Virada incontestável – ANÁLISE TÁTICA DE SANTOS 4 x 1 CRUZEIRO

Por Rodrigo Costa

Buscando sacramentar a vaga direta para a fase de grupos da Libertadores de 2020, o Santos enfrentou o irregular Cruzeiro na Vila Belmiro no tradicional 4-3-3 com Éverson; Pará, Veríssimo, Gustavo Henrique e Felipe Jonatan; Alison, Evandro e Sánchez; Marinho, Soteldo e Sasha. Jorge não foi nem relacionado para a partida em virtude do desentendimento com Sasha no último jogo. Pituca mais uma vez inicia no banco, mostrando que nenhum jogador tem lugar cativo na equipe. Se estiver mal, vai sair.

Link das análises do Santos https://mwfutebol.com.br/category/santos/

Como geralmente tem acontecido durante toda a temporada, principalmente na Vila Belmiro, a equipe no momento ofensivo se postava no 2-3-5 e no momento defensivo de duas maneiras: 4-3-3 quando pressiona o adversário no seu campo de defesa (bloco alto) e 4-1-4-1 quando está em bloco médio, se defendendo no seu próprio campo. A variação se dá por conta do recuo dos pontas (Marinho e Soteldo) para a linha de meio campo.

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Pontas recuam quando a equipe se defende no seu próprio campo. Fonte: Premiere – Edição: Rodrigo Costa

Algo corriqueiro dos jogos do Santos no alçapão é a pressão feita ao adversário nos primeiros minutos da partida, criando muitas chances de gol e marcando de maneira bem forte e intensa. Até os 10 minutos do primeiro tempo a equipe da baixada já tinha criado três chances de gol, mas quem abriu o placar foi a equipe do Cruzeiro em falha de marcação do sistema defensivo santista que deram espaço à frente da área, bem aproveitado por Orejuela.

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Liberdade concedida a Thiago Neves entre as linhas que acha Orejuela em boas condições. Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa

O modelo de jogo de Jorge Sampaoli tem uma característica que já foi comentada por mim em algumas análises e também no Twitter: a equipe santista constrói e cria suas jogadas mais pelo lado direito e finalização do lado esquerdo.

Link do twitter

https://twitter.com/costarodrigosfc/status/1189192660419923968?s=08

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Cor mais viva reflete maior concentração de jogo. Cor mais fraca menor concentração de jogo. Fonte: SofaScore

Essa característica foi muito forte nesse jogo, com triangulações constantes acontecendo entre Pará, Sánchez e Marinho, inclusive na jogada do gol de empate, numa linda troca de passes e inversões de posicionamentos. O Peixe continuou forte no restante do primeiro tempo, tendo mais três chances claras de gol, todas pelo lado direito ofensivo.

Podemos perceber também que o desenho 2-3-5 se mantém no momento ofensivo. Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa

Outro ponto forte da equipe santista e que foi bem visível na partida foram as transições ofensivas rápidas e com poucos toques, que ficaram mais constantes no segundo tempo, onde o Santos marcou basicamente em bloco médio e teve espaço para construí-las. Nesse sentido, jogadores como Carlos Sánchez são fundamentais para que elas ocorram de maneira eficiente e cheguem rápido nos pontas para concluírem as jogadas (como no gol de Marinho, antes disso já tinha acontecido outra jogada que exemplifica o que foi dito acima).

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Santos recupera a bola com Felipe Jonatan na linha da grande área e já aciona Sánchez que é o elo com o setor de ataque, principalmente pontas. Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa

Quando Pituca entrou na vaga de Sasha, o Santos atuou no 4-4-2 em losango, tendo Alison como “5”, Pituca mais pela esquerda tendo liberdade de chegar ao ataque, Sánchez pela direita e Evandro mais avançado, deixando Marinho e Soteldo com liberdade de movimentação no ataque, inclusive invertendo os lados. Além disso, com a entrada do camisa 21, as roubadas de bola no campo do Cruzeiro ficaram mais constantes, facilitando assim transições mais próximas do gol cruzeirense, criando chances após o placar já estar 3×1 para o alvinegro.

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Alison sobe para pressionar ao lado de Pituca foçando assim o erro da equipe cruzeirense criando uma chance com Evandro. Fonte: GloboEsporte.com – Edição: Rodrigo Costa

Na minha visão, preciso comentar sobre três jogadores: Carlos Sánchez, Alison e Evandro.

  • Carlos Sánchez é nosso melhor jogador e como já foi citado no texto é importantíssimo nas transições ofensivas, além das bolas paradas e também nas infiltrações, sua melhor característica, como aconteceu uma vez no primeiro tempo saindo na cara do gol e também no lance do terceiro gol santista.
  • Evandro é um jogador com boa técnica, bom passe e inteligente, mas é lento e pouco intenso para o que o modelo de jogo exige. Mas essa foi a melhor partida do meia desde que chegou ao Peixe.
  • Alison é um jogador extremamente importante no elenco, marcador nato, excelente para o perde pressiona e a subida de marcação da equipe, mas quando a equipe tem a bola ele não se apresenta tanto para os zagueiros como Pituca por exemplo, além de ter menos qualidade técnica com a bola nos pés, apesar de ter evoluído bastante esse ano. É característica dele.

Fonte: Premiere – Edição: Rodrigo Costa

Como Jorge Sampaoli planeja a equipe a cada jogo, então as várias características diferentes precisam integrar o elenco, visando diferentes estratégias contra a variedade de adversários enfrentados, como nos casos de Alison e Evandro: o que tem em um, falta no outro e vice-versa. Se Sampaoli ficará em 2020? Não sabemos, mas para o bem do Santos é necessário que ele permaneça.

@costarodrigosfc

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