MUITA DISPOSIÇÃO, POUCA INSPIRAÇÃO – Análise tática de Santos 0 x 0 Palmeiras

Por Breno Barbosa, Rodrigo Costa e Caio Ruscillo

No último sábado (29), ocorreu o clássico entre Santos X Palmeiras, no estádio do Pacaembu e terminou empatado sem gols. Comandado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, o Palmeiras atuou no 1-4-3-3 quando tinha a posse de bola e optou pelo 1-4-4-2 no momento defensivo, mandando a campo Weverton; Gabriel Menino, Felipe Melo, Gustavo Gomez e Matias Vina; Bruno Henrique, Zé Rafael e Raphael Veiga; Dudu, Willian Bigode e Luiz Adriano.

O verdão teve muitas dificuldades para criar jogadas pelos corredores laterais, pois centralizava a jogada, com o objetivo de ter seus atletas próximos e associando, porém não conseguiram encontrar espaços e avançar em direção a meta adversária. Quando tinha a posse de bola, os zagueiros atuavam abertos, com os laterais tendo dificuldades para explorarem os corredores e servirem como apoio no ataque.

Gabriel Menino fez alguns lances que surtiram efeito, mas poderia ter dado atuado mais em profundidade. Bruno Henrique e Zé Rafael erraram muitos passes e perderam muitos duelos, isso impossibilitou que a dupla auxiliasse na saída de bola, construção das jogadas e chegassem para finalizar no último terço, com isso o Palmeiras ficou previsível e teve dificuldades para sair da marcação pressão do rival.

O setor ofensivo não era municiado pelo restante dos jogadores, com isso dependiam de jogadas individuais e aproximação do quarteto ofensivo. Porém, também utilizaram pouco os corredores laterais, Luiz Adriano e Willian Bigode se movimentavam para tentarem abrir espaços, porém não obtiveram muito sucesso. Raphael Veiga encostava nos seus companheiros, entretanto não avançava com a posse e perdia muitos duelos. Dudu, era o jogador mais lúcido e através dos seus dribles, conseguiu incomodar a defesa santista.

A imagem mostra que o Palmeiras atuou com seus jogadores próximos e no corredor central. Poderia ter buscado mais a amplitude

No segundo tempo, Rony estreou e criou alguns lances de perigo, apesar de demonstrar afobação na conclusão das jogadas. O extremo deve ser utilizado mais vezes nas próximas rodadas e ser uma peça importante para Vanderlei Luxemburgo. Gabriel Verón também foi lançado a campo, saíram Raphael Veiga e Luiz Adriano, o Palmeiras cresceu de produção e passou a incomodar mais, pois tinha dois jogadores descansados e velozes pelos lados, com Willian gerando profundidade pelo centro e Dudu um pouco atrás, com liberdade para flutuar nas zonas do campo e explorar entrelinhas. Com isso, por alguns momentos, a ideia de aproximação, verticalidade e velocidade surgiu efeito, pois era um time rápido e com muita mobilidade, ludibriando a defesa do oponente. O Palestra optou por utilizar o lançamento longo, no ponto futuro, que era nas costas da linha defensiva santista e obrigou o goleiro Everson trabalhar bem como libero, realizando algumas coberturas.

Na organização defensiva, o verdão atuou no 1-4-4-2, com Dudu e Luiz Adriano mais a frente, atrapalhando a saída de bola do peixe. A equipe variava entre pressionar com os blocos altos e marcar com os jogadores atrás da linha da bola, a ideia era induzir o adversário para zonas específicas, gerar superioridade numérica e recuperar a bola.

Entretanto, quando não tinha êxito no combate, concedia muitos espaços para o rival progredir. Por vezes, o Santos teve igualdade numérica no último terço, mas o Alviverde contou com o ótimo desempenho de Felipe Melo e Gustavo Gomez para evitarem que a meta de Weverton fosse vazada. Matias Vina também teve ótima participação em campo, venceu 9 duelos de 11 disputados e realizou 4 desarmes, sendo fundamental na marcação do extremo Soteldo e inibindo que o Santos criasse situações de perigo por aquele lado.

A dupla somou 12 cortes, 4 interceptações, 4 desarmes, 15 duelos ganhos, 6 lançamentos longos certos e 5 faltas sofridas. Demonstraram consistência e solidez juntos

O Palmeiras desperdiçou muitos passes e isso afetou negativamente na estratégia de jogo, no qual era aproximação, verticalidade e velocidade, para explorar os espaços na defesa santista. O time não teve tanta intensidade e faltou qualidade na execução das ações. O empate foi um resultado justo, levando em consideração que foram poucas oportunidades claras para ambos. Para os próximos jogos, o Palmeiras precisa manter o equilíbrio, evitar oscilação durante a partida e ter uma porcentagem maior em acertos de passe. O clássico foi bem disputado, os dois times criaram algumas situações perigosas, entretanto faltou qualidade e melhores tomadas de decisões. O time de Luxemburgo segue sem vencer um adversário de Série A em 2020 e com três atuações longe das esperadas e demonstradas durante o torneio, no qual o Alviverde segue bem posicionado na tabela de classificação. O próximo compromisso é na Copa Libertadores, contra o Tigre, fora de casa e apesar de ter mais qualidade e recursos em campo, o verdão precisa estar concentrado e elevar o nível de intensidade, para alcançar o resultado positivo na Argentina.

Buscando apresentar um desempenho melhor na temporada, o técnico Jesualdo Ferreira escalou o Santos no 1-4-3-3 um pouco diferente. A promessa dos jogadores e técnico durante a semana era de que a equipe teria uma nova postura contra o Palmeiras, no Pacaembu. Para isso, os jogadores escolhidos foram Éverson; Pará, Veríssimo, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Pituca e Sánchez; Soteldo, Yuri Alberto e Sasha.
O que toda a torcida santista esperava, aconteceu. A equipe alvinegra desempenhou um futebol muito melhor nesse primeiro tempo contra o Palmeiras, sendo o melhor tempo do Santos até aqui na temporada. Para isso acontecer, algumas mudanças aconteceram e a principal foi na organização defensiva, quando o time não tinha a bola.

O Santos subiu linhas e marcou alto pressionando. Fonte: Premiere

O Santos utilizou linhas mais altas pela primeira vez na temporada, o que gerou uma melhor compactação da equipe. A maior aproximação fez com que as triangulações acontecessem com mais facilidade, o que não vinha ocorrendo nos últimos jogos. Em entrevista no início de fevereiro, o zagueiro Luiz Felipe revelou que o técnico Jesualdo Ferreira não achava adequado, naquele momento da temporada, que o time jogasse tão compactado, por não ter, naquele momento, o condicionamento físico ideal para praticá-lo. Isso foi determinante, pois encurralou o Palmeiras e não deixou seus principais articuladores pensarem o jogo. A marcação variava entre o 4-3-3 mais alto, o 4-4-2 em bloco mais médio, e outros, pois esses desenhos não eram fixos e por vezes víamos outras situações de pressão contra o time palmeirense. Sasha foi muito importante nesses quesitos. Além disso, a última linha defensiva (zagueiros e laterais) atuou muito bem, protegendo bem a área, impedindo a progressão do Palmeiras e não sofrendo sustos nesse quesito, inclusive no fim do primeiro tempo, quando o adversário teve mais posse.

Com a bola, o Santos não utilizou a saída Lavolpiana nessa partida, com isso, tinha mais jogadores no meio campo para ligar os setores (defesa > meio > ataque). A equipe buscou propor o jogo, tendo maior posse de bola, inclusive utilizando muito Éverson para ter superioridade no setor da bola. Mais à frente o Santos teve Soteldo pela ponta direita, recebendo o apoio de Sánchez e Pará em ultrapassagens.

Felipe Jonatan em amplitude pela esquerda, com Pituca se aproximando do lateral e recebendo os apoios de Sasha ou Yuri Alberto que trocavam muito de posição e se movimentaram bastante, principalmente Sasha, que muitas vezes recuava para receber bolas entre as linhas e dar prosseguimento nas jogadas, com isso, Yuri fechava no espaço deixado pelo companheiro. Por ali o Peixe criou as melhores chances do primeiro tempo.
Apesar de ter sido amplamente superior na primeira etapa (foram 53% de posse de bola e 8 finalizações contra 4 do Palmeiras), o Santos não conseguia pisar dentro da área, nem levar perigo ao adversário. Cinco chutes de fora da área e apenas um na direção do gol (em cobrança de falta de Carlos Sanchez que Weverton defendeu de manchete). Uma deficiência que vem sendo recorrente neste início de temporada.

Lado esquerdo ofensivo foi muito usado no primeiro tempo, triangulações aconteceram. Fonte: SofaScore

No segundo tempo, o Peixe voltou com Luiz Felipe na vaga de Felipe Jonatan, portanto Luan Peres passou a atuar como lateral esquerdo, e Jobson no lugar de Alison. A princípio, as mudanças foram por questões físicas, independentemente do motivo, elas “acabaram” com o lado esquerdo ofensivo santista. O papel de ponta esquerda passou a ser de Pituca, sem ter o auxílio de Luan Peres no apoio. Claramente uma função que o meio não tem capacidade de fazê-la. Jobson, sempre exaltado como iniciador de jogadas e homem do “passe rompedor de linhas”, pouco acrescentou com sua lentidão e previsibilidade. Embora necessárias, as mexidas fizeram o time piorar. Somando isso às mudanças feitas pelo Palmeiras, a equipe da capital melhorou e teve mais espaço para construir jogadas pelos lados com os pontas Gabriel Verón e Rony.

Compare a imagem dos posicionamentos médios dos jogadores no primeiro e no segundo tempo (pós substituições). Lado esquerdo inexistente. Fonte: SofaScore

Tentando corrigir a equipe, Jesualdo Ferreira colocou Arthur Gomes na vaga de Pituca, mas deixou o atacante pela esquerda, com Soteldo ainda pela direita, que naturalmente tentava o drible para fora, portanto para a linha de fundo. Uma simples inversão poderia ter sido melhor, algo que aconteceu em poucos minutos, mas não de maneira fixa. Defensivamente o Peixe sofreu pelo meio onde Dudu começou aproveitar o espaço para encontrar seus companheiros em situações de gol, Luiz Felipe e Jobson foram muito mal cedendo esses espaços, inclusive errando passes e criando contra-ataques.

Os últimos minutos do clássico foram marcados por transições rápidas e constantes. Os dois times se revezavam nos ataques e também erravam bastante nas tomadas de decisões, fator que foi primordial para que a equipe santista não tivesse criado chances mais perigosas, pois houveram vários erros de passes no último terço e cruzamentos sem sentido, como bolas altas para jogadores de baixa estatura, além de chutes que poderiam ter sido melhores.

No vídeo percebemos um chute que poderia ter sido melhor do Arthur, uma pressão pós perda inexistente, com quatro jogadores parados, além de Soteldo e Jobson correndo para trás sem pressionar. Fim do jogo teve muito espaço no meio, das duas equipes.

O destaque individual do Santos foi Yuri Alberto. Mesmo não sendo contundente frente ao gol, o jovem atacante santista trouxe boa movimentação como extremo pela esquerda, ajudando Felipe Jonathan e Pituca nos apoios e na marcação, com seu bom porte físico. Em contrapartida, a entrada de Yuri fez com que Soteldo fosse deslocado para a direita, onde não jogou mal, mas claramente não rendeu como rende pela esquerda. A posição de extremo direito foi uma dor de cabeça para a os últimos técnicos que passaram pelo Santos. Para quem não se lembra, Cuca chegou a escalar até Rodrygo por alí. Derlis também ocupou a vaga, mas nunca teve muita vontade de permanecer nela. Sampaoli também conviveu com isso até a chegada de Marinho, único capaz de sanar esse problema. A ausência dele, mesmo sem se tratar de um jogador brilhante, é muito sentida e mexe demais com o desempenho ofensivo do time.

O pior em campo foi Jobson. Mais uma vez, o camisa 8 teve a oportunidade e não correspondeu, nem agregando na marcação, muito menos na armação, mostrando na prática porque sua titularidade sequer é cogitada por quem comanda o time. Com Alison fora da estreia da Libertadores, na terça, contra o Defensa y Justicia-ARG, talvez fosse mais adequado ao técnico Jesualdo Ferreira iniciar a partida com Pituca como volante. Jobson não parece ter condições de assumir essa responsabilidade no momento.
Para o Santos, um bom primeiro tempo, talvez a melhor atuação da temporada, já no segundo tempo erros que vinham acontecendo voltaram aparecer e algumas decisões erradas e escalações equivocadas. Se jogar contra o Defensa y Justicia, na Argentina, como jogou o primeiro tempo contra o Palmeiras, temos chances de sair com um bom resultado na terça.

@brenobmarketing @costarodrigosfc @ruscillo

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