Confronto de ideias, duelo de estilos ­- ANÁLISE TÁTICA DE NAPOLI 1 x 1 BARCELONA

Por Rodrygo Nascimento e Daniel Klabunde

Napoli e Barcelona entraram em campo nesta última terça-feira (25), pelo confronto de ida das Oitavas de final da UEFA Champions League 2019/20. O Napoli vive período de recuperação, tenta se recuperar dentro do Calcio desta temporada e briga para se classificar para a final da Coppa Itália. O Barcelona tem oscilado bastante nas mãos de Quique Setién e busca se reafirmar e classificar para a salvar a temporada.

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Escalação de Napoli e Barcelona. Imagem: SofaScore

O Napoli desde o início buscou explorar o grande problema para a equipe Catalã: agredir times fechados. Genaro Gattuso foi perfeito em sua ideia. Buscou fechar bem os espaços entre as linhas. Atuou sem bola no 4-1-4-1, com Diego Demme entre as linhas para as coberturar territoriais, nesta função foi fundamental nas perseguições à Messi quando flutuou no setor. Callejón e Insigne foram fundamentais na recomposição, fazendo as dobras com Di Lorenzo e Mario Rui, que quase não subiram no primeiro tempo. Tendo Dries Mertens como jogador mais adiantado, isso serviu para explorar a velocidade do belga e a lentidão dos defensores do Barcelona. Ou seja, um primeiro de gala da equipe do Sul da Itália, se fechou muito bem, com sua marcação por zona, soube quebrar a pressão do pós-perda Blaugrana, além de levar perigo nas finalizações conseguindo construir quando tinha a bola.

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Posicionamento da equipe do Napoli sem bola. Demme entre as linhas, Zielinski e Fabia Ruiz dando combate por dentro, e por vezes, se desgrudando da linha para auxíliar Mertens à frente. Callejón e Insigne recompondo pelos corredores laterais. Imagem: Instat

Poucas vezes subiu a linha para marcar no campo de ataque, porém, quando subiu conseguiu aproveitar o domínio errado de Firpo, e com poucos toques chegou à área, Mertens recebeu e com um lindo chute, abriu o placar aos 30 min do primeiro tempo. Durante os 15 min que restava o panorama se manteve o mesmo, Barcelona com volume de posse, a circulando na intermediária sem penetrar e o Napoli bem fechado procurando explorar as transições ofensivas.

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Números do primeiro tempo de Napoli e Barcelona respectivamente. Imagem: SofaScore

No segundo tempo, perdeu Mertens por contusção e Gattuso colocou Milik, o polônes tendo outra característica não conseguiu ser tão incisivo nas chances de gol, porém, com seu bom pivô e força física para a disputa aérea agregou valências que Mertens não oferecia. A time napolitano ainda criou duas chances claras de gol, porém, Insigne e Callejón disperdiçaram e ficou um gostinho de que os comandados de Genaro poderiam ter feito mais.

Abaixo os números do destaque da partida, Dries Mertens:

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O belga igualou Hamsik como maior artilheiro da história do Napoli. Imagem: SofaScore

Pelo lado do Barcelona a regra era rodar a bola e buscar a melhor oportunidade para a finalização, como de costume na equipe de Setién. Com 71% de posse só no primeiro tempo (67% nos 90 minutos), o Barcelona não conseguia encontrar brechas para quebrar as linhas defensivas dos napolitanos, Junior Firpo e Semedo não produziam pelos lados junto com os extemos.

Sitién lançou Arturo Vidal a campo como atacante pela direita completando a linha de três com Messi e Griezmann. A movimentação mais constante ficava por conta de Messi e Vidal, sempre trocando de posição para tentar abrir a defesa napolitana, mas sem sucesso pois Gattuso armou uma barreira quase intransponível.

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Vidal se movimentando com Messi para abrir espaço na defesa do Napoli. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

Como Demme fazia muito bem a flutuação entrelinhas tirando o espaço onde Messi melhor atua, a solução foi começar a cair pelos lados ou recuar para participar das jogadas.

O gol sofrido sai em um momento que o Barcelona sobe as suas linhas para executar pressão em bloco alto, e em um erro de passe de Zielinski que Junior Firpo tenta interceptar, mas erra, proporcionando uma igualdade numérica na zona de defesa.

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Mertens sobra livre na esquerda para flutuar para o meio e abrir o placar. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde
Com a movimentação do sistema defensivo para efetuar a cobertura no erro de Firpo, Mertens apareceu livre a frente da área.

O segundo tempo começa e a imagem da partida é a mesma, com o Barcelona rodando a bola mas sem profundidade, Messi com a sua zona de atuação anulada pelo time de Gattuso, não consegue criar oportunidades para buscar o empate.

Até que aparece um dos melhores meio campistas do mundo, Sergio Busquets, realiza um ótimo passe de ruptura e encontra Semedo em profundidade, que cruza para Griezmann empatar. Uma bela jogada construída, mas que só foi possível pela movimentação de Messi e Vidal que mais uma vez trocam de posição e o argentino puxa a marcação para fora da zona de marcação quebrando a primeira linha de quatro dos napolitanos e propiciando espaço para Semedo avançar à linha de fundo.

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Ótimo passe de Busquets após movimentação de Messi puxando a linha defensiva. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

Um resultado justo para as duas propostas de jogo utilizadas, com Setién mantendo a posse e tentando agredir ao máximo a defesa napolitana, enquanto Gattuso se defendeu e investiu nas transições ofensivas em velocidade.

@vieira_rodrygo e @dktricolor

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