MANOS DE MUNECO: RIVER BUSCA O PENTA

Por Jorge Junior

A Argentina é o país que mais vezes levantou a Taça Libertadores com 25 conquistas. O River Plate – ARG foi o último clube argentino a vencer o torneio. Na sua história são quatro títulos: 1986, 1996, 2015 e 2018.
No Grupo D da principal competição sul-americana terá os seguintes adversários: Binacional (PER), LDU (EQU) e São Paulo (BRA). A estreia será na próxima quarta-feira, 04 de março, contra a altitude de Quito e a equipe da LDU.

Vencer a competição não só é salutar para os torcedores e para aumentar a galeria de troféus como também significa alívio financeiro para o clube. Como a maioria dos clubes brasileiros o modelo e situação financeira se assemelham: gasta mais do que arrecada – na última demonstração financeira houve um crescimento de 31% do passivo (de US $ 3.052 milhões para US $ 3.998 milhões) e uma queda nos ativos líquidos do clube de 40%. A premiação da Copa Libertadores 2020 é de US$ 15 milhões para o campeão.

LAS MANOS DE MUNECO GALLARDO
Especulado em diversos clubes pelo mundo o técnico Marcelo Gallardo anunciou em entrevista coletiva no dia 11 de dezembro de 2019 a sua permanência nos Millonarios para 2020. Alívio para torcida, Gallardo é o principal símbolo de uma nova era vitoriosa do River Plate, uma unanimidade.

Desde 2014 no clube como treinador, acumula 277 jogos com 142 vitórias, 80 empates e apenas 55 derrotas, aproveitamento de 60.89%. Bons resultados traduzidos em títulos:
Copa Sul-Americana: 2014
Recopa Sul-Americana: 2015, 2016, 2019
Supercopa Euroamericana: 2015
Copa Libertadores da América: 2015, 2018
Copa Suruga Bank: 2015
Copa Argentina: 2015–16, 2016–17, 2018–19
Supercopa Argentina: 2017

Marcelo Gallardo está sempre pautado não só na montagem como também no decorrer da temporada em cima de alguns questionamentos como “o que somos como equipe?”, “Quais são nossas virtudes e defeitos e o que são ambas?”. É um preparo para olhar virtudes e defeitos da equipe, considerando que algumas virtudes podem vir a serem perigosas, tornando-as seus próprios defeitos. Um preparo mental e psicológico quem mantem a equipe num nível alto nos planos tático, técnico e físico.

A CARA DO RIVER
O meia argentino, Exequiel Palacios, 21 anos, revelado no clube em 2015 é a principal baixa do CARP em relação a última temporada. Os nove gols em 86 jogos, o vice campeonato da última Libertadores e as quatro partidas na seleção principal chamaram atenção do Bayer Leverkusen – ALE, que desembolsou cerca de 13,5 milhões de euros por 75% dos direitos econômicos, o contrato vai até contrato até junho de 2025.

Mesmo com a perda de um jogador importante, o River Plate é capaz de absorver o impacto. Isso se justifica pelo grande treinador que possui. Gallardo costuma usar estratégias para cada partida, seus times não têm rótulo de uma única maneira de jogar, é capaz de adaptar e extrair o melhor que tem no elenco, portanto não é refém de jogadores.

Nos 3 (três) últimos jogos o River foi a campo com os seguintes jogadores e formação bastante similares:

3-5-2 adotado no confronto contra o Estudiantes, vem sendo bastante utilizado

Observa-se nesses últimos jogos, um setor defensivo sólido que na grande maioria dos momentos está em superioridade numérica, encaixes bem feitos conduzindo o adversário para “setores” com menos riscos a sua meta e facilitando as roubadas de bola. Além da “cozinha” estar bem arrumada, o River conta com um excelente “arqueiro”, Franco Armani.
No setor ofensivo consegue ter movimentações e circular a bola em boa velocidade, boa produção de chances de gols e um bom aproveitamento nas finalizações.

DESTAQUE
FRANCO ARMANI – Goleiro, 33 anos, 1.89 m – se destaca pela frieza de aguardar a finalização do adversário, sempre na pontas dos pés, atento, com boa leitura para realizar movimentos precisos. Herói em jogos decisivos do River como na Super Taça da Argentina contra o Boca (2-0) e jogos contra Racing e Independiente nos Libertadores 2018 (ambos 0-0). Na sua passagem pelo River, tem 91 jogos e a impressionante marca de 47 clean sheets (jogos sem sofrer gols). Outra marca foi conquistada em 18 de agosto de 2018, quando Armani se tornou o goleiro com a maior invencibilidade na história do River Plate, com 800 minutos sem tomar gol pelo Campeonato Argentino, superando Amadeo Carrizo em 1968.

Fonte: perfil oficial do twitter do River Plate

OS ÚLTIMOS 5 JOGOS DO RIVER PLATE
O time de Marcelo Gallardo venceu os últimos cinco jogos, todos pelo campeonato argentino. O River Plate (45 pontos) é o líder da competição, com três pontos de vantagem sobre o rival Boca Juniors (42 pontos), faltando duas partidas para o fim.

Fonte: http://www.goal.com

O PRIMEIRO ADVERSÁRIO, LDU

O maior perigo da LDU chama-se altitude. O ar significativamente mais rarefeito, pressão parcial de oxigênio 25% mais baixa em relação ao nível do mar, a bola “fica mais rápida” e falta folego para quem não está acostumado a praticar atividades físicas nessas condições.

Além da altitude, a equipe da LDU conta com um reforço conhecido no futebol brasileiro: o meia ofensivo, Junior Sornoza, de 26 anos, ex-Fluminense e Corinthians. Sornoza possui boa técnica, passe e chute de média distância, qualidades que foram ofuscadas em terras tupiniquins por seus defeitos: lentidão, falta de intensidade e pouca ajuda nos momentos defensivos.

O maior destaque e reforço para a equipe equatoriana nesta Copa Libertadores é sem dúvida nenhuma: o polivalente e experiente, Antonio Valencia, ex- Manchester United, 34 anos, que pode jogar tanto na lateral direita como de interior pela direita.
A equipe é treinada pelo bom treinador, Pablo Repetto. Repetto foi o treinador que levou o Independiente Del Valle a final da Copa Libertadores de 2016. Naquela edição eliminou os tradicionais River Plate e o Boca Juniors.

A LDU estreou no campeonato equatoriano com derrota, em casa, contra o Independiente Del Valle por 3 a 2. Repetto vem escalando o time no 4-2-3-1. Antes desta partida, contra o Independiente del Valle, foram 2 vitórias e 1 empate.

ÚLTIMOS RESULTADOS: LDU X RIVER PLATE

A equipe argentina nunca venceu a LDU fora de casa, no total foram cinco jogos com 2 empates e 3 derrotas.
O último confronto fora de casa foi pelas oitavas-de-final da Copa Sul-Americana em 2015, derrota por 1 a 0. Mesmo com a derrota a equipe de Gallardo seguiu na competição já que havia vencido o primeiro jogo em Buenos Aires por 2 a 0.

PALPITE
O Grupo D é um dos grupos mais equilibrados do torneio. A LDU sabe que precisa vencer em casa para ter chances de classificação. O problema é que a equipe equatoriana está em formação e diante de um adversário que está habituado adversidades que a competição impõe e nesse momento está abaixo tecnicamente e fisicamente.

Como a maioria dos times que não disputam jogos com frequência em altitudes elevadas, o River deve ter dificuldades para desempenhar o seu melhor futebol.

Empate
Ambas as equipes marcam
Placar final: 1×1

@jorginhoffc