Notas de uma tarde triunfal – ANÁLISE TÁTICA DE BAHIA 0-2 VITÓRIA

Por Ítalo Amorim e Kleyton Sampaio

Foto/Divulgação: Letícia Martins/EC Vitória

– FORMAÇÕES:
– BAHIA (4-3-3):

– VITÓRIA (4-3-3):

– PRIMEIRO TEMPO:
O primeiro clássico Ba-Vi do ano começou bastante estudado; de um lado vimos um Bahia que usava bastante dos seus corredores e tinha espaço entrelinhas para triangular, enquanto do outro vimos um Vitória com mais respaldo defensivo, pensando como poderia sair em velocidade ao recuperar a bola e protegendo-se com “zonas de conflito” para recuperar a bola.

No campo, os posicionamentos das equipes dependiam diretamente de qual setor (direito, esquerdo ou centro) cada equipe atacava; especialmente quando o Bahia tinha a bola. Ficando:

Vitória no 4-4-2 em organização defensiva, sempre tentando povoar o lado onde a bola se encontrava, ainda que nem sempre tenha tido vigor físico para pressionar com bom número de atletas; por outro lado, o Bahia tentou usar das triangulações para ganhar espaço nas laterais do campo, encontrando Elber/Clayson na entrelinhas quando possível ou reiniciando jogo como o Gregore (2: essa sequência de ideias você encontra em uma escala maior na thread do Kleyton Sampaio sobre como o Bahia encontrou facilidades nos corredores e como a vantagem quantitativa do Vitória não foi sempre efetiva).

Esse cenário das “zonas de conflito” (evitando dificuldade interpretativa, deixo um – pessoal – conceito sobre a ideia: são zonas de combate pela bola, normalmente caracterizadas por polígonos não necessariamente simétricas demarcados pelo espaço de certo conjunto de jogadores, no caso do Ba-Vi foi possível ver quadriláteros no espaço entre Léo-Carleto-Maurício-Fernando para bloquear o avanço vertical do Elber) foi bastante falho, onde quando o pós-perda não funcionava a organização defensiva se encontrava exposta. O lance de Elber atacando o espaço e finalizando no canto oposto de Ronaldo expõe isso.

Por outro lado, arranhando um 4-1-4-1 assimétrico, o Vitória tinha dificuldade ao competir com inferioridade numérica no setor da bola. Apesar de Fernando Neto/Gérson Magrão sempre aproximarem como opção de passe, o jogo não conseguia prosseguir.

Tanto não conseguia que quando a bola chegava nos seus centrais o Bahia já se encontrava reestruturado, com duplas (Capixaba-Clayson e João Pedro-Elber) marcando o corredor e os centrais fechando possíveis passes entrelinhas (buscando Viçosa ou um ponta que atacasse por dentro – quase sempre o Vico).

Sem saber como criar dentro dos triângulos organizacionais do Bahia, o Vitória se viu bloqueado e sem espaços para o seu setor mais criativo nas duas primeiras rodadas (lado esquerdo).

Entretanto, nem só dificuldades se fez o momento ofensivo do Vitória, principalmente quando esse encontrava lances de bola parada. Lances esses conquistados pelo trio de ataque, especialmente o centroavante Júnior Viçosa.

Desconectado de muitos momentos do jogo (até porque a partida exigia), Júnior encontrou apenas uma assistência para finalização (Léo Ceará logo no começo) no que se cabe ao seu pivô, mas curiosamente teve papel importante em outra questão.

Sendo o mais avançado das linhas rubro-negras (o que explica o 4-1-4-1), Viçosa foi o principal responsável por “esconder a bola” e encontrar faltas no jogo. Assim encontra a falta do gol, a falta que precede o escanteio do segundo gol e a falta do último lance do primeiro tempo – sendo que essa última o lance foi parado por contato inicial no Vico.

A temporada dos sonhos começou com noites de pesadelo, especialmente olhando para o guardião tricolor Douglas, outra falta e outra falha para ele ainda em fevereiro (Arisson Marinho/CORREIO).

– SEGUNDO TEMPO:
Para a segunda etapa, o Vitória – já com o placar sob o braço – abdicou de ois jogadores na linha de frente na fase defensiva, voltando com compactações que variavam do 4-1-4-1 para o 4-5-1 (que apesar de serem semelhantes, ocorrem em fases distintas graças à movimentação de Gilberto). Ficando, ainda na segunda esfera do primeiro tempo, com:
– 4-1-4-1:

Quando Gilberto atuava recuado, posição espelhada na de Hernane no duelo dentro da Arena Pernambuco, Guilherme Rend descia da linha de quatro do meio-campo e se portava na frente do camisa 9 tricolor, evitando assim que a sua jogada de pivô fosse acionada.
– 4-5-1:

Com Gilberto entre os defensores, Guilherme Rend conservava posição e a equipe estabilizava uma linha de cinco; linha de cinco essa bem semelhante da fase defensiva do duelo contra o Fortaleza , onde – naquela ocasião – Gérson Magrão era o mais centralizado e atuava um pouco à frente da linha, praticamente um 4-4-1-1 com assimetria vertical entre os dois da frente.

Dentro do segundo tempo, com o Bahia tendo Arthur Caíke e Rossi, a formatação foi conservada. Onde Rossi passou a dar uma jogada individual mais forta aos corredores do tricolor e o Arthur tentava surgir como elemento surpresa nas costas de Van (sem sucesso).
A partir disso, o jogo não ofereceu mais tantos cenários, apesar de que em dado momento o Vitória “ganhou” um extremo de origem (Rodrigo Porto) e passou a incomodar João Pedro, agora preocupado também em defender.

– CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Confronto mutuamente fraco, seja fraco psicologicamente para o Bahia ou fraco tecnicamente para o Vitória, mas com ideias interessantes apesar do excesso de tentativa e erro.

Para o Vitória, é a confirmação de um bom momento (cinco pontos de nove disputados contra equipes da Série A, jogando duas vezes como visitante); para o Bahia, é o “bailar com a crise”, tanto para Roger – que aparenta ter o respaldo da diretoria – quanto para o elenco – que teve declínio técnico no terço final de Série A ano passado. Em meio a tantas diferenças no pré-jogo (orçamento, elenco, ambições na temporada e etc), prevaleceu o ponto forte do espetáculo: o Caos; mas desse falaremos depois.

@italoamorim08

@sampaiokleyton01