Como eles deveriam ser usados?  RAPHAEL VEIGA E PABLO

Por Rafael Santos de Oliveira

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            Nessa analise, irei contextualizar a trajetória de Raphael Veiga e Pablo desde o inicio de suas carreiras, relacionar os números com o desempenho, além de analisar taticamente onde cada jogador consegue atuar com mais eficiência e onde ele seria mais útil para Vanderlei Luxemburgo e Fernando Diniz, na temporada 2020.

Raphael Veiga

Coritiba

            Desde as categorias de base, o meio-campista sempre foi visto com uma promessa. Suas principais características eram a qualidade de passe e visão ampla de jogo, desse ele se mostrava diferente dos demais jogadores que subiam da base, enquanto a grande maioria apostava na velocidade, ele tinha a qualidade técnico e dinâmica de jogo.

            Com a saída de Gilson Kleina, o técnico Pachequinho que era responsável pela base assumiu o comando técnico e deu mais oportunidades para o meio-campista. Na fase defensiva a equipe atuava no 4-1-4-1 e ofensivamente no 4-4-2 (losango), a região central era protegida por Edinho que tinha João Paulo e Juan (Alan) a sua frente, enquanto Raphael Veiga tinha liberdade para flutuar e atuar em profundidade, desprendendo-se da região central.

            Essa variação possibilitava que Juan e Raphel Veiga fossem usados como alas ofensivos que tinham qualidade no passe ou lançamento, essa situação potencializava Karim Karim e Kleber Gladiador que eram os atacantes da equipe, desse modo ele recebia muitas vezes no 1×1 pela região lateral, mas não apostava na velocidade, ele protegia a posse de bola até o momento certo de alçar a bola na área, iniciar o jogo novamente ou fazer inversões de bola.

            Porem ele não era um jogador pragmático, por diversas vezes ele buscava a inversão de jogo e já avançava para a área sendo o “homem surpresa”, dessa maneira ele fez um belo gol contra o Vitória no Barradão. Além disso, era dono de todas as bolas paradas.

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Palmeiras ¹

            Já em 2017 pelo Palmeiras, atuou em apenas 20 partidas no ano, sendo que iniciou a partida apenas sete vezes, a equipe paulista atuou no 4-2-3-1 e quando tinha oportunidade sempre atuava como meio-campista pela região central na fase ofensiva e na defensiva, tinha pouca liberdade para se movimentar ou flutuar aproximando-se de Keno, Dudu ou Erik.

            Esse foi um grande erro cometido pelos técnicos que passaram pelo clube na temporada, o Raphael Veiga ficou sufocado pelas questões táticas e não teve nenhuma liberdade para atuar articulando jogadas. Na temporada ele fez apenas um gol no campeonato paulista e deu apenas uma assistência no Campeonato Brasileiro

            Eduardo Baptista e Cuca não conseguiram entender as características do jogador contratado, por mais que ele desse inicia as jogadas pela região central, ele precisava de mobilidade para se aproximar dos extremos, desse modo abriria espaço no meio campo para um possível avanço de Moisés ou Guerra. Desse modo ele não pode atuar onde ele tinha mais facilidade e poderia render mais. O grande erro foi negociar Robinho pensando que ele poderia exercer a mesma função, por mais que ambos tinham qualidade no passe, Robinho tinha mais experiência atuando no entrelinhas e potencializando Rafael Marques, Barrios e Cristaldo, enquanto Raphael Veiga atuava com mais movimentação e tinha como ponto forte o passe longo e bola parada, mas o fato de ser novato reduziu a quantidade de faltas cobradas em direção a área.

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Athlético

            O tempo passou e ele voltou novamente para a capital paranaense, mas dessa vez vestindo vermelho e preto. A equipe organizada por Thiago Nunes entregava tudo o que Raphael Veiga precisava, ele atuava na frente de Wellington e Bruno Guimarães, porem tinha liberdade para flutuar aproximando-se de Nikão, Ronny, Marcinho, Cirino e etc, além de suas chegas à área duplicando espaço com o Pablo, mas vamos falar mais dele daqui a pouco.

            Essa dinâmica de jogo foi eficiente e potencializou um ataque fortíssimo, por diversas vezes ele tinha confiança de receber o passe e marchar ao ataque de cabeça erguida buscando um bom passe, ocupar espaços entrelinhas e ser o dono de todas as bolas paradas, isso dá confiança ai jogador. Esse foi o melhor momento do jogador em toda sua carreira, novamente o estado do Paraná mostra que ele precisa atuar com liberdade para se aproximar dos seus companheiros.

            Ele atuou com frequência em todas as competições, não fez parte de rodizio ou competitividade pela posição, desde o inicio ele se mostrou útil ao processo de Thiago Nunes, além disso, evoluiu defensivamente e começou a ter mais desarmes corretor e ter mais determinação para recuperar a posse de bola, isso naturalmente gerou um aumento no numero de cartões, mas isso é aceitável.
No Campeonato Brasileiro ele participou de 13 gols e na conquista da Copa Sul-Americana participou de quatro gols, bons números para um meio-campista.

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Palmeiras ²

            Em sua volta ao Palmeiras ele foi melhor do que na primeira temporada, atuou mais vezes e foi mais importante, marcou gols e deu assistências com mais facilidade, além ter atuado com frequência na Copa Libertadores da América em seis jogos.

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            Porem alguns erros foram cometidos novamente, dessa vez ele tinha liberdade para flutuar, mas quando recebia a bola estava longe da área ofensiva e não tinha condições para forçar lançamentos a todo momento. A proposta do Felipão falhou quando ele tinha apenas o Dudu de velocidade e colocava Raphael Veiga como meio-campista, ele tinha Deyverson e Borja sem função tática e pressionava William ou Zé Rafael do lado oposto de Dudu. Isso fazia com que o time ficasse engessado.

rafa 5Mapa de calor da partida Palmeiras 4×0 Godoy Cruz pelo Footstats

            A reta final com Andrey Lopes mostrou que o Raphael Veiga vai render se tiver aproximação e liberdade para jogar em progressão na faixa de ataque. A dupla Bruno Henrique e Matheus Fernandes faziam a saída de bola, Lucas Lima organizava as fases ofensivas, desse modo Raphael Veiga se prendeu ao lado de campo voltando as suas origens, Zé Rafael e Dudu buscavam associações e potencializam o jogo ofensivo.

            Inclusive o gol sai em uma joga que os três atuam m conjunto, Dudu recebe e espera o avanço de Raphael Veiga que vai à linha de fundo e faz o passe para trás, Zé Rafael finaliza e marca o gol.

rafa 6Mapa de calor da partida Cruzeiro 0x2 Palmeiras pelo Footstats

Pablo

Athlético ¹

            Chegou ao elenco profissional em 2011 quando tinha apenas 19 anos, fez poucos jogos no Campeonato Brasileiro de 2011 e 2012, porem nessa fase de carreira ele ainda era lateral direito e não apresentava nenhum diferencial. Foram apenas 13 jogos e ele inicio a partida apenas sete vezes.

Figueirense

            Em 2013 chegou ao clube catarinense, inicio a temporada como lateral direito ainda, porem Vinícius Eutrópio começou o processo de transição e fez com que o jogador se transforma primeiro em meio campista, depois em atacante de lado de campo. A equipe atuava no 4-3-2-1 e tinha Pablo atuando pela lado direito e Everton Santos pela esquerda, ambos atuando na linha de frente dos volantes Rodrigo Souza e Nem, além do meio campista artilheiro Maylson.

            Esse processo foi bem aceito, ele atuava próxima da mesma faixa de campo, porem de forma mais ofensiva e com o apoio de André Rocha. Uma curiosidade é que Thiago Volpi era o goleiro dessa equipe  e já tinha qualidade com a bola nos pés, tinha ótimo lançamento e geralmente buscava Pablo ou Rafael Costa que buscavam o jogo aéreo em busca da briga pela “segunda bola”.

            Essa temporada mudou definitivamente a vida do jogador, ele passou de lateral direito para meio-campista e se aproximou ainda mais do gol, terminou a temporada com oito gols e uma grande importância ao clube. Isso fez com que ele chegasse ao Real Madrid B, porem ficou por apenas seis meses e entrou no decorrer de quatro partidas, ao todo foram apenas 67 minutos em campo e nenhum gol. Retornou ao Figueirense onde jogou mais seis meses, fez mais quatro gols.

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Não irei analisar a passagem de 2015 pelo Cerezo Ozaka por falta de acervo em vídeos e para manter o padrão de analise comparativo entre números, desempenho e função exercida em campo.

Athlético ²

            Após uma temporada no Japão, ele retornou ao seu clube de base, a equipe comanda por Paulo Autuori atuava no 4-2-3-1, Jadson atuava centralizado, enquanto Marcos Guilherme e Pablo eram os meio-campistas que atuavam pelos lados de campo, tendo Walter ou André Lima centralizado. Por diversos momentos o Pablo tinha liberdade para entrar na área e ser um segundo atacante de mais mobilidade. Isso fez com que ele mantivesse uma boa média de gols, foram nove ao todo no Campeonato Brasileiro.

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            Porem em 2017 teve o seu pior ano em relação ao numero de gols marcados, foram apenas três gols. O ano não foi bom para o clube de maneira geral, o técnico Paulo Autuori comandou a equipe por alguns jogos, depois se desligou do cargo e virou diretor, enquanto Eduardo Baptista chegou ao clube após ser demitido do Palmeiras (o mesmo que não soube entender as características de Raphael Veiga), porem foram apenas 13 jogos no comando.

            Fabiano Soares chegou ao clube no meio da temporada e não conseguiu repetir o bom trabalho da temporada anterior. E quem sofre com isso são os jogadores, Pablo vinha de consolidação da posição e bons momentos quando o assunto era a quantidade de gols, mas não teve esse acompanhamento dos técnicos em 2017.

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            Porem em 2018, graças a Thiago Nunes ele novamente se reencontrou no Atlético, o já comentado 4-2-3-1 era fortíssimo ofensivamente, tinha Pablo como centroavante, mas ele tinha mobilidade para se aproximar dos meio-campistas que vinham de frente, era forte no jogo aéreo e fazia muito bem o pivô para bons finalizadores que vinham de trás ou até mesmo para os laterais que avançavam em profundidade.

            Vale destacar o fato que ele fez 12 gols e fez quase o triplo de desarmes no Campeonato Brasileiro, isso mostra que a marcação tinha pressão alta e ele conseguia recuperar pelo menos uma bola por jogo, ou seja, ele tinha o lado ofensivo e defensivo bem equilibrado.

            Na conquista da Copa Sul-Americana ele manteve a boa média de participação em gols, porem teve um numero baixo de desarmes, isso mostra que ele tem capacidade de se manter perigoso tanto na marcação alto quanto no contra-ataque ou ataque organizado de forma posicional (não confundir com jogo de posição, por que são termos distintos).

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São Paulo

            Diferente do Raphael Veiga, o seu principal problema não foi o entrosamento ou questões táticas, mas sim as lesões que atrapalharam muito o desenvolvimento do jogador na temporada. Quando esteve em campo foi útil e marcou alguns gols

            Em seus nove primeiros jogos, ele marcou quatro gols, ou seja, a sua chegada foi em alto nível e conseguia se impuser em um São Paulo que estava em construção, porem ficou em jejum de gols pelos próximos seis jogos, mas foi importante na classificação do clube para a final do Campeonato Paulista, mas não pode jogar a final por conta de sua primeira lesão.

            Retornou em julho contra o Palmeiras, marcou um gol logo em sua volta, mas se lesionou novamente e saiu no intervalo, essa lesão foi de menor grau de risco, mas psicologicamente afetou a confiança de um jogador que sempre atuou mais de 40 vezes por ano, dessa vez o retorno foi mais rápido e em setembro estava em campo, logo em seus cinco primeiro jogos foram dois gols e o animo do jogador foi voltando ao normal.

rafa 11Mapa de calor da partida São Paulo 2×1 Fortaleza pelo Footstats

            Porem não marcou mais nenhum gol até o final da temporada, apesar de ter marcado um gol logo na estréia de Fernando Diniz, o seu modelo de jogo não potencializa a finalização que é o ponto forte do atacante, isso fez com que ele não tivesse muitas chances de finalizar, além do fato que ele é forte no jogo aéreo, mas o modelo não condiz com essa jogada.

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rafa 13Mapa de calor da partida São Paulo 2×1 Internacional pelo Footstats

Conclusão

            Podemos afirmar que tanto Raphael Veiga, quanto Pablo são bons jogadores e precisam de atenção de seus comandantes. Pensando em 2020 irei propor uma discussão sobre ambos os jogadores:

            Raphael Veiga seria peça importantíssima se o técnico Vanderlei Luxemburgo pensa em ocupar o meio campo com o seu 4-1-4-1, por que Veiga poderia ser o opositor ao Dudu e de maneira conjunta potencializar Luiz Adriano que se mostrou um ótimo centroavante de referencia, mas que tem muito mobilidade e técnica. Provavelmente Zé Rafael e William iniciam a temporada com mais chances de jogar, mas Raphael Veiga tem o diferencial de iniciar a construção pelo meio e jogando no entrelinhas, isso pode fazer a diferença em alguns jogos.

            Não vejo o Raphael Veiga como titular absoluto, mas fará parte do grupo de 18 jogadores que atuaram com frequência.

            Pablo é titular absoluto da equipe, mas o São Paulo precisa de outro centroavante para não utilizar ele com sobrecarga ou em processo de recuperação, além disso Fernando Diniz precisa se desprender do seu fanatismo tático e tirar o máximo de Pablo que tem a mobilidade que ele quer, mas precisa ser livre para usar o 1×1 e finalização, abandonando as ditas “firulas” que o torcedor tanto reclama, falta objetivadade no São Paulo e isso ele tem.

            Entendo que Antony e Daniel Alves tem condição de municiar o atacante com muita qualidade, isso pode fazer com que ele termine o ano com pelo menos 0,5 gols por partida e se manter ativo taticamente.

@Rafinha_Esporte

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