Efeito Luxemburgo – ANÁLISE TÁTICA DE PALMEIRAS 4 X 0 OESTE

Por Breno Barbosa

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“A melhor maneira de mostrar superioridade não é tocar a bola para o lado, é fazer gols. Mostra que você é melhor. Até porque o campeonato pode ser decidido pelo número de gols. Tem que mostrar que é bom indo para frente, buscando o resultado, não subestimando o adversário”, Vanderlei Luxemburgo.

Atuando no Pacaembu, o Palmeiras goleou o Oeste por 4 X 0 e proporcionou uma grande exibição dentro de campo. Entre os principais comportamentos, foi um time intenso, compacto, vertical e veloz. Soube explorar os espaços e incomodar o adversário a todo instante.

O técnico Vanderlei Luxemburgo entrou com algumas novidades, sendo elas: O zagueiro Luan, o segundo volante Zé Rafael, o meia Gustavo Scarpa e o atacante Willian Bigode, que substituíram os poupados Felipe Melo, Gabriel Menino, Dudu e Luiz Adriano. O quarteto fez uma grande partida e os últimos três, foram protagonistas na convincente vitória palmeirense. A predominância no esquema tático adotado foi o 1-4-4-2, mas com diversas variações e tendo como princípios: movimentação, associação e compactação, induzindo o adversário a espaçar seus blocos e explorando esses espaços concedidos.

No sistema defensivo, o Palmeiras foi pouquíssimo incomodado, sofreu apenas quatro finalizações e obteve o terceiro clean-sheet, ou seja, ainda não tomou nenhum gol no Paulistão 2020. Outro comportamento do Palmeiras foi a marcação pressão, atuando com os blocos altos, sufocando e induzindo o oponente ao erro. Desta forma, dificultou com que o Oeste tivesse a posse e recuperou essa bola em campo ofensivo, ficando mais próximo da meta defendida pelo goleiro Caíque França. O meia Lucas Lima se posicionou ao lado de Willian Bigode, impedindo que os zagueiros do Oeste tivessem tempo e espaço para realizarem a saída de bola, os extremos Veron e Scarpa encostavam nos laterais do time de Barueri e inibiam que eles fossem possíveis receptores da bola, os Volantes Ramires e Zé Rafael subiam e pressionavam os meio-campistas do Oeste. Sem espaço para progredir com a posse, os visitantes tiveram apenas 31% da posse de bola e foram sufocados desde o princípio do duelo.

Palmeiras no 1-4-4-2, pressionando o adversário até recuperar a bola

Com o domínio da bola, o Palmeiras criou diversas oportunidades e contou com muitas associações dos seus jogadores. O Palestra teve 69% de posse, 631 passes certos, 31 finalizações (uma a cada três minutos), 19 arremates dentro da área adversária (nove foram no alvo) e 32 de 49 bolas longas certas. Como obteve essa soberania nas estatísticas? Darei ênfase a três características que foram cruciais para o Alviverde se sobressair na partida.

O primeiro princípio utilizado foi ter aproximação, movimentação e associação entre os jogadores. O time sempre contava com superioridade numérica na zona da bola, com os atletas próximos e trocando passes rápidos, conseguindo sair da marcação adversária e tendo espaço para progredir com a bola. Pela constantes movimentações e trocas de posições, o Palmeiras confundiu os marcadores do adversário e sempre fazia a bola chegar no homem livre.

Jogo apoiado do time palmeirense, com muitos jogadores no campo ofensivo

O segundo recurso foi quebrar a marcação com passes e lançamentos longos, em direção ao ponto futuro e nas costas da defesa do Oeste. Alinhado a isso, o passe em ruptura também aconteceu, encontrando os palmeirenses nas entrelinhas e próximos da meta adversária. Essas ações possibilitaram o Alviverde ser vertical e provocar buracos entre os blocos do Oeste, que foram facilmente explorados pelos atletas do Palmeiras.

Diagonais rápidas e passes nas costas dos defensores do Oeste

Outra característica foi chegar ao campo ofensivo com muitos jogadores, contando com o apoio dos volantes Ramires e Zé Rafael, que funcionaram como elemento surpresa. O Oeste concedeu muitos espaços no funil (entrada da grande área) e o Palmeiras soube aproveitar essa zona para incomodar o goleiro adversário. O Verdão trabalhava a bola pelos lados (Marcos Rocha e Victor Luiz foram boas armas no apoio ofensivo, davam amplitude e chegavam com tranquilidade a linha de fundo) e acionava um jogador livre no corredor central para finalizar na meta dos visitantes. Quando tinha a posse por dentro, apostava em associações curtas, para abrir espaços no funil e arrematar no gol.

Palmeiras teve muita liberdade no corredor central

Foi uma belíssima exibição de forma coletiva do Palmeiras, que não contou com o ídolo Dudu. Os principais destaques individuais, foram Zé Rafael, Lucas Lima e Willian Bigode. Interessante que o trio de meio-campistas foi muito bem, demonstrando como os mandantes dominaram o setor e ditaram às ações do duelo.

“Eu já conhecia o Zé Rafael desde o tempo do Bahia, sempre foi muito de lado de campo. Jogador de lado, além da qualidade, tem que ter velocidade. Ele não é velocista. Trazer para dentro é para ele ter essa pegada, rouba muita bola, e tem um início muito bom”, essas foram às palavras de Vanderlei Luxemburgo, quando questionado sobre Zé Rafael, que atuou novamente como segundo volante. O camisa 8 fez uma boa partida defensivamente, contribuindo com desarmes e interceptações. Na construção de jogo, ajudou a levar a bola para o campo ofensivo e foi importante ao realizar infiltrações na área adversária e finalizou algumas vezes com perigo.

ZÉ 1Confira alguns números do Zé Rafael, um dos principais jogadores da partida.

O meia Lucas Lima, fez mais um jogo de suma importância para possibilitar que o Palmeiras encontrasse formas de encontrar espaços dentro da partida. O camisa 20 foi responsável por articular às jogadas, flutuou entre as zonas do campo e foi muito participativo na partida. Elemento importante para a marcação pressão funcionar, fundamental para tirar a bola da pressão e decisivo nos passes para encontrar seus companheiros livres.

LLLucas Lima foi o responsável por municiar seus companheiros e organizar às principais ações ofensivas

O terceiro destaque foi Willian Bigode, que anotou um hat-trick e foi o nome da noite em São Paulo. “O Willian é um grande jogador, joga diferente do Adriano, não sai tanto como ele. Ele abre espaço para o pessoal meter bola. Foi bom”, foi assim que Luxemburgo se direcionou ao camisa 29, na entrevista coletiva. Bigode, como é conhecido, soube ocupar bem a área, fez diversos movimentos de desmarques, apareceu pelos lados (deixando espaço no funil para ser ocupado por alguém companheiro) e foi muito bem nas diagonais, tendo muita qualidade nas conclusões e marcando três gols no jogo. Sem a bola, também ajudou a pressionar e recuperar a bola no campo ofensivo. Sem dúvidas, está em grande fase, são cinco finalizações no alvo e cinco gols no ano (contando Flórida Cup e Paulistão). Em três jogos oficiais na temporada, ele igualou a quantidade de gols de 2019 (foram quatro gols).

WILLIANWillian Bigode foi extremamente eficiente nas finalizações

Após 3 rodadas do Campeonato Paulista, o Palmeiras somou sete pontos (de nove possíveis), marcando oito gols e não teve sua defesa vazada até o momento. Aos poucos, Luxemburgo recupera atletas primordiais para o bom funcionamento da equipe e tende a evoluir durante o ano. Um início de muito trabalho e animador para o torcedor palmeirense.

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