O time da virada – ANÁLISE TÁTICA DE DEFENSA Y JUSTICIA 1-2 SANTOS

Por Rodrigo Costa e Ítalo Amorim

– PRÉ-JOGO:
O Santos viajou até a Argentina para estrear pela Copa Libertadores contra o Defensa y Justicia (‘DyJ’) de Hernán Crespo com algumas mudanças. Por não estar 100% fisicamente, Felipe Jonatan deu lugar a Luan Peres na lateral esquerda e Evandro na vaga de Alison, suspenso. O time teve Éverson; Pará, Veríssimo, Luiz Felipe, Luan Peres; Evandro; Pituca, Sánchez (C); Soteldo; Sasha e Yuri Alberto.

Enquanto isso, por parte dos mandantes, as alternâncias de escolhas seguiram, conservando a estrutura base (4-1-3-2) e mudando algumas peças. Com isso, os argentinos foram para jogo com: Unsain (C); Breitenbruch, Juan Rodríguez, Martínez, Benítez; Acevedo; Guido Mainero, Ruben Botta, Neri Cardozo; Pizzini e Lucero.

– O JOGO:
PRIMEIRO TEMPO:
A partida foi marcada por altos e baixos das duas equipes, ambas conseguiram criar oportunidades e ter chances de gol. No primeiro tempo, a equipe da casa soube explorar os pontos fracos santistas na partida, atacando dentro de um “3-4-3/3-4-1-2”.
3-4-3/3-4-1-2 entre aspas porque o ‘DyJ’ aproximava bastante os centrais do trio de frente, criando uma superioridade quantitativa e qualitativa por dentro e gerando um quinteto entre as linhas do Peixe, ainda que tivesse amplitude dos seus laterais. Em campo seria assim:

Linha de três com os zagueiros + Acevedo, laterais em amplitude e um “quinteto” por dentro. Foto/Edição: Captura de tela retirada da transmissão da Fox Sports (InStat)/Ítalo Amorim.

Esse quinteto, no entanto, não tinha posicionamento fixo e por muitas vezes foi ocasional, onde Pizzini/Lucero (conforme o lado de ataque) recuava para desestabilizar a linha defensiva santista e dar liberdade para o Botta/Cardozo (conforme o lado de ataque) infiltrar no espaço vazio.

O Peixe fez uma marcação com linhas altas, mas a pressão ao portador era feita ocasionalmente, isso custava algumas enfiadas de bolas do Defensa entre os zagueiros. Detalhe que o desenho tático sem a bola variava de acordo com o setor que ela estava.

Mesmo com linha de cinco o Peixe permitiu algumas enfiadas de bolas no 1º tempo, pois a pressão no meio não era intensa, além de ter inferioridade numérica no setor. Fonte: Fox Sports (InStat).

Desde o 4-3-3 no campo adversário ao 5-4-1 no seu campo de defesa, pois Pituca recuava para recompor como lateral esquerdo na linha de cinco, fazendo com que Soteldo (esquerda) e Yuri Alberto (direita) fechassem a linha de quatro meio campistas. Em alguns momentos até um 5-2-3 pois os pontas não recuavam imediatamente.

Assim sendo, o Peixe permitia inversões de bolas constantes justamente para o lado esquerdo defensivo. Os meias argentinos, principalmente Neri Cardozo, sempre encontrava um companheiro livre e com espaço aberto pelo corredor direito (o escanteio do gol saiu após uma jogada assim).

Foto/Edição: Captura de tela retirada da transmissão da Fox Sports (InStat)/Rodrigo Costa.

Com a bola, o Santos teve dificuldade na construção das jogadas por causa da marcação alta e com pressão do ‘DyJ’, com os jogadores errando vários passes. Mais à frente, Jesualdo optou por Evandro ser o “5” do seu esquema, com Pituca de segundo homem pela esquerda, auxiliando muito Luan Peres que não avançava além do meio-campo e Soteldo, que era o jogador aberto pela ponta esquerda. Pela direita, Pará tinha liberdade para avançar e jogar aberto tendo os apoios de Carlos Sánchez. Yuri Alberto e Sasha se movimentavam e apareciam pelos dois lados. Sasha com muito mais dinamismo e dando sequência as jogadas, enquanto Yuri acabou travando alguns lances.

As transições defensivas estão melhores. O Santos não deixa mais o adversário com superioridade numérica, mas contra o Defensa, o meio campo acabou ficando um pouco exposto sem marcação, apesar de ter a linha defensiva composta. Já nas transições ofensivas, Sánchez tem papel fundamental. O uruguaio parece saber sempre como se posicionar para puxar contra-ataques ou cadenciar. No 1º tempo encontrou Soteldo em algumas situações que levaram perigo.

Linha defensiva recompõe bem, mas o meio campo não acompanha, deixando muito espaço na frente da defesa. Fonte: Fox Sports (InStat).

SEGUNDO TEMPO:
O segundo tempo trouxe situações distintas, de um lado mostrou um Santos que voltou para o 2º tempo sem se abalar com o resultado até então adverso, enquanto do outro um Defensa mais “acomodado” com o placar que o favorecia, traduzindo isso na forma que a equipe atacava.

O time continuava com os laterais em amplitude, mas o quinteto parou de acontecer (ainda que ocasionalmente) e agora um dos meias mais abertos abria conforme o lado da bola. Isso acabava deslocando o lateral do Santos e o meia tinha um espaço nas costas da defesa para atacar, ficando:

Foto/Edição: Captura de tela retirada da transmissão da Fox Sports (InStat)/Ítalo Amorim.

Do outro lado, Jesualdo optou pela marcação em bloco médio, com Sasha recompondo na linha de meio-campistas e Yuri Alberto com centroavante. Assim, o Santos conseguiu vários contra-ataques nos espaços que a equipe argentina concedia, principalmente pelos lados, mas alguns eram interrompidos por erros de execução e/ou decisão. Portanto, Jobson e Kaio Jorge entraram (saindo Evandro e Yuri Alberto) e mudaram um pouco a dinâmica da equipe.

O Santos passou a atuar com Soteldo novamente na esquerda, Kaio Jorge centralizado e Sasha pela direita, com Jobson sendo o “5”. Assim, o Peixe cresceu na partida, pois conseguiu explorar mais ainda os espaços nos corredores laterais, tanto em transições como em organização ofensiva principalmente com Soteldo (craque da partida) partindo para cima e encontrando os companheiros na área, como no 1º gol santista, após uma “desobediência” de Jobson se lançando e pisando na área pra finalizar.

Imagem ainda com Yuri Alberto, mas as jogadas pelos lados, inclusive com Soteldo pela direita já ocorriam. Foto: Fox Sports (InStat)/Rodrigo Costa.

Com isso, sabendo que o ‘DyJ’ iria pra cima do Peixe, Jesualdo colocou Felipe Jonatan (Luiz Felipe) passando Luan Peres para zaga e armou um 4-4-2 defensivo marcando com linhas baixas e fechando os espaços, tendo Soteldo e Kaio Jorge mais à frente para tentar explorar mais ainda os contra-ataques que surgiriam. E assim ocorreu. Após roubada de bola de Felipe, Kaio Jorge e Soteldo estavam próximos um do outro para terem chance de dar prosseguimento às jogadas através de tabelas.

Com uma pitada de sorte, após pivô de Kaio e uma boa jogada de Soteldo, a bola sobra nos pés de um Menino da Vila, que com muita frieza e personalidade virou a partida na Argentina. A base sempre salva!

Fonte: Fox Sports (InStat).

– CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Vitória típica de Libertadores para uns, derrota sentida para outros. No fim, sobressaiu a raça santista, com muitas doses de emoção e de técnica.

Os mandantes perdem a oportunidade de fazer valer o mando de campo, muito importante para uma classificação e, quiçá, liderança.
Já o Peixe segue evoluindo, com a bola ainda é um time pobre, que não sabe exatamente por onde e como atacar, mas vem melhorando. Na defesa, alguns ajustes precisam ser feitos, mas em relação à parte ofensiva está melhor. Vitória para dar moral e tranquilidade a Jesualdo Ferreira e o elenco.

Obs: Devido aos acontecidos durante o jogo, avisamos que nós (Rodrigo Costa e Ítalo Amorim) e toda a equipe ‘MW Futebol’ repudiamos qualquer ato de racismo dentro e fora do esporte.

@costarodrigosfc
@italoamorim08