Peixe que não nada morre na areia – ANÁLISE TÁTICA DE SANTO ANDRÉ 2 X 1 SÃO PAULO

Por Pedro Galante

Devido a problemas técnicos, as imagens não puderam contar com a melhor edição. Pedimos desculpas pelo ocorrido.

O Santo André, líder do Campeonato Paulista, recebeu o São Paulo no Estádio Bruno José Daniel. A chuva antes da partida deixou o gramado encharcado e impactou diretamente na dinâmica do jogo.

O São Paulo, com seu jogo de posse, foi o maior prejudicado. Fernando Diniz não adaptou sua escalação e mandou, com exceção do lesionado Bruno Alves, os mesmo onze jogadores para campo. O zagueiro ao lado de Arboleda foi Anderson Martins.

O placar foi inaugurado aos cinco minutos. Fernandinho dominou uma bola afastada e chutou de fora da área.

Com o tempo, o São Paulo foi se adaptando ao gramado e encontrou uma forma de jogar. A equipe abriu mão da saída de bola adaptada, com os dois volantes entre os zagueiros e da intenção de atrair o bloco adversário. O tricolor atuava inteiramente no campo de ataque, com Tchê Tchê mais avançado e Dani Alves entre os zagueiros, as vezes sendo o jogador mais recuado do time.

Dani Alves foi fundamental na organização da equipe. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O camisa 10 adotou essa posição por uma questão de espaço. O Santo André se defendia de forma bastante compacta e o gramado não permitia uma circulação rápida da bola. Mais recuado, Dani tinha tempo e espaço para buscar lançamentos longos e criar chances. E assim, a equipe de Fernando Diniz se encontrou dentro de campo.

Na faixa dos 25 minutos, Daniel Alves começou a receber uma marcação especial do atacante Ronaldo. Como Anderson Martins e Arboleda não tinham o mesmo poder de organização. A equipe diminuiu suas chegadas ao ataque.

A marcação individual em Dani Alves, comprometeu a criação tricolor. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Aos 33, o Santo André ampliou em uma falha coletiva da defesa são-paulina. Um passe rasgou o meio campo, Arboleda ficou vendido, Reinaldo não acompanhou o adversário e Dudu Vieira apareceu livre para marcar.

Na volta do intervalo, duas alterações no São Paulo: Everton e Igor Vinicius nas vagas de Anderson Martins e Juanfran. Reinaldo virou zagueiro pela esquerda e Everton lateral esquerdo. A ideia era usar os novos laterais para garantir amplitude e facilitar o jogo pelo centro, com o gramado um pouco mais seco.

São Paulo pós-mudanças: laterais em amplitude e Reinaldo como zagueiro. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

E as alterações funcionaram. Pouco a pouco, o Santo André foi empurrado em direção à sua própria meta. O meio-campo tricolor começa a encaixar passes. Vitor Bueno perdeu um gol na cara, depois de linda jogada coletiva. Dani Alves descontou em cobrança de falta. Contou com o desvio da barreira para vencer o goleiro Fernando Henrique, que fez ótima partida.

Faltando um gol para o empate, os visitantes partiram para cima. Brenner entrou no lugar de Hernanes e o jogo se tornou puramente ataque contra defesa. O São Paulo rodava a bola e buscava os melhores momentos para forçar. Empurrava o adversário e recuperava rápido toda vez que perdia a bola. Criou chances para empatar, mas não converteu.
Foi a segunda partida seguida que o time terminou amassando o adversário, precisando de um gol. Contra o Novorizontino, não precisaria se não fossem os dois gols mal anulados. Contra o Santo André precisou, porque demorou a se adaptar – e ainda assim, poderia ter se adaptado melhor – ao jogo. Fernando Diniz tomou decisões bastante questionáveis.

E não é o fim do mundo. Foi um jogo excepcional, com condições atípicas. O bom processo de construção da equipe (https://mwfutebol.com.br/2020/02/07/a-construcao-do-spfc-de-diniz/) não vai para o lixo por causa dessa derrota.

Mas quem sabe que um bom treinador é feito não só do ideal, mas também da adaptação perante ao imprevisível, fica com um pé atrás. E a questão está muito mais relacionada com tato, do que com conhecimento. O São Paulo lutou firme para buscar o empate, mas foi tarde demais. Poderia não ter sido.

@pedroSBgalante