Deu prazer em assistir os garotos – Um breve resumo sobre o título do Brasil no Mundial sub-17

Por João Victor Cardoso

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Em um momento de tantas incertezas e desconfianças com a seleção principal, o título da equipe sub-17 do Brasil surgiu como um bálsamo e um alívio para todos que amam o futebol brasileiro. Os garotos souberam colocar campo toda sua irreverência e conseguiram, mesmo que por poucos momentos, trazer um brilho e um prazer em assistir a “Amarelinha” que andava um pouco esquecido. O “Futebol bonito”, o drible e a verticalidade nos passes foram alguns dos ingredientes que movimentaram o Brasil na direção do título da competição. Embora com algumas dificuldades nas fases finais, os meninos continuaram dando uma lição de superação e resiliência, sentimentos fundamentais para a semifinal, contra a França, e para a final, versus México.

Um pouco do modelo de jogo:

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O treinador Guilherme Della Dea percebeu que precisava de um esquema que explorasse ao máximo a velocidade dos jogadores em campo aberto e que agrupasse os melhores no entorno da bola para que dessa forma conseguisse progredir contra as defesas compactas dos adversários. Dessa forma, baseado em um clássico 4-4-2, buscava pressionar alto nos primeiros minutos, para que com a recuperação da bola fosse possível acionar algum dos atacantes em condições de 1×1. Se essa pressão alta não surtisse efeito, os meninos costumavam baixar a linha para reagrupar os ataques e reorganizar a equipe. Por alguns momentos, pecaram na marcação por desatenção, algo natural pela idade, mas que era corrigido jogo a jogo por Della Dea. Esse 4-4-2 com predominância zonal em organização defensiva foi muito útil por conseguir dar uma proteção maior aos zagueiros brasileiros (que talvez tenham sido o ponto fraco do time, tanto com, quanto sem a bola). Em momentos de transitar ofensivamente era quando o Brasil conseguia mostrar seu maior talento. A sintonia dos meias e atacantes, se procurando em campo e com liberdade para se aproximar e tabelar, desestruturava as linhas defensivas adversárias com muita facilidade, mesmo que no último toque/finalização tenham deixado a desejar em alguns jogos. Se não fosse possível contra-atacar, a ideia era preservar a posse e continuar trabalhando a aproximação de jogadores. Os volantes e laterais tiveram grande protagonismo nessas ocasiões, se apresentando para sair de forma curta e elaborada e articulando os ataques desde trás, para que a bola chegasse em melhores condições a Gabriel Verón, João Peglow, Pedro Lucas/Talles Magno e Kaio Jorge para que eles desequilibrassem com sua imprevisibilidade tipicamente brasileira, com dribles, fintas de corpo e velocidade. Para finalizar, a transição defensiva tinha como intenção recuperar a bola, então a pressão pós-perda era muito intensa, se não fosse possível retomar a bola em terreno adversário, os garotos retornavam e reorganizavam o 4-4-2 para que os Henri e Luan Patrick não ficassem em muitas situações de 1×1 contra os rivais.

Os destaques:
Yan Couto:

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O lateral-direito do Coritiba deu sinais de ser realmente diferenciado na posição. Toques refinados, qualidade e tranquilidade na chegada ao terço-final e um ótimo gesto técnico nos cruzamentos. Ainda pode melhorar na atenção defensiva, mas são apenas detalhes que podem ser corrigidos no profissional já.

Daniel Cabral:

br3O volante do Flamengo era importantíssimo para a iniciação das jogadas. Ditava o ritmo do meio-campo e era um dos responsáveis por dar fluidez a circulação da bola entre os corredores. Além disso, sua leitura defensiva foi importantíssima para que os laterais pudessem avançar bastante em campo rival.

Gabriel Verón:

br4Premiado como melhor jogador do torneio, Gabriel Verón é outro que está acima da média na categoria. Um atacante muito insinuante partindo desde a beirada, com ótimos dribles corporais e muita velocidade. Claro que ainda pode polir mais certos aspectos, como o domínio da bola para que não fique tão longe de seu corpo no primeiro contato, mas detalhes pequenos comparados a seu peso no ataque da equipe.

Kaio Jorge:

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O camisa 9 do Brasil terminou o campeonato mundial com 5 gols e 1 assistência nos 7 jogos da competição. Tem o “faro do gol”, que é sintetizado pelo seu posicionamento para cabecear e receber passes em condições de finalizar. Seus arremates são sempre muito perigosos e soube agregar bem em apoios e pivôs, mesmo que ainda seja um pouco lento, lhe falta um pouco de “explosão” em alguns momentos para chegar inteiro na disputa com o zagueiro.

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O “predestinado”, Lázaro entrou nos dois últimos jogos decisivos da competição e, além de agregar nos momentos ofensivos com passes e dribles, fez o mais importante: os gols da classificação. Tem muita polidez nos dribles curtos e na finalização, sendo uma espécie de amuleto para Della Dea tentar mudar as partidas.

Créditos das fotos: Alexandre Loureiro/CBF

@jvcardoso

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