Cometa brilhando nos céus de Dortmund- ANÁLISE TÁTICA DE BORUSSIA DORTMUND 2×1 PSG

Por Guilherme Monteiro e João Victor Cardoso

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Segundo os cientistas,  “cometa subentende-se um corpo celeste que se move em torno do Sol em trajetória mais excêntrica que a dos planetas e com maior grau de inclinação em relação à eclíptica; consiste em um núcleo de fraca luminosidade formado por pequenas partículas sólidas, cercado por um envoltório gasoso e apresentando, por vezes, ao aproximar-se do Sol, uma cauda luminosa que pode atingir milhões de quilômetros de extensão.” Mas um fenômeno que os cientistas ainda não foram capazes de explicar. É o cometa que surge nos céus da Renânia do Norte-Vestifália, Haaland. Novamente com uma grande atuação, garante mais um triunfo do BVB num jogo importantíssimo. Os franceses bem que tentaram, no entanto, ele apareceu nos momentos mais cruciais da partida e a definiu.

1° tempo:

Na 1° etapa, a equipe aurinegra foi mais defensiva, explorando as transições, uma de suas grandes potencialidades. Defendendo bem, especialmente o centro do campo, onde o PSG buscava ter controle e acionar Mbappé na frente. A eficiência na marcação aurinegra, passou muito pela intensidade e dedicação de Witsel e Emre Can, na marcação. Juntos, encaixotaram Neymar, o principal nome dos franceses, dificultando o jogo do craque brasileiro. Neymar tentou passes, conduções e alguns dribles, no entanto, sem eficiência. Outro destaque é controle da entrelinha, o BVB pressionou bem e as perseguições de Piszczek e Hummels, ajudaram o Borussia a manter uma compactação na faixa central e limitar as opções de passe. Em termos ofensivos, haviam as fortes transições, lideradas por Jadon Sancho, todavia, muitos erros de tomada de decisão minaram oportunidades mais claras dos Schwarz und Gelb.

BVB1A marcação do BVB bem próxima, encaixando praticamente suas peças de defesa com os médios do PSG. Com isso o Borussia conseguiu controlar a entrelinha e não sofrer com passes de ruptura dos franceses. Foto e Edição: Guilherme Monteiro.

BVB2Jogadores do Borussia Dortmund pressionando e fechando as linhas de passe do PSG. Como também, encaixotam Neymar e dificultam sua ação na jogada. Foto e Edição: Guilherme Monteiro.

Pelo lado do Paris Saint-Germain a decisão de Thomas Tuchel em abdicar do 4-2-2-2, que vem dando certo durante a temporada, acabou surpreendendo. Retirando Mauro Icardi da equipe, Tuchel apostou em um modelo mais ortodoxo, posicional (tendo jogadores que respeitavam mais as zonas pré-determinadas de ataque) e cauteloso, muito provavelmente buscando se precaver dos grandes contra-ataques dos alemães. Deste modo posicionou sua equipe em saídas de bola com 3 zagueiros e tendo os 2 volantes na base da jogada, abrindo os alas em amplitude média (sem oferecer profundidade), além de fixar os falsos-pontas (Neymar e Di María) nas costas dos volantes rivais (entrelinha) e Mbappé a ameaçar a profundidade. Porém, sofreu demasiadamente para encontrar os seus atacantes em condições de desequilíbrio (muito por conta da ótima pressão adversária) e acabou por ter uma posse de bola muito estéril e inofensiva.

BVB3Saída de bola do PSG em 3+2, tendo ainda Neymar fixado entrelinhas e muito bem marcado. (Frame feito por Ícaro Caldas)

Um problema que também vinha acarretando uma certa dificuldade ao PSG nos jogos anteriores foi resolvido momentaneamente: o controle da profundidade na última linha. E isso se deve muito a grande pressão ao portador da bola em meio-campo que Verratti e Gana Gueye praticavam sobre os médios rivais, desse modo Marquinhos, Thiago Silva e Kimpembe tinham mais facilidade em recuperar a bola e cortar as transições do Borussia.

2° tempo:

Bem distinto em relação ao 1° tempo, o Dortmund buscou trabalhar mais a posse, enquanto o PSG tentava articular seus ataques através de transições. Isso causava um certo temor aos aurinegros, devido ao recorrente problema da transição defensiva (um exemplo foi uma perda de posse em campo ofensivo com reposição rápida de Navas) contudo, com as noites iluminadas de Piszczek e Can, principalmente, além de Zagadou (apesar da falha no gol dos franceses, foi seguro no decorrer do jogo) quase não se viu problemas no quesito. Os aurinegros começaram intensos e acumulando muitas recuperações de posse em campo ofensivo, entretanto, apesar das roubadas, nem sempre conseguiram acelerar e sair em velocidade, dessa forma começaram a surgir problemas na organização ofensiva. Can e Witsel, acumulavam funções e o primeiro aparentou estar perdido em sua obrigação ofensiva, além de não somar-se a Sancho e Hakimi, para as triangulações pelo lado direito, o mais forte na 2° etapa, complicando as jogadas pelo setor. Os aurinegros estavam bem na etapa final, criavam, foram bem mais perigosos no segundo tempo e o gol parecia questão de tempo. Até que no minuto 68’, após uma linda troca de corredor, por meio de toques curtos e rápidos, Erling Haaland, abre o placar no Signal Iduna Park. No entanto, não conseguiram sustentar muito a vantagem, pois aos 75’ Neymar empata, após arrancada de Mbappé. Assim como o Borussia, o PSG não pôde aproveitar seu gol, pois no minuto 77, o norueguês apareceu de novo. Haaland. Como um autêntico cometa, balançou a rede de Navas e provocou a festa nas arquibancadas do Westfalenstadion. 2 x 1 Dortmund. Após a retomada da vantagem, os Schwarz und Gelb, tiveram a posse e fizeram bom uso. Tirando a velocidade do jogo, buscando circular e valorizar até o final do jogo.

BVB4A ruim leitura do lance de Can força Hakimi a retroceder a jogada, pois está pressionado por dois jogadores. Foto e Edição: Guilherme Monteiro.

Voltando a análise aos visitantes, durante o 2° tempo os parisienses continuaram sofrendo para construir e conectar setores de maneira fluída e contínua. Verratti  e Neymar buscavam se associar e encontrar soluções através do passe, mas quase sempre eram sufocados pelos alemães. Dessa forma o esquema de Tuchel foi ficando cada vez mais previsível, pois a saída continuava sempre à mercê do italiano encontrar passes de ruptura que encontrassem os atacantes com espaço/tempo para desenvolver as jogadas. Além disso, a necessidade dos gols foi colocando pequenas doses de nervosismo aos toques dos jogadores, gerando erro bobos e tomadas de decisões equivocadas em zonas terminais. As melhores chances surgiram nos momentos em que Neymar se desprendia das entrelinhas (seja por orientação técnica, seja por inspiração própria) e buscava a bola em alturas mais baixas, dessa forma conseguia organizar o jogo de frente e tentar lançar Mbappé em rupturas ou então ambos se juntavam e tabelavam na tentativa de chegar a meta defendida por Bürki. Defensivamente, as transições maltrataram as linhas defensivas, tendo um Layvin Kurzawa problemático em 1×1 defensivo e muitas inferioridades numéricas. Mesmo assim, vale ressaltar a grande partida de Thiago Silva contra o veloz ataque aurinegro liderado pelo “cometa” Haaland. O brasileiro somou 10 ações defensivas corretas (3 cortes, 3 interceptações e 4 desarmes), 6 duelos pelo chão ganhos em 7 disputados e 2 duelos aéreos vencidos em 2 disputados.

BVB5Dados: Sofascore.

Destaques  Aurinegros:

BVB6BVB7Dados: Sofascore.

Por fim, o Borussia leva uma vantagem para a França muito boa. Tendo a vitória e o empate como garantias de classificação. Além de poder contar com Brandt e Reus lesionados e fora do confronto de ida. O PSG não poderá contar com Verrati no jogo de volta, o que pode dificultar um pouco a missão dos franceses, visto a importância do jogador para a boa circulação da bola no sistema de Thomas Tuchel. No entanto, não há necessidade de se criar um cenário de terra arrasada. Até porque, é perfeitamente possível desbancar a vantagem dos alemães, visto que Neymar deverá estar em melhores condições de jogo (vinha desfalcando a equipe nos últimos 4 jogos devido a uma lesão). A ver o espetáculo das equipes no dia 11 de Março o dia decisivo para a vaga.

@jvcardoso e @guizaomb19

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