Klopp “Kryptoniza” Pep novamente – ANÁLISE TÁTICA LIVERPOOL 3×1 MANCHESTER CITY

Por Daniel Klabunde e Ícaro Caldas

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A chance de derrota da equipe de Pep Guardiola em Anfield já era grande, devido a vários aspectos. Todos sabem que é complicado jogar e vencer em Anfield ainda mais vindo de um treinador que consegue ser o antídoto de Guardiola.

Os três primeiros minutos dos Citizens mostravam um time esperançoso, com a equipe não deixando o Liverpool sair do seu campo, mas 2 minutos mais tarde, a realidade vinha à tona em (mais) um erro de Gundogan na saída de bola. O meio-campista dos citizens não chuta a bola direito e simplesmente dá uma assistência para o Fabinho marcar um belo gol de fora da área.

lfc1Funil do City aberto. Fabinho livre para chutar de longe. Fonte: Instat. Edição: Ícaro Caldas

Com um gol antes dos 15 minutos para o Liverpool, o mental do City já tinha ido por água abaixo visto que, sem o seu goleiro titular e sem o zagueiro titular, Pep Guardiola ainda colocou Kyle Walker como lateral direito. E um lado direito enfraquecido era tudo que o Liverpool precisava para agredir e machucar o City.

Sete minutos mais tarde, o Liverpool ampliou o placar em uma bela jogada de contra ataque dos seus laterais e Robertson, que teve todo o lado direito para conduzir a bola e cruzar para Salah.

lfc2Fonte: Instat. Edição: Ícaro Caldas

Com 12 minutos e tendo o jogo todo a seu favor, o Liverpool baixou a marcação e começou a dar a bola para o Manchester City, que pouco criava com ela. Gundogan e Rodri estiveram muito abaixo e não conseguiam fazer uma saída de bola que desse continuidade às jogadas e levassem boas oportunidades para os pontas (Bernardo e Sterling), que pouco jogaram no primeiro tempo.

O City conseguiu criar duas boas oportunidades com Aguero, mas a eficiência não existia e enquanto o City errava uma bola no seu ataque, o Liverpool, quando atacava, marcava um gol.

Voltando do intervalo pelo lado do Manchester City, a equipe conseguiu se organizar e começou a ter mais controle do jogo nos seus pés. O Liverpool contra-atacava e, novamente em um contra ataque pelo lado esquerdo, Henderson cruza e Mané sobe sozinho nas costas de Walker. Bravo não se decidiu se ia ou ficava e acabou saindo errado. Cinco minutos de jogo no segundo tempo e o Liverpool já havia feito o terceiro.

A partir dos 15 minutos em diante, os Citizens conseguiram criar chances, mas eram desperdiçadas com chutes para fora ou com jogadores dos Reds fazendo um muro à frente de Alisson. Ainda assim, quando passava este muro, o City parava nas mãos do goleiro.

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Os citizens só conseguiram diminuir aos 33 minutos do segundo tempo após um belo cruzamento do Angelino para o chute do Bernardo. O gol foi o fio de esperança, mas o balde de água fria veio quando, numa boa jogada pela esquerda, com tabelas entre Angelino, Sterling e Kevin de Bruyne, o Sterling teve uma ótima chance e tocou para o Jesus que desperdiçou a chance de diminuir. Antes de Gabriel Jesus entrar Aguero também perdeu uma boa chance novamente criada com De Bruyne. Poderia ter sido o empate, mas não foi. E paciência… Talvez eles aprendam que não se deve perder chances em jogos como este (já havia acontecido diante do Tottenham pela segunda rodada da Premier League).

Com um primeiro tempo muito eficiente e de alta intensidade, o Liverpool conseguiu abrir vantagem de dois gols sobre o City, explorando os contra-ataques e sendo intenso em cima das transições defensivas do time de Guardiola.

Os dois gols saíram desta maneira, no primeiro uma recuperação de bola dentro da área defensiva, uma bola longa para Mané explorar a sua velocidade e contando com o erro de Gundogan, que afastou mal o cruzamento, sobrando pra Fabinho marcar de fora da área.

lfc3Contra-ataque em velocidade com Mané explorando a transição defensiva do City, ficando no 1×1 contra a defesa. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

No segundo gol mais uma vez a velocidade e intensidade pelo lado esquerdo, agora com uma inversão de bola de Alexander-Arnold, jogada muito usada pelo time de Klopp no qual já falamos no texto contra o Tottenham.

lfc4Arnold inverte a bola e encontra Robertson livre enquanto City tem 4 jogadores marcando por dentro. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

Arnold como sempre sendo o principal lançador da equipe, foram 9 bolas longas certas de 16 executadas (56,25% de acerto), uma qualidade que poucos laterais tem hoje em dia, e uma bola longa para Robertson efetuar o cruzamento e Salah concluir à gol, foi o gol de número 80 do egípcio que agora está a 3 de se igualar com Suárez e Fernando Torres.

Mas porque estas jogadas eram possíveis?

1º Mané voltava para auxiliar Robertson na marcação de Bernardo Silva, criando superioridade numérica e não sofrendo por este lado, pois o camisa 10 dos Reds possui muita força física e velocidade para atacar e recuar no auxílio do camisa 26 do Liverpool.

lfc5Mané auxiliando na marcação, criando superioridade numérica pelo lado esquerdo. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

2º A liberdade de Fabinho no meio campo, era esperada uma marcação mais forte de Gundogan ou De Bruyne em cima do brasileiro, algo que não aconteceu e permitiu o domínio no meio campo, distribuindo e circulando bem a bola.

lfc6Fabinho totalmente livre para organizar a saída de bola. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

3º A liberdade dada por Rodri para Firmino, todos sabemos que o camisa 9 é fatal nas suas ações de recuo, e tendo liberedade os seus companheiros de ataque se sobressaem pois são constantemente atraídos pelos espaços gerados pelo brasileiro.

lfc7Firmino livre no espaço entrelinhas, assim conseguia receber e organizar as jogadas. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

Desta forma os comandados de Klopp se sobressaíram aos comandados de Guardiola, muitas vezes atraindo o City e investindo no contra-ataque, outras efetuando o pressing (pressão alta) nos defensores, obrigando o lançamento longo e conseguindo recuperar a bola.

Klopp é a Kryptonita de Pep, o único treinador cuja forma de atuar, ou modelo de jogo, é capaz de tirar os comandados do espanhol do “prumo”, fazer com que se sintam “perdidos” dentro de campo, sua intensidade nas transições ofensivas descaracterizam os times de Guardiola, que já teve a consciência em outra oportunidade, de colocar seu time recuado e jogar no erro dos Reds.

A primeira partida, digamos oficial, deu o alemão de Liverpool, veremos nas próximas o que pode acontecer e que tenhamos um ótimo futebol como acontece quando os dois se encontram.

@dktricolor

@icaroanalises 

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