Salto Bávaro em Londres –  CHELSEA 0-3 BAYERN DE MUNIQUE

Por Felipe Henriques e Guilherme Monteiro

Análise Chelsea

Estreando como técnico em jogos de mata-mata da UEFA Champions League, Frank Lampard armou o Chelsea para enfrentar o Bayern de Munique, líder da Bundesliga, optando por repetir a escalação utilizada na vitória sobre o Tottenham no último sábado, pela Premier League.

Um 3-4-3 que lembrou muito o utilizado na época que Antonio Conte esteve no comando técnico da equipe, com Azpilicueta formando a trinca defensiva com Rudiger e Christensen, Reece James e Marcos Alonso nas alas, Kovacic e Jorginho formando a dupla de meio-campistas e com Ross Barkley, Mason Mount e Olivier Giroud formando o trio de ataque. William novamente iniciou entre os reservas, assim como o artilheiro Tammy Abraham, que ainda não está 100% recuperado de sua última lesão.

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Em campo, o Chelsea jogou mal. Tudo bem, nos primeiros 45 minutos até conseguiu ameaçar o Bayern em alguns momentos e teve sucesso ao neutralizar os movimentos do goleador polonês Robert Lewandowski, principal ameaça bávara. Não foi bondade do camisa 9, tão pouco vacilação em suas finalizações, pois havia um bom papel sendo cumprido principalmente pelo zagueiro dinamarquês Andreas Christensen, o escolhido por Frank para ser o defensor centralizado, deixando Rudiger mais à esquerda. Deve-se destacar também, as boas defesas do veterano goleiro argentino Wilfredo Caballero.

Porém, em menos de dez minutos do segundo tempo, a defesa dos Blues voltou a apresentar os mesmos problemas que foram expostos durante toda a temporada: Erros de posicionamento e a diminuição do nível de concentração resultaram em espaçamento suficiente para Serge Gnabry conseguir explorar principalmente as costas de Reece James, em sua pior partida com a camisa do Chelsea.

Azpilicueta também não fez a cobertura, abrindo uma avenida no lado direito da defesa e deixando claro um fato: O problema defensivo do Chelsea deve-se a má estrutura de um sistema falho, que cedeu doze gols nos últimos sete jogos e que transcende a questão individual para compor uma defesa na escalação do onze inicial. Lampard mudou o esquema, trocou os zagueiros, os laterais e até o goleiro, mas quando a estrutura apresenta problemas, a principal reforma a ser feita não pode ser ignorada para não causar danos irreparáveis.

Na fase construtiva, os Blues até conseguiram aproveitar a lentidão da transição do Bayern com os passes de Kovacic para Mount e Barkley que buscavam explorar os espaços nas costas dos meio-campistas e, dessa forma, realizar os contra-ataques. Assim, nasceram as principais chances do Chelsea no 1T, mas os erros na hora de escolher a melhor jogada, principalmente os cometidos por Ross Barkley, acabaram comprometendo as estratégias de tentar surpreender a defesa do Bayern. Na melhor chance bávara, podemos destacar a investida de Marcos Alonso para surgir como uma boa alternativa ofensiva contra Pavard, mas deixando espaços as suas costas e evidenciando a sua principal deficiência na questão defensiva.

bayern2Kovacic usando o passe direto para explorar a velocidade dos atacantes. Nesse lance, Mount aproveita o espaço às costas dos laterais. Foto/Divulgação: Instat.

O Chelsea jogou mal e teve todos os seus defeitos expostos pela forte equipe do Bayern. É claro que uma vitória seria muito simbólica para mostrar como o trabalho de Frank Lampard é bom até aqui, mas essa dura derrota mostrou como a equipe ainda está aquém das disputas mais altas do futebol europeu.

Foi um resultado condizente com a realidade dos dois times.

Análise Bayern

O Bayern foi a Londres bem determinado e confiante na vitória. E utilizou bases da equipe e do modelo de jogo (rápida circulação de bola e pressão pós-perda) para vencer o Chelsea. Com uma alta capacidade de circulação de bola. Thiago Alcântara e Kimmich. Ambos com muito espaço na base da jogada para receber, girar, passar e conduzir. Foram o cérebro da equipe de Munique e se destacaram bastante em Stamford Bridge. Juntos acertaram 146 passes praticamente ¼ dos passes da equipe de Hansi Flick em campo. Em inversões de bola foram 11 acertos em 23 tentativas. Uma média de 1 acerto a cada 2 tentativas. Há de se destacar a pressão pós-perda da equipe. A busca da roubada de bola de forma incessante foram essenciais para os alemães não sofrerem defensivamente. E de certa forma ajudando e diminuindo os efeitos da lenta transição defensiva da equipe. A pressão pós-perda foi fundamental para pressionar e roubar a bola dos blues, mas também para fechar as linhas de passe e forçar o Chelsea a quebrar a bola e apostar na disputa pela 1° e 2° bola. Que por sinal. Alaba e Boateng tiveram um execelente aproveitamento – 100% de Alaba e 75% de Boateng, tendo sucesso em 3 dos 4 cortes pelo alto.

bayern3Pressão ao portador + fechamento de linhas de passe. Ocasionando quebradas de bola. Chaves para o Bayern vencer o Chelsea em Stanford Bridge. Foto e Edição: Guilherme Monteiro.

bayern4Thiago e Kimmich com bastante espaço para se movimentar e apresentarem para jogada e prosseguir a circulação de bola com velocidade. Foto e Edição: Guilherme Monteiro.

König Lewandowski e o Prinz Müller

O König e Prinz, respectivamente rei e príncipe em alemão. Consagraram o Bayern no 2° tempo.Recebendo em jogo direto Lewa e Müller, conseguiam reter a bola em campo rival e acionar Davies e os pontas, especialmente Gnabry com espaço para conduzir em velocidade. E assim foi construído 2 dos 3 gols bávaros. Que trouxeram conforto em campo e a vantagem para a Alemanha.

O Bayern chega para o confronto de volta com uma larga vantagem. O que deverá causar um certo temor é a provável ausência de Robert Lewandowski para o 2° jogo. Mas a confiança e a vantagem construída dão uma segurança ao Bávaros para assegurarem a vaga para as quartas de final.

@Narrador_Felipe / @Guizaomb19

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