Dores de cabeça – ANÁLISE TÁTICA DE SÃO PAULO 2 x 1 PONTE PRETA

Por Pedro Galante

No último jogo antes da estreia na Copa Libertadores, o São Paulo recebeu a Ponte Preta no Morumbi. O tricolor paulista fez uma excelente partida, desperdiçou chances importantes e sofreu ao relaxar no final.

Juanfran e Antony, lesionados, eram os únicos desfalques de Fernando Diniz. Igor Vinicius e Pablo entraram na equipe. Essas mudanças impactaram diretamente na dinâmica do time e mostraram uma boa possibilidade que deve dar dor de cabeça ao treinador nos próximos jogos.

Nas primeiras partidas da temporada, sem Antony, servindo a seleção olímpica, o São Paulo sofria um desequilíbrio no lado direito de seu ataque. Com Helinho machucado, Diniz apostou em um mecanismo com Pablo e Pato se movimentando e trocando de posição, mas esbarrava na falta de profundidade, uma vez que o lateral direito Juanfran não tem a característica de chegar à linha de fundo.

Contra a Ponte, jogaram Pablo e Pato revezando posições, como vinham fazendo; mas pela primeira vez, o lateral direito foi Igor Vinicius, não Juanfran. Pode parecer exagero que a simples troca na lateral direita influencie na dinâmica da equipe, mas não é.

Igor tem o apoio como principal característica, o que gera profundidade pelo corredor direito, permitindo que o ponta flutue e apareça pela região central. Ou seja, Pablo não precisava ficar preso a linha de lado, como em outras oportunidades; podia atacar a área em um movimento diagonal, o que também dá mais liberdade a Alexandre Pato, que, com a confiança recuperada, fez ótima partida rompendo a linha de defesa.

O primeiro gol, logo aos nove minutos, é produtor direto da dinâmica descrita nos parágrafos anteriores, veja no vídeo.

Depois do gol, o São Paulo dominou e criou boas chances com Pablo e Pato se movimentando, sempre no limite da linha de defesa, enquanto Vitor Bueno e Igor Gomes armavam o jogo.

Faltando pouco para o fim do primeiro tempo, Reinaldo ampliou depois de um lindo chute.

Logo aos oito minutos do segundo tempo, Yuri foi expulso após receber o segundo cartão amarelo. Parecia que o jogo caminhava para um domínio ainda mais amplo do time mandante, mas o São Paulo se acomodou e viu a Ponte Preta ameaçar sua vitória.

Aos 26, Dawhan marcou após uma falha de Tiago Volpi.

Foi uma partida que reforçou as dores de cabeça do treinador: um certo relaxamento, acima, e por isso mais perigoso, do que é natural; e a transição defensiva, que, por vezes, deixa espaços, e não pela forma que é organizada, mas sim pela forma que é executada – Tchê Tchê e Dani Alves tem sido ótimos, mas os laterais, por exemplo, ainda não executam a pressão pós-perda tão bem.

E além disso, criou uma nova dor de cabeça, e essa é especialmente relevante pois pode influenciar no segundo semestre do time: a disputa entre Juanfran e Igor Vinicius. Se o espanhol é mais experiente e sólido defensivamente, o jovem permite um melhor funcionamento do time sem a necessidade de Antony, que já está vendido para o Ajax.

@pedrosbgalante

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