Aula de Estratégia – ANÁLISE TÁTICA PALMEIRAS 3 X 0 SÃO PAULO

Por Alif Oliveira e Breno Barbosa

O treinador Mano Menezes postou seus jogadores de duas formas diferentes dentro de campo. Pensando em neutralizar os espaços do oponente, propiciar o erro e recuperar a bola no campo ofensivo, o técnico palmeirense organizou seu sistema defensivo no 4-4-2, com duas linhas de quatro atletas bem compactas e tendo a dupla Dudu e Deyverson por dentro, dificultando que os volantes do adversário tivessem tempo e espaço para progredir com a posse. Durante os 90 minutos, o Palmeiras manteve seu bloco médio, com as duas linhas postadas no campo defensivo e a dupla de atacantes mais a frente, subindo em alguns momentos para marcar pressão a saída de bola do rival. O primeiro objetivo do verdão, foi neutralizar às progressões e infiltrações do São Paulo pelo meio. Felipe Melo e Bruno Henrique protegeram o funil (grande área) e deram suporte nos corredores internos, fazendo que a única opção São Paulina fosse às finalizações de média/longa distância. Nos raros momentos que tentou avançar pelos lados do campo, o São Paulo levou vantagens apenas em lances 1 X 1, contando com a velocidade de Antony, pois os dois extremos do Palmeiras realizaram às coberturas e impediram triangulações do rival. Ou seja, o São Paulo teve a posse, rodou a bola, mas não conseguiu avançar com ela no último terço, pois o Palmeiras soube compactar suas duas linhas, fechar os espaços, proteger às entrelinhas e pressionar ainda no momento que o adversário estava em organização ofensiva.

pal 1Compactação da equipe Alviverde/ Imagem:Instat Edição: Alif Oliveira

Durante todo o primeiro tempo, o São Paulo concentrou sua construção ofensiva em Daniel Alves, o lateral avançava com a posse por dentro e tentava associações com seus companheiros, entretanto foi acompanhado pelo extremo Zé Rafael, que atuou em uma zona específica, dando possibilidade para fechar os espaços no meio ou ir em direção ao lado esquerdo, neutralizando a progressão de Daniel Alves. Além do camisa 8, outro jogador que merece destaque na marcação, foi o volante Thiago Santos. O meio-campista entrou na segunda etapa e teve cinco desarmes, foi o melhor nesse quesito em campo. Thiago foi importante, pois o Palmeiras tinha diminuído a intensidade e começava a aparecer espaços pelo meio, porém o volante ocupou aquela zona e impediu qualquer avanço do adversário, sempre com imposição física, precisão nos botes e intensidade nos duelos. É necessário elogiar todo o restante dos jogadores, pois se aplicaram na marcação e executaram com perfeição tudo o que foi pedido pelo técnico da equipe.

A equipe do São Paulo pouco conseguia progredir em campo rival, tendo a posse de bola, e a concentrando muito no meio de campo, mas sem tanta objetividade no campo de ataque, já que Alexandre Pato não oferecia profundidade para o time. A equipe sofreu totalmente na defesa, coisa que não é comum, pois o rival pressionava muito bem a saída de bola da equipe e apostava nas rápidas transições ofensivas com Zé Rafael e Dudu, além de Deyverson em sua maioria ganhar duelos com Bruno Alves e Arboleda. Os comandados de Diniz ficavam a mercê de Daniel Alves que vinha mais por dentro quando tinha a bola, e se aproximava dos seus companheiros para ativa-los em condições de finalizar.

pal 2Imagem:Instat Edição: Alif Oliveira

Quando teve a posse, o Alviverde manteve uma postura agressiva, explorando espaços entrelinhas, velocidade na transição e aproximação entre os jogadores. O Palmeiras organizou-se no 4-2-3-1, com Felipe Melo recuando a base da jogada para auxiliar na saída de bola, Bruno Henrique tendo liberdade para servir como opção de passe em todas as zonas do campo, por isso movimentou-se muito e foi figura constante no campo ofensivo. O trio responsável pela criação, teve Scarpa e Zé Rafael abertos, tendo Dudu flutuando por dentro, em diversos momentos o camisa 7 iniciava sua ação aberto pelo lado esquerdo, nas costas de Daniel Alves, ao receber a bola, o atacante direcionava-se para o meio e explorava a entrelinha (espaço vago entre a dupla de zagueiros e o volante Luan do São Paulo). O trio foi muito móvel e isso confundiu a marcação do oponente. A ideia de Mano Menezes foi excelente e teve êxito, manteve Dudu por dentro sem a posse, inibindo que seu desgaste físico fosse maior, pois não precisou acompanhar o lateral adversário até a linha de fundo e quando teve a posse, deu liberdade para ele atuar na entrelinha, ocupar o espaço vazio deixado por Daniel Alves e até usar o 1 X 1 contra Reinaldo, desta forma, o Palmeiras teve seu principal jogador em todas às partes do campo, sendo o principal responsável pela criação de jogada.

pal-3.pngBola lançada para Deyverson disputar com os zagueiros e ganhar a segunda bola/Imagem:Instat Edição: Alif Oliveira

Quando tinha a posse, o Palmeiras mantinha sua primeira linha de quatro, os laterais eram mais conservadores, não exploravam os corredores e isso permitiu que os volantes avançassem pelo meio, dando superioridade numérica nesse setor. O Palmeiras iniciou suas ações pelos lados e ao chegar no último terço, afunilou por dentro, tendo vários jogadores ocupando os espaços deixados pelas linhas defensivas do rival. Além de trabalhar a bola pelo chão, com aproximações, passes em ruptura e longos, o Palmeiras utilizou o lançamento longo e teve êxito em campo. Quando seus companheiros estavam marcados e o rival esboçava uma pressão, o portador da bola realizava o lançamento longo, sempre em direção a Deyverson ou buscando o lado do campo, dando tempo para subir às linhas e disputar a segunda bola. O primeiro gol contou com um lançamento em profundidade, a movimentação de Dudu para gerar espaços e a percepção de Bruno Henrique para aparecer como elemento surpresa na grande área e abrir o placar.

pal 4Pressionar a saída de bola para o adversário não ter tempo para progredir no terreno/Imagem Instat Edição: Alif Oliveira

O São Paulo na segunda etapa melhorou um pouco de produção graças a Vitor Bueno e Igor Gomes, que saíram um pouco da mesmice para poder chegar ao gol adversário, oferecendo trocas de passes curtos e finalizações de fora da área. De qualquer maneira, foi a pior atuação da equipe sob o comando de Fernando Diniz, que sempre enfrenta dificuldades com times que procuram subir o bloco para pressionar a saída de bola do seu time. Ademais, a destacar a apatia de Alexandre Pato, que faz jogos que não contribui em nada para os companheiros e time.

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O segundo gol foi de bola parada, outra fase do jogo que é muito forte e utilizada pelos palmeirenses. Felipe Melo venceu a disputada pelo alto e aumentou a vantagem. Com o resultado nas mãos, o Palmeiras teve outras oportunidades, sempre com infiltrações, verticalidade e velocidade para definir às jogadas, eram poucos para até alguém arriscar uma finalização. Para finalizar a convincente vitória Palestrina, o terceiro gol foi uma aula de contragolpes e contou com a participação do goleiro Weverton, responsável por iniciar o lance. Foram apenas três passes até a finalização de Gustavo Scarpa, a jogada demonstrou a velocidade na transição palmeirense e como o oponente esteve sempre desorganizado e lento na recomposição. Com os três pontos, o Palmeiras manteve a vice-liderança, a manutenção do tabu e teve a melhor exibição da Era Mano Menezes.

@Alif_OR14 @brenobmarketing

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