Um ponto valioso na corrida pela classificação: ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY 1 x 1 SHAKHTAR DONETSK

PorJuliano Rangel

Já classificado, o Manchester City recebeu o Shakhtar Donetsk no Etihad Stadium buscando aumentar sua vantagem no primeiro lugar do grupo C, mas o que os comandados de Pep Guardiola viram foi a equipe de Donetsk muito bem postada e dando trabalho os contra-ataques.

Sem poder contar com Taison (lesionado) e Marlos (suspenso), o português Luís Castro resolveu abrir mão do seu tradicional 4-2-3-1 para distribuir suas peças num 4-1-4-1 e apostou na velocidade pelos lados. Pensando nisso, o treinador de 58 anos resolveu dar uma oportunidade para outro brasileiro: Tetê, extremo de 19 anos, cria da base do Grêmio e já especulado no Milan.

shakhtar 1Shakhtar atuou no Etihad Stadium num 4-1-4-1 com suas linhas bem compactas e marcando em bloco médio (Imagem: Facabook Watch/Edição: Juliano Rangel)

Se o objetivo era acelerar com a bola, sem ela, a equipe exercia uma marcação em bloco médio e oferecia espaço para o City trocar passes nos momentos de saída de bola. Por sua vez, quando a equipe de Manchester, que atuava num 4-3-3, avançava para o campo de ataque, encontrava um Shakhtar bem compacto, com seus extremos (Tetê e Konoplyanka) fechando pelos lados a linha de meio-campo junto com Alan Patrick e Kovalenko e ajudando os laterais nos encaixes. Além disso, Stepanenko atuava entre as duas linhas de quatro.

Em alguns momentos, também era possível ver a equipe se armando numa espécie de 4-5-1, com Júnior Moraes sendo o único mais avançado e atuando entre as linhas de defesa e meio-campo da equipe de Pep Guardiola. Deste modo, a equipe conseguia neutralizar as ações do City, que, por hora, tentava pelos lados e também nas bolas em profundidade entre o quarteto defensivo do clube ucraniano.

Nas saídas de bola, a equipe de Castro contava com Stepanenko trabalhando mais próximos da dupla de zaga (Kryvtsov e Matviyenko), os laterais (Dodô e Ismaily) gerando amplitude pelos e Alan Patrick e Kovalenko retornado para ajudar nos momentos de construção.

Sem Taison e Marlos, Alan Patrick era o grande motor da equipe ucraniana controlando as ações, distribuindo passes em profundidade e acelerando o jogo com suas inversões. Já Kovalenko também ajudava nessas fases de construção, mas tinha mais liberdade para descer ao ataque através de infiltrações.

Mesmo trabalhando a bola a partir do campo de defesa, as bolas em profundidade para os lados, principalmente na direção do setor direito onde Tetê se movimentava, eram uma grande arma do técnico português. Uma prova dessas descidas perigosas ao ataque aconteceu aos 14 minutos, com Matviyenko acionando a velocidade de Tetê, que conseguiu ganhar a bola de Éderson e só não marcou porque o brasileiro Fernandinho acabou tirando a bola praticamente em cima da linha.

shakhtar 2Bolas em profundidade buscando principalmente o lado esquerdo com a Tetê eram as grandes armas da equipe de Luís Castro (Imagem: Facebook Watch/Edição: Juliano Rangel)

Ainda pelo lado direito e mesmo muito dedicado na marcação, o brasileiro Dodô conseguia executar algumas conexões com Tetê, que, vez ou outra, gerava bastante amplitude e abria espaços para lateral brasileiro avançar pelo meio. Já na esquerda, Ismaily, que tem como características as descidas pelos lados – muitas vezes impulsionadas por Taison – se manteve mais defensivo e contando com os apoios de Konoplyanka nos momentos de marcação. Deste modo, a equipe conseguia neutralizar as ações do City.

shakhtar 3Em uma das várias conexões entre Dodô e Tetê a equipe ucraniana chegou ao empate (Imagem: Facabook Watch/Edição: Juliano Rangel)

Na segunda etapa, a equipe de Donetsk manteve sua organização tática, mas concedia mais espaços pelos lados, principalmente com as chegadas de Sterling no corredor esquerdo defendido por Dodô e, no corredor direito, buscando as invertidas “nas costas” de Ismaily.

Os comandados de Guardiola também tentavam nos chutes de fora da área, mas foi aproveitando um espaço entre o lateral-esquerdo brasileiro e dupla de zaga ucraniana, que Gabriel Jesus conseguiu se infiltrar na área e servir Gundogan, que mandou para as redes.

Mesmo sem modificar a disposição tática da equipe, Castro optou por Solomon na vaga de Konoplyanka. A entrada do camisa 19 deu mais velocidade ao lado esquerdo de ataque do Shakhtar e possibilitou mais uma opção de apoio nas movimentações de Júnior Moraes.

Mesmo com o 1 a 0 desfavorável no placar, a equipe ucraniana continuou apostando nas triangulações somadas aos ataques rápidos. E foi por meio dessas características que a equipe do técnico português chegou ao gol de empate, que podemos dividir a construção do mesmo em cinco pontos:

1 – Recuperação da bola ainda no campo de defesa;

2 – Associação rápida entre os meias Alan Patrick e Kovalenko para sair da pressão;

3 – Aceleração na transição ofensiva com Kovalenko acionando Júnior Moraes;

4 – O camisa 10, por dentro, aciona Tetê, que oferece o corredor para descida de Dodô;

5 – Cruzamento “nas costas” da defesa do City bem executado pelo camisa 98 para o gol de Solomon.

shakhtar 4Explorando a velocidade, o Shakhtar buscando vencer o City nas rápidas transições ofensivas aproveitado a igualdade e também inferioridade numérica dos Citizens nesses momentos (Imagem: Facabook Watch/Edição: Juliano Rangel) 

Com o empate, o Shakhtar ainda conseguiu diminuir o ritmo do City e Luís Castro ainda pôde fazer mais modificações na equipe, com as entradas de Marcos Antonio e Danylo Sikan, nas vagas de Kovalenko e Júnior Moraes, respectivamente.

EMPATE IMPORTANTÍSSIMO PARA CLASSIFICAÇÃO

Com esse um ponto conquistado no Etihad Stadium, o Shakhtar só dependerá de suas forças, jogando em casa e diante da Atalanta, para se classificar as oitavas de final da competição. A combinação de jogar em casa e poder contar com os retornos de Marlos e Taison podem ser o combustível extra para os comandados de Luís Castro avançarem.

Já o City, garantido na primeira posição do grupo, vai a Zagreb enfrentar o Dínamo, que ainda sonha com a classificação em caso de uma vitória somada a um tropeço do Shakhtar.

@julianords

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