No apagar das luzes – ANÁLISE TÁTICA DE CEARÁ 1 x 1 SÃO PAULO

Por Pedro Galante

O Ceará recebeu o São Paulo no Castelão. O Vozão precisava somar pontos na luta contra o rebaixamento, e o Tricolor poderia se consolidar no G6, que passou a garantir vaga direta na Libertadores depois que o Flamengo venceu a competição no sábado.

Fernando Diniz surpreendeu ao escalar o time sem centroavante, mesmo com Raniel a disposição. Igor Gomes jogou no comando do ataque como um falso nove; Antony e Vitor Bueno jogaram abertos; Liziero, Dani Alves e Tchê Tchê compunham o meio campo; e Juanfran, Arboleda, Bruno Alves e Reinaldo formavam a linha a frente de Tiago Volpi.

O São Paulo começou a partida com bastante controle da posse de bola, uma vez que o Ceará preferia assim e fazia uma marcação mais atrasada. Com espaço e liberdade nas primeiras zonas do campo, e sem zagueiros com boa capacidade de criação, o São Paulo fez uma saída de bola um pouco diferente.

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A saída de bola nunca é fixa, mas foram vários os momentos em que Liziero e Tchê Tchê recuaram para fazer a saída de bola como na imagem. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Esse mecanismo já vinha aparecendo em certos momentos, mas nessa partida ficou mais evidente. Além do recuo natural de Tchê Tchê, o primeiro volante, Liziero, o segundo volante também recuava bastante para fazer a saída. Com dois volantes por dentro, os zagueiros ficavam bastante espaçados, quase como laterais. Enquanto isso, os laterais avançavam, sempre bem abertos.

O objetivo dessa organização um pouco diferente era minimizar a falta de qualidade dos zagueiros na saída de bola, colocando-os em uma posição mais lateral, enquanto, Tchê Tchê e Liziero, jogadores mais criativos, ganhavam mais peso na saída, podendo ajudar com passes de ruptura.

Apesar de toda essa adequação estrutural, faltava ao São Paulo dinâmica para criar chances. Por dinâmica entende-se uma combinação de passes e movimentações com variações de velocidade (rápido e lento) e distância (curto e longo) para eliminar adversários, avançar no campo e criar chances. Os passes eram quase sempre lentos e diagonais/laterais.

A prova da ineficiência é que o trio de ataque mal foi acionado. Igor Gomes não recebia entre as linhas e Antony e Vitor Bueno, que jogavam no limite da linha de defesa para gerar profundidade não receberam nenhuma bola para atacar o espaço. Quando Dani Alves encontrou Igor Gomes sozinho dentro da área, o camisa 26 chutou por cima do gol.

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Com Igor Gomes de falso nove, saindo da referência, os pontas precisavam jogar enfiados, sempre no limite da linha de defesa adversário. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O primeiro tempo foi caracterizado pela posse estéril, os quase 70% de posse de bola não haviam gerado nenhuma finalização no gol. Mas, no apagar das luzes, Igor Gomes achou um belo passe par Juanfran cruzar para o gol de Vitor Bueno.

O Ceará voltou para o segundo tempo com Thiago Galhardo e Mateus e uma postura bem mais agressiva. Os donos da casa tomaram conta do campo de ataque e pressionavam muito forte quando não tinham a bola.

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Ceará pressionava logo após a perda da bola e com muita agressividade. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

O São Paulo tinha um escape muito bom com Antony acelerando pela direita e Dani Alves dando a pausa necessária. No entanto, o time pecou muito na tomada de decisão, especialmente no último toque, e não pode converter nenhuma chance.

Aos 20, Diniz colocou Raniel, um homem alvo para o contra-ataque e com poder de finalização, no entanto tirou Antony, que era quem levava a bola ao ataque. Também colocou Léo no lugar de Reinaldo machucado.

O Ceará seguia firme em busca do empate, exigindo boas intervenções do goleiro Tiago Volpi e da dupla de zaga. Aos 31, saiu Liziero e entrou Hudson. Diniz assumiu uma postura mais defensiva, reforçando a marcação no meio campo. A essa altura, quase não havia contra-ataque, o jogo era todo Ceará.

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Quando a partida já parecia resolvida, o Ceará puxou um contra-ataque, Mateus abriu o jogo para Felipe que finalizou e contou com o desvio de Léo para que a bola encobrisse o goleiro e estufasse a rede. Um gol que premia todo esforço alvinegro na segunda etapa.

O empate é ruim para as duas equipes. O Ceará segue a dois pontos da zona de rebaixamento e o São Paulo ainda disputa a última vaga definitiva na Libertadores com Internacional e Corinthians – apesar de que, ao que parece, nenhuma das equipes quer a classificação direta.

@pedrosbgalante

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