Na final… Afinal! ANÁLISE TÁTICA – FLAMENGO 3-1 AL-HILAL

Por Felipe Henriques e Breno Barbosa

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Sempre que um time brasileiro disputa o Mundial de Clubes, sempre há a expectativa para o confronto contra o campeão europeu. A disputa entre as duas escolas, a chance de enfrentar e, quem sabe, vencer um dos melhores times do mundo e chegar ao topo do mundo do futebol… Não há como ignorar o futuro confronto, por mais que ele não aconteça já que antes da final, há a semifinal contra um time emergente que busque o seu lugar ao sol no planeta futebolístico.

E a semifinal é traiçoeira, tal qual Internacional e Atlético/MG provaram do desagradável sabor da surpresa, sem contar o fato de apenas o Santos, em 2011, ter sido o único brasileiro a vencer por mais de um gol de diferença. Ao Flamengo, não faltavam exemplos de que o confronto com o árabe Al-Hilal exigia uma atenção especial para evitar a decepção e a frustração do sonho do bi mundial.

Para isso, JJ manteve o XI inicial que utilizou durante a temporada, já que não havia desfalque. Entretanto, já que sempre podemos flertar com a surpresa nessa competição, o Flamengo sofreu com a marcação pressão do adversário asiático e, para piorar, cedeu muitos espaços na entrelinha principalmente na entrada da área, graças a desatenção de Willian Arão e Gérson, que subiam para dar o combate mais a frente, porém acabaram surpreendidos.

Com o 4-2-3-1 escolhido para iniciar a partida, a equipe rubro-negra contou com uma saída lavolpiana com Arão recuado entre os dois zagueiros e com Arrascaeta recuado para formar uma dupla na região central com Gérson e com Rafinha aberto e gerando amplitude pela direita, além de Filipe estar mais recuado em relação ao companheiro, na fase construtiva.

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Já na fase defensiva, a marcação não encaixava principalmente pela movimentação veloz e intensa do Al-Hilal, principalmente pela falta de compactação que resultava no bom funcionamento da pressão para neutralizar as ações do adversário.  Uma amostra da desatenção e do mau posicionamento defensivo foi o lance do gol, onde os jogadores falharam em ler a jogada corretamente e ceder espaços na área, focando na contenção à Gomis (que atraiu a atenção de Marí e Caio, permitindo Salem finalizar livre.

Nesse mesmo ponto, Gérson e Arão estavam na entrada da área rubro-negra, mas observando o lance e sem realizar a marcação. Essa falha no acompanhamento do lance lembrou muito o gol sofrido diante do River Plate, na final da Libertadores, em Lima.

Devemos destacar também como o Fla buscou a movimentação característica no setor ofensivo, mas esbarrou na boa marcação árabe, principalmente na tentativa de associação entre Everton e Arrascaeta ou Bruno Henrique e Gabigol, Mesmo assim, em um espaço de cinco minutos, ainda conseguiu criar boas chances antes do intervalo com o cruzamento de Gabriel pela direita que quase encontrou Bruno na segunda trave ou o bom passe em profundidade de Arrascaeta pela canhota que resultou na travada do lateral Al-Burayk para evitar o remate de Bruno na grande área.

Nos dois lances, um passe vertical que permitiu a quebra das linhas do Al-Hilal graças a velocidade dos atacantes rubro-negros. Aliás, passes precisos para atacar os espaços na defesa é algo que o Flamengo soube fazer muito bem em 2019 e que pode ser fundamental no último jogo da temporada contra o Liverpool, no sábado.

Alguns pontos da virada rubro-negra no 2T:

No gol de empate, o Flamengo tem a posse e também, paciência, para trocar passes e buscar o espaço para confundir a marcação através da movimentação ofensiva. Com isso, Rafinha encontra Gabigol livre entre as linhas e BH avança até a área, recebendo o belíssimo passe do camisa 9 e acionando Arrascaeta, livre e invisível, durante toda a jogada.

Como a defesa do Hilal atentou-se ao movimento de Gabigol e BH recebeu marcação individual, o uruguaio passou desapercebido até entrar na área para finalizar, porém deve-se atentar para os movimentos dos atacantes rubro-negros para atrair a atenção devido ao perigo que geram em situações de gol. Além disso, não podemos esquecer a percepção de Bruno para, mesmo em condições de finalizar, acionar Giorgian com um passe açucarado.

Outro ponto que podemos destacar na segunda etapa do Flamengo é o aprimoramento na marcação, principalmente da dupla Arão-Gérson, que protegiam melhor a entrada da área e eram mais certeiros nos combates no último terço, limitando o espaço de transição de Carlos Eduardo e auxiliando na pressão que forçava o time árabe a rifar a bola para o ataque, permitindo a recuperação da segunda bola pela equipe rubro-negra.

O time esteve mais organizado, atento e mais intenso nos momentos sem-bola. Porém, ainda faltava aquele passe mais vertical na fase ofensiva para ajudar a quebrar a marcação adversária novamente, foi quando JJ promoveu a entrada de Diego Ribas no lugar de Gérson, como em Lima, para acelerar a transição e tornar a posse mais agressiva.

Aliás, ter uma posse de bola mais agressiva e vertical, não significa livrar-se rapidamente da bola e transformar velocidade em pressa para conseguir o resultado o mais depressa possível, mas trata-se de conseguir machucar o adversário com o seu domínio territorial e o seu controle das ações, forçando erros e abertura de espaços, com intensidade e inteligência.

Rafinha foi um belo exemplo disso ao aproveitar os espaços para atacar, primeiro avançando como um interior e acionando Gabigol na entrada da área, em jogada que resultou na fraca finalização de Arrascaeta; No avanço seguinte, três minutos depois, recebe um lindo passe de Diego na diagonal para cruzar de forma primorosa na linha de fundo para o cabeceio de Bruno Henrique. Dois avanços de um time que trabalhou a posse e soube ser agressivo na hora certa, vencendo a estratégia de marcação de Lucescu.

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Para enfrentar um Liverpool tão eficiente em sua fase de marcação, limitando espaços, realizando um bom “pressing” e sendo impecável no aproveitamento da segunda bola, o Flamengo precisará ser agressivo em sua fase construtiva e bem alinhado para ser objetivo ao invés de ansioso e intenso com inteligência para surpreender os comandados de Jurgen Klopp.

No lance do terceiro gol, Diego fez o passe para Bruno Henrique no timing perfeito para gerar a aceleração de Bruno contra o defensor no 1×1, permitindo o cruzamento para Gabriel na segunda trave, porém o defensor árabe Ali Al-Boleahi acabou marcando o gol contra.

Finalmente, podemos destacar a preocupação que é gerada devido ao momento irregular de Filipe Luís, que demonstra um grande desgaste físico e a atuação inconstante de Pablo Marí, que enfrentou problemas com André Carrillo e Baba Gomis em situações de mano a mano, vencendo a minoria dos duelos. Considerando que Arnold e Salah podem cair pelo setor, é bom ter o máximo de cuidado defensivo possível para não deixá-los expostos.

Um time que migrou do 4-2-3-1 para o 4-1-3-2 na maior parte dos 90 minutos e que, segundo o técnico Jorge Jesus, não se prende a um esquema tático, mas que depende de fatores e situações para conseguir jogar o seu futebol da melhor forma possível, mesmo com problemas e não exercendo a sua melhor apresentação.

O Flamengo vai para a terceira final da temporada querendo competir para fechar o dourado 2019 com a devida e sonhada chave de ouro, para atender o principal pedido de seu povo.

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O Al-Hilal entrou em campo no tradicional 1-4-4-2, tendo compactação entre os blocos e muita intensidade durante a partida.

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ORGANIZAÇÃO OFENSIVA

O Al-Hilal busca valorizar a posse de bola e trocar passes em velocidade, para explorar os espaços vazios. Quando algum jogador tem a posse, o restante se aproxima para formarem linhas de passe e se tornarem opções para o portador da bola. A ideia é aproximação, mobilidade, verticalidade e aceleração. Os dois laterais fazem ultrapassagens o tempo todo, explorando os corredores e realizando associações com os extremos ou os médios internos. O início das jogadas alternaram entre uma saída sustentada (quatros jogadores) e uma saída lavolpiana (três jogadores), os médios internos (Cuellar e C. Eduardo) eram os responsáveis por recuarem até a base da jogada e realizarem a progressão com a posse para o campo ofensivo.

O Al-Hilal tinha como objetivo espaçar o campo, consequentemente abriria a defesa flamenguista, desta forma, realizaram muitas inversões e tiveram os laterais bem aberto pelos corredores externo, realizando diversas ultrapassagens durante a partida e se associando com os extremos para gerarem superioridade na zona da bola.

Outra característica importante da equipe, foi a infiltração e a ocupação do último terço, isso possibilitou que criassem volume ofensivo e incomodassem o time carioca. O primeiro gol da partida nasceu com a inversão da bola, tendo o lateral em amplitude e após boa troca de passes, o time tinha quatro jogadores dentro da grande área e abriu o placar.

  • Ótima jogada trabalhada do Al-Hilal e resultou no primeiro gol do duelo

TRANSIÇÃO OFENSIVA

O time organiza muitos ataques em velocidade e verticalidade, trocando passes rápidos e com muitos jogadores para participarem do contragolpe. O Al-Hilal tirava rapidamente a bola da zona de pressão e tinha um espaço enorme para progredir em campo. Eram poucos passes para chegarem na zona ofensiva, exploraram muito a velocidade e ás associações para incomodarem o adversário.

  • Transição ofensiva com extrema velocidade e diversos jogadores como opção para o portador da bola

ORGANIZAÇÃO DEFENSIVA

O Al-Hilal tinha duas linhas de quatro compactadas e dois jogadores mais a frente, atrapalhando a saída de bola do Flamengo. O time fez muita marcação pressão no campo ofensivo, recuperando a posse ou induzindo o oponente ao erro. Essa marcação alta, prejudicou a organização ofensiva do clube brasileiro, nos poucos momentos que conseguiam avançar com o domínio da bola, o Al-Hilal organizou zonas pressionantes, tendo mecanismos que induziam o Flamengo para os corredores laterais e com isso, tinha superioridade na zona da bola e muita intensidade para recuperar a posse.

  • Marcação com bloco alto do Al-Hilal

O cenário não mudou durante a partida, o Al-Hilal continuou intenso e agressivo na marcação, porém sofreu muito com os avanços do Flamengo pelos corredores laterais. O time cedeu bastante espaço pelos lados, que acabou bem explorando pelos flamenguistas, iniciavam pelo lado (com o corredor livre para explorar) e, rapidamente, acionavam algum jogador pelo corredor central, que tinha espaço na entrelinha e levava perigo a defesa do Al-Hilal. Apesar da superioridade em campo, o time sofreu muito com essas jogadas iniciadas pelos ladose que acabavam sendo finalizadas por dentro. Após alguns descuidos, o Al-Hilal sofreu a virada, viu o Flamengo ampliar a vantagem e decretar a classificação para a final do Mundial 2020.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

A transição defensiva era intensa e com os jogadores atacando a zona da bola, buscando recuperar logo a posse. O objetivo é ter intensidade, compactação e superioridade numérica nos setores da bola. O Al-Hilal concedeu poucos espaços para o Flamengo realizar contra-ataques.

  • Transição defensiva com vários jogadores próximos da zona da bola e agressividade para recuperar a posse

Apesar da eliminação, o desempenho em campo foi bom e o time foi competitivo durante os 90 minutos. Alguns jogadores se sobressaem individualmente, mas o coletivo foi consistente e obediente. Porém, faltou concentração em alguns momentos e foi decisivo para a derrota do Al-hilal.

@Narrador_Felipe e @brenobmarketing

 

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