INICIAÇÃO ESPORTIVA II – Competição, motivação e resiliência.

Por Rafael Santos de Oliveira

 

Chegamos à segunda parte da sequencia de textos que iremos abordar a iniciação esportiva, enquanto na primeira parte falamos bastante da familiarização ao desporto, tanto do aluno, quanto da família em si, nessa segunda parte iriemos evoluir progredir para o âmbito competitivo, motivacional, instintivo e o principal… o fracasso.

Novamente inicio o texto com algumas perguntas que tem o intuito de gerar reflexões, desde os pais até os técnicos, por exemplo:

O aluno está condicionado a suportar a carga de jogos?

Os familiares seguiram os passos do texto anterior?

A equipe vai ter sustentação mediante as seguidas derrotas?

O técnico tem condições de solucionar os problemas?

Essas perguntas vão nortear todo o texto e vão exemplificar alguns erros de familiares, alunos e principalmente de técnicos.

 

Competição

A competição precisa ser encarada com naturalidade e deve servir de parâmetro para que a equipe tenha evolução, dessa forma o profissional deve selecionar bem as competições que suas equipes vão jogar na temporada.

Dessa forma irei dividir o nível competitivo em cinco partes para maior entendimento:

O primeiro nível ainda se encontra no primeiro texto, ele apresenta uma sequencia grande de partidas de cunho amistoso e com os técnicos nivelando suas equipes para todos possam jogar e os placares não sejam elásticos, para que não haja desmotivação.

 

  1. Iniciação.

O segundo nível já se encontra no segundo texto, ele apresenta uma sequencia menor de amistosos e já tem inicio o processo de disputa por posição, os técnicos tem como objetivo a vitória e já se tem inicio o processo de rivalidade em si.

 

  1. Competição.

O terceiro nível é o que vai ditar o ritmo do texto atual, raramente se têm amistosos e quando se tem é para promover testes visando a competição, nesse processo as equipes já têm um nível mais elevado e o processo de oportunizar todos os alunos vai se reduzindo de forma gradual.

O quarto nível é o mais proveitoso, ele chega quando a equipe se sobressai às equipes e competições de sua cidade e começa a promover desafios com equipes de outras cidades e participar de competições que tenham viagens, alojamento e cunho esportivo mais elevado.

O ultimo nível é complexo desde sua essência, ele apresenta a pressão por resultado + desempenho em todos os jogos, treinos e etc. Quando o aluno chega nesse nível, ele já tem pessoas interessadas em seu rendimento esportivo e naturalmente migra para clubes maiores, fazendo com que a carga seja muito maior do que os níveis anteriores.

Esses níveis precisam ser compreendidos pelos seus técnicos, sempre é indicado que a equipe jogue sempre no seu limite técnico, por exemplo: Se o técnico tem uma equipe que nível 3 mais elevado, ele deve migrar de forma gradual para o nível 4 fazendo com que sua equipe seja sempre intermediaria, porem ele nunca deve regredir para o nível anterior, no caso o nível 2, isso faria com que sua equipe ganhasse todos os jogos sem nenhum desafio real e sem evolução prévia.

 

Motivação

Uma equipe só pode ser chamada de equipe quando ela atual como tal, isso faz com que seja necessário ter algumas coisas bem especificas como disputa por posição, critério de inclusão, sequencia de jogos e o principal que já citado no texto anterior… DIVERSÃO.

Sim, a diversão ainda está inclusa no período competitivo, ela é usada para reduzir o nervosismo e apreensão na preparação para os jogos. Quando o elenco está focado, isso não significa que eles precisam abrir mão de suas vidas para ganhar um jogo, pelo contrario, eles precisam dar valor nas coisas mais importantes de suas vidas para que eles possam render o esperado.

Um aluno motivado vai absorver ainda mais as informações técnicas e táticas, um elenco motivado vai se dedicar ainda mais para que exista a cooperação em pró da oposição ao adversário. Você pode estar pensando, quando vai ser falado da cobrança individual e coletiva, por que o motivar e o cobrar estão interligados, as informações são as mesmas mais os métodos do emissor são distintos. O técnico deve cobrar seu aluno de forma motivacional sempre, ele deve expor os riscos de executar uma ação de forma errada ou equivocada e após isso demonstrar qual ação seria mais segura ou adequada para tal situação. Isso faz com que a da conversa termine com algo positivo, lembrando-se de um ditado muito conhecido “a última impressão é a que fica”.

Quando o aluno escuta a informação e a vê sendo feito, ele vai assimilar muito facilmente a informação, isso nutre no aluno algumas premissas básicas e até algumas coisas que são “senso comum”, por exemplo: Não se atravessa bola na frente da área, quando a bola vem eu preciso dominar, tem que cabecear de olho aberto e por ai vai.

O texto sobre motivação ao esporte de Rogério da Cunha Voser é bem especifico ao abordar o tema:

A motivação não deixa de ser um incentivo para alcançar um objetivo, mas também pode ser uma conquista atrás de uma recompensa ou de um reconhecimento por parte de uma sociedade extremamente competitiva.

Entretanto, é importante salientar que nem sempre um alto nível de motivação deixa um atleta em vantagem sobre outro. Às vezes, a motivação em demasia pode ter resultados adversos no desempenho de quem se sacrifica. Cada atleta tem diferentes níveis de motivação, ansiedade e desempenho, portanto, reagem de maneiras diferentes.

 

Resiliência

Até agora tudo está certo, o técnico está fazendo com o que seu time avance os níveis de competição, os seus alunos estão motivados e em processo de evolução, o que poderia dar de errado… TUDO. Parafraseando Rocky Balboa “o mundo não é um mar de rosas, é um lugar sujo, um lugar cruel”.

Durante todo esse processo o técnico vai presenciar casos de doping, “gato” (alunos com idade adulterada), assédio moral e/ou sexual, homofobia e preconceito de todos os tipos, mas ele precisa ser firme nas suas convicções e se manter correto, sendo um profissional. O elenco consegue notar quando o técnico está fraquejando, isso abala o trabalho em equipe e a cooperação, além disso, o aluno também consegue perceber essas irregularidades e ditar a sequencia de sua trajetória. Um aluno pode pensar “poxa, se eu for lá vou jogar no SUB 15, mesmo tendo 16 anos, vai ser bom pra mim”, isso é um exemplo de má formação como individuo e como aluno, ele precisa sempre alçar vôos maiores e pensar alto, nunca o caminho contrario (assim como já dito nos níveis de competição).

As derrotas vão vir sempre, uma equipe nunca vai vencer todas as partidas se o objetivo dela for à formação de jogadores, ela precisa ter resiliência para lidar com vitórias, empates, derrotas e principalmente as goleadas tanto a favor quanto contra. Quando você tem um elenco de jogadores é necessário que TODOS tenham passado por todos os processos já citados tanto na primeira parte, quanto no texto atual. Quando o aluno está disputando competições de alto rendimento ele precisa lidar com pressão, alta carga de treino, problemas familiares, realidade do país e muitos outros problemas específicos.

Toda a comissão técnica e os jogadores precisam ter resiliência para lidar com o maior mal existe no esporte em geral, o achismo dos torcedores, familiares e rivais. Quando algo dá errado é por que uma sequencia de fatores fizeram com que isso acontecesse, dessa forma a mudança precisa ser progressiva e gradual, mas o publico gosta de mudanças drásticas e essa tomada de decisão gera mais atritos do que soluções.

 

Conclusão

Já abordamos desde o primeiro treino até o primeiro titulo, esse processo pode durar desde seis meses até 10 anos, isso pode variar devido a muitos fatores intrínsecos e extrínsecos, porem o que sempre deve existir é o empenho sem a cobrança exacerbada de retornos.

O aluno vai competir sempre, por que a competição é a principal ferramenta de evolução para um aluno progredir, quando ele está motivado dificilmente não vai ter diversão em suas atividades fazendo com que a resiliência seja praticamente natural, “poxa, perdemos? É a vida, sábado que vem tem mais.”.

Os familiares precisam chegar nesse estagio com a presença cada vez menos frequente, gerar e nutrir no aluno a independência, “olha filho, a mãe do Paulo que vai te levar hoje tá bom”. Isso afasta de ver qualquer resquício da necessidade familiar e confiança parcial no técnico. Isso quer dizer que os pais não podem torcer pelos filhos? Não, isso quer dizer que não se pode haver a OBRIGATÓRIEDADE de estar lá.

Por fim, o aluno… Divirta-se e aproveite tudo isso de forma intensa e seja feliz, a responsabilidade não é sua.

 

@Rafinha_Esporte

 

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