Você já ouviu falar em Expected Goals (xG)?

Por Pedro Galante

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O gol é o orgasmo do futebol. Como diz Eduardo Galeano, em Futebol ao Sol e à Sombra: “O gol, mesmo que seja um golzinho, é goooooooool na garganta dos locutores de rádio. ” O mesmo para os torcedores.

Há os que marcam, os que comemoram e os que buscam entender porque o gol acontece. Um dos primeiros da terceira categoria foi Charles Reep, contador da Força Área Britânica, que entre 1930 e 1960 computou dados de mais de 2.200 jogos. Veio do inglês a primeira formula do gol: segundo seus estudos, em média, a cada nove chutes um é convertido.

No entanto, a conclusão de Reep era pouco precisa e não acabou com discussões que estão presentes até hoje. Falas como “essa não pode perder” ou “era um chute muito difícil” podem ser ouvidas aos montes em qualquer estádio. O xG surgiu como uma tentativa de dar respostas mais claras e precisas para esses casos.

 

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xG significa Expected Goals, gols esperados em tradução livre. É uma métrica estatística que busca quantificar quão boa é uma chance de marcar. Vamos a alguns exemplos!

xg1.pngA finalização de Bruno Henrique tinha xG de 0,66. Ou seja, 66% de chance de ser convertida. (Foto: InStat)

xg2O chute de Rony teve xG de 0,02. Ou seja, 2% de chance de ser convertido. (Foto: InStat)

Percebam como lances diferentes resultam em xG diferentes. Bruno Henrique, em posição próxima e com bom ângulo tem mais chance de marcar do que Rony, que está fora da área com adversários a frente.

Como?

O xG varia de 0 a 1, sendo 0 um chute sem chance de conversão e 1 um chute com certeza de conversão. Mas como definir qual a chance de conversão de uma finalização?

A resposta está nas particularidades de cada lance: qual a distância do gol, qual o ângulo, as condições de chute (com a bola parada ou em movimento, no chão ou de cabeça…). Atribuindo valores a cada uma dessas variáveis e relacionando-os entre si e com dados anteriores – aqui surge a importância de um bom banco de dados – é possível calcular a probabilidade de chute virar gol.

Limitações

O xG é o que há de mais moderno em termos de estatística, mas está longe de tornar o jogo previsível. Na verdade, a métrica não consegue englobar fatores muito relevantes.

Imagine que Lionel Messi e um jogador das categorias de base do seu clube tenham a mesma chance de chute (a mesma posição, a bola parada, a mesma distância do gol) quem teria mais chance de converter? É claro que o craque argentino leva vantagem, mas o xG seria o mesmo, uma vez que a métrica não considera a qualidade técnica do jogador que finaliza. O mesmo vale para o goleiro que defende.

Como diz Vitor Frade: “ O futebol é demasiado jogo para ser ciência, mas é demasiado cientifico para ser só jogo. ”

Utilidade

Interpretando e aplicando a fala de Frade podemos dizer que o xG é uma ferramenta que não expressa o jogo em sua totalidade, mas que ainda assim, nos leva diretamente a um pedaço importante dele.

xg3O xG tem aparecido constantemente na transmissão da Premier League, a liga inglesa. (Foto: Garry Gelade)

O xG é constantemente usado para indicar boa ou má performances de goleiros ou atacantes. Um atacante que teve 0,35 de xG em uma partida, mas que balançou a rede duas vezes, está aproveitando muito bem as chances. Um goleiro que não sofreu gols, mas que seus adversários tiveram um xG de 2,43 teve boa atuação defendendo a meta.

Pensando no xG como indicador de performance, vamos revisitar a artilharia do Campeonato Brasileiro e verificar quem está convertendo mais ou menos que o esperado.

Para isso, usaremos os xGs calculados pelo nosso parceiro InStatScout, um software de análise de desempenho. 7.000.000 chutes de 3342 torneios foram usados para compor a base de dados. Os chutes foram divididos em quatro grupos e o campo em 173 zonas de um metro quadrado. Para cada zona, foi calculada a probabilidade de gol.

xg4O InStat possuí o modelo de xG mais acurado mundo! O segredo está na base de dados. (Foto: InStat)

Finalmente, a artilharia do Brasileirão:

  xg5

Na tabela os gols, os gols esperados – segundo o xG do InStat, o número de finalizações e mais duas métricas: a performance, obtida através da subtração do xG do número de gols; e a qualidade das chances, o quociente da divisão do número de finalizações pelos gols esperados. (Dados: InStat/ Foto: Reprodução)

@pedro17galante

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