Aprendizagem, diversão e bola na rede Parte 1 – INICIAÇÃO ESPORTIVA

Por Rafael Santos de Oliveira

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Muito se discute sobre a idade adequada para uma criança começar a treinar futsal e se discuti ainda mais quando o assunto é começar a treinar futebol, porém eu discordo que o ponto de discussão seja apenas a faixa etária, antes disso é preciso ver essa introdução esportiva de outra forma, por exemplo:

O meu filho tem interesse pelo desporto?

Essa metodologia está de acordo com o que ensinamos em casa?

As atividades propostas incluem o meu filho de forma ativa?

Ele tem motivação para ir aos treinos e jogos?

Ele participa de jogos?

Essas perguntas são mais relevantes do que apenas um numero presente em sua certidão de nascimento, não existe um consenso que define a idade adequada, por que existem aspectos filogenéticos, ontogenéticos e a culturais que fazem com que cada indivíduo tenha sua própria história e sua própria condição.

Aprendizagem

As primeiras aulas sempre apresentam alguns acontecimentos em relação aos pais e responsáveis que correlacionam e se permanecerem podem afetar diretamente a aprendizagem do aluno, por exemplo:

  • É indicado que o responsável não fique no raio de visão do aluno nos primeiros treinos, a partir do momento em que o aluno precisar responder alguma pergunta ele sempre vai procurar uma pessoa de confiança e se ele não tiver acesso ao responsável, isso fará com que o professor se transforme na pessoa de confiança.
  • Após alguma queda ou bolada, o responsável não pode entrar na quadra para atender ao filho, existem profissionais que conseguem lidar com situações como essa dentro da quadra. Ações protetivas como essa, fazem com que o aluno se acostume a chorar para trazer seu responsável por perto.

A partir do momento em que o professor se transformou na pessoa de confiança e tem a atenção total do aluno, ele pode inserir contextos lúdicos e divertidos inserir o aluno novato no contexto de treino, promover estímulos positivos e explicar os erros proporcionando possíveis soluções.

O esporte em geral proporciona a cultura do “acerto e erro”, dessa forma os pais acreditam que o acerto sempre será seguido por um gol e o erro sempre será quando sofrer um gol, a função do professor é quebrar essa cultura e ele consegue fazer isso quando seleciona as atividades de forma adequada para que todos os alunos tenham contato direto com a bola, com os companheiros e com a atividade, por mais que no começo seja complexo, eles vão entender a necessidade de atuar em conjunto para solucionar os problemas.

Existem inúmeras atividades lúdicas que são indicadas para a iniciação esportiva, porem quem pode me garantir que o aluno não pode iniciar diretamente em uma atividade técnica ou tática? Sim, o aluno pode ser inserido diretamente em formato de jogo, desde que seja um jogo modificado e as regras são bem definidas.

O principal foco do professor é proporcionar para o aluno o entendimento do jogo, aprendizagem dos fundamentos técnicos e noções táticas para facilitar a dinâmica de jogo, portanto o professor deve sempre estipular metas e ter um plano B ou C para modificar o treino assim que ele falhar.

Diversão

O ambiente dos treinos, jogos e atividades complementares precisa ser leve, prazeroso e motivador, não só para os alunos, mas também para o professor, para os pais e para a comunidade. Por mais que o foco não seja a ludicidade, ela é muito importante em alguns momentos para que o clima fique mais ameno ou algum objetivo esteja distante no momento.

Quando o professor persiste em corrigir um erro, ele pode falhar fazendo com que a atividade seja repetitiva, cansativa e desmotivadora, dessa forma é necessário estipular metas a médio e longo prazo. Não é indicado modificar a estrutura de treino devido a algum jogo ou situações excepcional.

Um elemento muito frequente é a cobrança de pênalti ao final do treino, os alunos estarão treinando a concentração, finalização, tomada de decisão e por ai vai, porem na cabeça deles é apenas uma cobrança de pênalti para se divertir. Existem inúmeras ferramentas, atividades e elementos que os professores se utilizam para deixar o ambiente de ensino mais prazeroso, quando isso acontece às metas geralmente chegam com menos pressão e com mais facilidade.

Além disso, precisamos aceitar uma dura realidade, os alunos que já apresentam um nível técnico avançado possuem cobranças e questionamentos diários, isso reduz o nível de felicidade e expõe alto nível de nervosismo, isso é nocivo e segrega os alunos. Se por acaso o professor tiver uma turma heterogênea ele precisa buscar um equilíbrio das ações, ele tem a necessidade de estimular os alunos que tenham menor repertório técnico e tranquilizar os alunos com maior repertório tático. Posso afirmar que o aluno com maior capacidade irá continuar evoluindo mesmo que ele treine em turmas que não tenham tantos desafios, por que o professor tem recursos para equacionar essa questão.

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Bola na Rede

Após um longo trabalho de motivação, ensinamentos e dinâmicas coletivas, finalmente chega o momento do “vai ter jogo, professor?”. A partir do momento em que os responsáveis entenderam sua função, os alunos estão dominando os fundamentos e conseguem atingir seus objetivos individuais e coletivos, chegou o momento que todos esperavam O JOGO.

Por mais que todas as atividades anteriores priorizam a aprendizagem sistêmica e já proporcionavam atividades coletivas próximas de um jogo em sim, o senso comum entende que um jogo 5×5 é o passo final da iniciação esportiva, sendo que o aluno já desenvolvia essa atividade de forma reduzida ou em fractal como dizia Júlio Garganta:

“Segundo diversos autores, os princípios de jogo são referenciais contextuais ou padrões de comportamento que orientam os jogadores na resolução dos problemas decorrentes da partida, os quais promovem uma lógica de ação nos diversos momentos do jogo, sem deixar de haver representatividade com o Modelo de Jogo, independentemente da escala de manifestação, o que corresponde ao conceito de fractal.”

Quando o professor consegue atingir esse objetivo é sinal que a sua metodologia surtiu efeito e os seus alunos estão em nível de treino e já venceu a primeira barreira que é a inserção a iniciação esportiva. A partir desse momento, o professor vai ter um grupo de alunos que conseguem solucionar problemas, familiarização com os fundamentos do jogo, sabedoria tática para se posicionar de forma inteligente e o principal, carinho pelo esporte.

Esse processo de iniciação é muito negligenciado, o foco dos professores sempre é o alto nível, competição e etc., mas o aluno nunca vai chegar à condição de igualdade se ele não teve base, se não teve estímulos para desenvolver suas capacidades.

Conclusão

Essa foi à primeira parte de uma trilogia que estou propondo ao MW Futebol para falar sobre a iniciação esportiva, desde a aprendizagem, passando pelo nível competitivo e chegando até o alto nível/alto rendimento.

E você o que acha?

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@Rafinha_Esporte

 

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