de meio e podendo variar entre a base da jogada e a entrelinha. Porém, este funcionamento se concretizou em poucos momentos do jogo, devido ao ritmo alto e pressões intensas do Inter. Tomás Astaburauga (um zagueiro improvisado na lateral-direita) não conseguiu agregar com bola ao pé e dificilmente promovia boas interações com o triângulo exterior que Holán preconizou (lateral-meia-ponta) junto de Fuenzalida e César Munder. Dessa forma muitas bolas foram concedidas em áreas perigosas e pouquíssimas vezes os atacantes eram ativados em vantagem posicional ou numérica. Do outro lado também não foi muito diferente, Alfonso Parot, Aued e Edson Puch pouco apareceram no jogo, sendo que os dois últimos são jogadores cruciais para a boa circulação da posse no terço final. Aued agregou pouco em termos associativos partindo da entrelinha e Puch somou somente 27 toques na bola durante 73 minutos.

Screenshot_7Fuenzalida entre linhas, como triangulação para tentativa de progressão. (Fonte: Instat / Edição: Ícaro Caldas)

No setor defensivo, novamente a dupla de defesa colorada iniciou com algumas dificuldades de entendimento entre si, por falta de maior sequência juntos e entendimento, tendo Cuesta recebido cartão amarelo, após uma falha de Bruno Fuchs, que pareceu novamente nervoso no início, mas aos poucos foram se soltando, sentindo conforto no jogo e melhorando sua apresentação gradativamente, vencendo ótimos duelos contra o bom centroavante Zampedri.

Outro ponto alto foram as investidas ao ataque e a boa marcação a Puch do lateral Rodinei, que vinha sendo um ponto fora da curva até esta partida. O lateral buscou dribles, boas bolas longas e esteve mais participativo e ativo demonstrando que possui qualidades importantes a agregar. Já Uendel ficou mais incumbido de auxiliar e apoiar a saída, mas não aparecia com tanta frequência ao ataque, dando maior suporte para que Boschilia estivesse mais livre e também liberando Edenilson de maiores obrigações defensivas, fazendo com que o camisa 8 colorado demonstrasse todo seu potencial de construção de jogo, apoios aos companheiros de frente, sem deixar o suporte defensivo, algo que a função exige, auxiliando Musto nas pressões e proteção a defesa. O volante argentino foi outro ponto alto do jogo ao organizar o seu setor e mapear todo o campo ao defender, retirando muito bem espaços a Aued, o principal construtor de jogo dos chilenos. Com os espaços do jogador adversário limitado, inter teve vida fácil no jogo, mas faltava balançar as redes.

inter2Marcação pressao em bloco compacto, limitava a construção da Católica. (Fonte: Instat / Edição: Juno Martins)

Os chilenos em fase defensiva marcaram de maneira individual, com perseguições longas e alguns duelos bem notáveis, como Fuenzalida x Boschilia e Kuscevic x Guerrero. Essas perseguições, principalmente até o minuto 20, promoviam muitos espaços nas costas de Saavedra, por ali circularam Marcos Guilherme e Thiago Galhardo com muito espaço para oferecer toques e arrematar a gol.  Depois desse momento, com um Inter mais arrefecido, a marcação encaixou e vale o destaque do zagueiro Benjamin Kuscevic. O chileno protagonizou uma briga por espaços muito interessante com Paolo Guerrero e, no 1° tempo, parecia levar certa vantagem. Após o intervalo o peruano buscou um melhor posicionamento (geralmente se escorando um pouco pelo lado direito de defesa da Católica) e conseguiu levar a melhor na grande maioria das disputas individuais, junto com a continuidade da produção ofensiva, idêntica à primeira etapa, mas com uma diferença importante: GOLS.

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Números de Kuscevic na partida. (Fonte: SofaScore)

Guerrero abriu o placar em cobrança de falta, o que deixou o Inter confortável em campo, mas sem diminuir a pressão e volume ofensivo, buscando ainda mais o gol e com a principal característica demonstrada até aqui, com sua marcação em bloco alto, roubou novamente a bola em erro do goleiro marcando o segundo gol, pelos pés de Guerrero novamente.

Screenshot_2Momento do gol de Marcos Guilherme, chama atenção o número de jogadores próximos e/ou dentro da área para finalizar. Algo que se torna frequente no Inter. (Fonte: Instat / Edição: Juno Martins)

Jogo já resolvido, ainda fechou o caixão com um gol de Marcos Guilherme, sacramentando a vitória, dando liberdade para Coudet dar minutos a jogadores que serão importantes ao longo da temporada, principalmente Bruno Praxedes, que é uma das joias da base e o centroavante Gustavo, que precisa ter mais minutos em campo por ser um jogador de físico mais demorado.

Como dito no início do texto, o time jogou a melhor partida no ano, com as ideias de seu técnico, em tudo o que ele demonstrou em trabalhos anteriores sendo visto durante noventa minutos no Beira-Rio.

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Já pelo lado da Católica, fica nítido que Ariel Holán possui conceitos bem pensados e tenta aplicá-los, porém o ritmo e a velocidade de seu jogo ainda está muito abaixo do ideal e isso pode vir a ser um problema para a continuidade do time na competição.

@ojunomartins e @jvcardoso5

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