Dia 02, foi dia de Weverton – ANÁLISE TÁTICA PALMEIRAS 1 X 0 CEARÁ

Por Breno Barbosa e  Rafael Santos de Oliveira

Desde que chegou ao Palmeiras, o técnico Mano Menezes não repetiu a escalação por dois jogos consecutivos e no duelo contra o Ceará, a novidade foi o lateral-direito Mayke, que substituiu o poupado Marcos Rocha. Foi à primeira partida do lateral com o novo treinador, pois passou um longo período se recuperando de lesão. Antes da partida, a imprensa noticiou que Jean seria titular, mas a escolha por Mayke foi fundamental para executar as ideias propostas pelo técnico palmeirense.

Geralmente, o Palmeiras realiza sua organização ofensiva da seguinte forma: Saída sustentada composta com quatro jogadores, sendo os dois zagueiros e os laterais. O objetivo é iniciar o ataque pelos lados com os laterais, atrair a marcação do oponente, consequentemente vai proporcionar espaços por dentro, no qual será explorado pelos jogadores ofensivos do Palmeiras.

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Desta forma, teremos com liberdade no último terço, o extremo do lado oposto da bola, o meio-campista centralizado, o centroavante e um dos volantes (Bruno Henrique tem poder de infiltração, por isso é potencializado e vem marcando muitos gols).

Logo no inicio de partida os laterais tinham liberdade para avançar e utilizar da amplitude como estratégia, devido ao fato que o visitante não imprimiu intensidade ou recuperação de bola ativa, isso deu liberdade para os zagueiros trabalharem a saída de bola e os jogadores de frente se movimentarem em busca de espaços livres.

palmeiras 2Os laterais (Diogo Barbosa e Mayke) em amplitude logo no inicio de jogo. Imagem:Instat Edição: Breno Barbosa

Entretanto, contra o Ceará, um time que se defendeu com compactação e bloco baixo, a estratégia palmeirense foi oposta. Ou seja, o verdão iniciou a construção por dentro, atraia o adversário e rapidamente acionava os lados do campo, para explorar o corredor com liberdade. Para executar a ideia, Mano Menezes utilizou os dois volantes na saída de bola ao lado da dupla de zagueiros, proporcionando liberdade para os laterais ficarem abertos, em amplitude e espaçando o time em campo. No primeiro tempo, a ideia funcionou muito bem, pois o Palmeiras conseguiu explorar os espaços pelos lados e criar boas oportunidades.

palmeiras 3Os laterais (Diogo Barbosa e Mayke) em amplitude, os extremos (Zé Rafael e Scarpa) por dentro, Dudu centralizado, os volantes (Felipe Melo e Bruno Henrique) servindo como sustentação e iniciando a construção ofensiva. Imagem: Instat Edição: Breno Barbosa

Quando o adversário percebeu a ideia do Palmeiras, buscou marcar os volantes, inibindo que tivessem tempo e espaço para progredir com a posse. Com isso, o verdão utilizou alguns mecanismos de desmarques e com o intuito de confundir a defesa cearense.

A equipe da casa até tentou inovar com mobilidade e movimentação ativa, mas o Ceará se portou bem e foi inteligente na marcação com blocos médios. A partir do momento em que Mayke ganhou cobertura de Valdo e Cristovam ele ficou menos ativo, com isso Zé Rafael e Gustavo Scarpa não conseguiram mais acionar o lateral ou ocupar espaços abertos.

palmeiras 4Dudu se movimenta e se aproxima da lateral esquerda em busca de criar espaços para infiltração. Imagem: Instat Edição: Breno Barbosa

No lance do gol, o Palmeiras realizou sua organização ofensiva de forma sustentada, tendo os quatro jogadores na primeira linha, porém o lateral-esquerdo Diogo Barbosa compôs esse bloco, enquanto Felipe Melo infiltrou-se por dentro. Dudu bem aberto ocupou o lado esquerdo, deixado por Diogo Barbosa, Zé Rafael era opção centralizada e Mayke em amplitude pela direita. No último terço, os jogadores estavam próximos, Scarpa flutuando, Deyverson dando profundidade e Felipe Melo explorando espaço em entrelinha. Bruno Henrique fez um ótimo lançamento em profundidade no ponto futuro, Mayke teve velocidade para fazer a ultrapassagem e realizar o cruzamento em direção a Felipe Melo, na sobra Zé Rafael estava livre na grande área e finalizou com perfeição para abrir o placar.

Belo gol do Palmeiras, depois de jogada bem trabalhada. Para aqueles que gostam de esquema tático, defino com um 2-5-3, sendo oitos jogadores em campo ofensivo. Vídeo: Instat Edição: Breno Barbosa

Outro princípio muito explorado por Mano Menezes foi ter superioridade quantitativa e qualitativa na zona da bola. Como o Ceará não pressionava com os blocos altos, o verdão precisou de muita mobilidade, aproximação e velocidade dos seus jogadores. O objetivo era ter uma concentração de jogadores em torno da bola, para trocar passes rápidos e sair dessa zona o mais rápido possível, achando companheiros livres e com terreno para progredir. Em outros momentos, o Palmeiras optava por ter superioridade qualitativa, ou seja, jogadores com qualidade, mais próximos e associando-se entre si. O trio ofensivo realizou essas ações em alguns momentos. Às triangulações aconteceram em todos os setores, o verdão tenta minimizar os lançamentos longos e manter seus jogadores pertos.

palmeiras 5Primeira imagem: Superioridade quantitativa (numérica); Segundo imagem: Superioridade qualitativa (qualidade técnica). Imagem: Instat Edição: Breno Barbosa

Principalmente no primeiro tempo, os mandantes subiram os blocos e marcaram pressão, colocando o adversário em dificuldades para fazer a saída de bola. Foi uma imensa intensidade nos minutos inicias e diminuindo o máximo de espaço do oponente. Essa pressão sem a bola proporcionou que o verdão recuperasse rápido a posse, tivesse vários jogadores no campo ofensivo e pudesse incomodar a defesa cearense.

A presença de Zé Rafael pressionando a saída de bola com Samuel Xavier foi muito importante e a movimentação de Dudu bloqueando Cristovam fizeram a diferença e foram preponderantes para encurralar a equipe visitante. Além disso, Bruno Henrique e Diogo Barbosa se aproximavam de seus respectivos marcadores, isso inibia a possibilidade de triangulações de passes.

palmeiras 6Marcação pressão do Palmeiras no começo da partida. Imagem: Instat Edição: Breno Barbosa

Após o gol de Zé Rafael, a equipe recuou bastante e abdicou da tática defensiva que vinha dando certo e apostou no bloco baixa para se proteger dos ataques cearenses, a falta de criatividade do adversário fez com que não tivesse reais riscos de imediato, mas com a entrada de Thiago Galhardo pelo centro e a saída de Mayke, fez com que Felipe Baxola tivesse maior liberdade para ser incisivo nos ataques.

De forma primaria o Palmeiras se defendeu no 4-4-2, porem durante a segunda etapa os extremos adversários não tinham marcação próxima, isso fez com que a inversão de jogo fosse o elemento básico para provocar ataques perigosos à meta de Weverton.

Por diversos momentos o Palmeiras deixou espaços na região central e não conseguiu cobrir os extremos, a opção de centralizar as ações defensivas fez com que o Ceará abusasse das finalizações de média distancia, a presença de Felipe Melo foi pouco sentida na segunda etapa e os jogadores que entraram no decorrer da partida não participaram tão bem da fase defensiva e muito menos da fase ofensiva. Possivelmente que Thiago Santos na vaga de Gustavo Scarpa seria mais interessante por liberar mais o Bruno Henrique e ter um volante inteiro para ir ao embate.

palmeiras 7Marcação com blocos baixos do Palmeiras no segundo tempo da partida. Imagem: Instat. Edição: Breno Barbosa

 @brenobmarketing e @Rafinha_Esporte

 

 

 

 

 

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