Vitória no sufoco – ANALISE TÁTICA DE GUARANI 1 x 2 SANTOS

Por Rodrigo Costa

WhatsApp Image 2020-01-28 at 15.02.21

            O Santos viajou até Campinas para encarar o Guarani pela segunda rodada do Paulistão visando melhor desempenho físico, técnico e tático, e na análise irei abordar se essa melhora ocorreu ou não. O time escolhido pelo português Jesualdo Ferreira foi Éverson; Pará, Luiz Felipe, Luan Peres e Felipe Jonatan; Alison, Pituca e Sánchez; Arthur Gomes, Sasha e Raniel utilizando o esquema 4-3-3.

            Até os 20 minutos do jogo a partida estava morna, sem as duas equipes conseguirem criar oportunidades de gols. Defensivamente o Santos se fechava muito bem no 4-1-4-1, que as vezes variava para o 4-5-1, quando subia para pressionar ou fechar a linha de meias. A marcação se dava a partir do meio campo e era feita de forma zonal, impedindo a progressão adversária para áreas de perigo. Em 2020, a organização defensiva santista de ser basicamente dessa forma.

sfc1.jpgsfc2Organização defensiva santista. Alison alternava entre subir para pressão ou recuar entre as linhas. Fonte: Premiere – Edição: Rodrigo Costa

            A organização ofensiva se manteve parecida com o último jogo, mas com algumas leves modificações. A construção das jogadas seguiu o modelo da saída Lavolpiana. E o desenho tático da equipe no campo de ataque foi o mesmo 3-2-5, mas com inversão de funções entre Pará e Sánchez. No jogo contra o RB Bragantino, Pará ocupou o espaço na base da jogada pelo lado direito deixando Sánchez na linha de 5 entre as linhas adversárias. Já nesse duelo, Pará atuou aberto na linha de 5 dando amplitude e chegando bem ao fundo e Sánchez atuou na base da jogada, mas com liberdade para infiltrações, função que ele mais rende.

sfc3.jpgsfc4.jpgOrganização ofensiva santista, alternando entre 3-4-3 e 3-2-5. Fonte: Premiere – Edição: Rodrigo Costa

            Um movimento comum, que deve acontecer nesse modelo de jogo de Jesualdo Ferreira, que começou a ser mais comum a partir da jogada do gol e em seguida, quando o Santos passou a dominar a partida, aconteceu muito pelo lado esquerdo: a bola estando com um dos zagueiros, geralmente o que está em uma das pontas (Luan Peres), encontra um dos pontas após ter feito um desmarque de apoio (Raniel) recuando no espaço entre o lateral e o interior. Nesse mesmo momento do passe, o lateral (Felipe Jonatan) já fez a ultrapassagem no espaço deixado pelo ponta. O ponta dá prosseguimento à jogada com o interior (Pituca) ou com Sasha, que se movimenta bastante, e esse abre a jogada para o lateral já em profundidade e com liberdade para o cruzamento. Além disso, quando a bola está na linha de fundo, o atacante do lado oposto fecha dentro da área para finalizar, como aconteceu no gol de Arthur Gomes.

sfc5.jpgsfc6.jpgJogada comum no modelo de Jesualdo, chega à frente através de triângulos. Fonte: Premiere – Edição: Rodrigo Costa

            Além disso, após a entrada de Jean Mota na vaga de Arthur Gomes, Raniel passou a atuar pelo lado direito enquanto Jean Mota atuou pela esquerda. Sasha continua sendo peça importante para o time, se movimentando bastante dando opção de passes e continuidade às jogadas. Essas trocas de corredores dos atacantes devem ser muito importantes no restante da temporada. Um ponto a salientar, são as transições ofensivas que não parecem tão rápidas quanto o ano passado. O time ainda não busca o contra-ataque rápido, seja por opção ou por questões físicas ainda.

            No segundo tempo o Peixe caiu muito de rendimento, principalmente fisicamente (mais uma vez). O calendário brasileiro é apertado, pré-temporada é curta e então a equipe está sentindo em campo o foco em questões técnicas e táticas. Além disso, o Santos teve um jogador a mais todo segundo tempo e ainda assim permitiu que o Guarani crescesse na partida e criasse oportunidades, principalmente em lances de bola parada, até empatar em um lance de escanteio.

            A equipe de Campinas subiu a marcação em vários momentos, conseguiu ter mais posse de bola de maneira aguda e encontrou espaços (!?) na defesa santista em diversos momentos. Com a bola, Jesualdo manteve Alison entre os zagueiros na fase de criação, mesmo tendo um jogador a mais. A mudança para tentar ser mais ofensivo foi a saída de Pituca para a entrada de Uribe. Com isso, Jean Mota recuou para a base armando as jogadas, enquanto Uribe ficou espetado como centroavante dando liberdade para Sasha e Raniel se movimentarem pelo ataque, tanto pelos lados como entre as linhas.

sfc7.jpgGuarani encontrou espaços mesmo com um a menos. Fonte: Premiere – Edição: Rodrigo Costa

sfc10Alison ainda permanecia entre os zagueiros. Fonte: Premiere – Edição: Rodrigo Costa

sfc8.jpgJean Mota na base, laterais em amplitude e Sasha e Raniel se movimentando com Uribe fixo. Fonte: Premiere – Edição: Rodrigo Costa

            Além disso, Alison teve liberdade para sair da linha de três participando mais da criação. Aos 35 minutos, Raniel saiu para a entrada de Tailson que atuou mais aberto pela direita. Desse modo o Santos buscou pressionar, girar a bola para encontrar espaços, mas de forma lenta e pouco perigosa, abusando de cruzamentos sem alvo e sofrendo ainda com contra-ataques adversários no fim do jogo.

            Fisicamente o Santos está devendo muito, mais uma vez sofreu no segundo tempo. Técnica e taticamente percebi uma leve evolução nesse segundo jogo, apesar da questão física ter comprometido na segunda etapa. Além disso, vários jogadores ainda estão fora, esperamos evolução e possibilidades dentro das partidas para vencer jogos.

@costarodrigosfc

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s