Sem tanto brilho, mas a eficiência continua – ANÁLISE TÁTICA FLAMENGO 1×0 CSA

Por Rodrygo Vieira

icaro e jan

Essa não foi a melhor atuação do Flamengo, mas conseguiu manter a regularidade e eficiência que o fizeram disparar na liderança do Campeonato Brasileiro 2019. A equipe de Jorge Jesus tinha apenas um desfalque que era o zagueiro Pablo Mari, Thuler entrou em seu lugar. Enquanto o CSA, vem de 3 jogos sem vencer, duas  derrotas e um empate. Precisava da vitória para quebrar a sequência negativa e tentar ficar mais próximo de sair da zona de rebaixamento.

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As duas equipes mantiveram suas estruturas sistêmicas dos últimos jogos. O Flamengo em seu 4-1-3-2, já o CSA no 4-1-4-1 com alterações dentro das fases do jogo. Este 4-1-4-1 inclusive foi o mesmo sistema que Argel usou contra o Botafogo.

icaro e janImagem: SofaScore.

A organização ofensiva do Flamengo tem sido a mesma utilizada ao longo do período que JJ assumiu a equipe. W. Arão afundando até a linha de zaga, com os dois laterias em amplitude. Gerson ocupando o corredor central na zona de criação (meio-campo). Everton Ribeiro e Arrascaeta um pouco mais à frente, fazendo movimentos horizontais saindo do meio para a ponta. Bruno Henrique ao lado de Gabigol dando mais profundidade. Enquanto isso, o CSA procurava fazer uma marcação por zona, em bloco baixo, formando duas linhas de 4 e deixando 2 jogadores mais soltos à frente.

icaro e janOrganização ofensiva do Flamengo. Imagem: Instat.
icaro e janOrganização defensiva do CSA em bloco baixo. Imagem: Instat.

Como que o CSA conseguiu neutralizar, por alguns momentos, o ataque do Flamengo? Dobrando a marcação sobre o portador da bola, além disso, fechava as linhas de passe dele, neutralizava principalmente os jogadores que davam opções em profundidade. Sendo assim, muitas vezes a equipe alagoana conseguia a superioridade numérica no último terço, e assim que recuperava a posse de bola saia em velocidade para contra-atacar.

icaro e janMarcação dobrada da equipe do CSA. Imagem: Instat

Como o Flamengo conseguiu quebrar essa marcação? Qualidade individual. E também aproveitando a descompactação do sistema defensivo adversário. Everton teve tempo e espaço para carregar a bola até a entrada da área,  que estava com um enorme buraco. Arrascaeta aproveitou e recebeu neste espaço vazio, fintou o zagueiro e bateu de perna esquerda. Qualidade individual é sempre notada em momentos como este, uma equipe cede o espaço e isto se torna fatal.

icaro e janMomento do gol do Flamengo. Imagem: Instat.

Precisando sair um pouco mais para o jogo, o time de Argel buscou as bolas longas em direção a Ricardo Bueno, essa ligação direta tentava explorar a boa estatura do centroavante que fazia a famosa “casquinha” para os meias internos e extremos que vinham de trás, atacando os corredores laterais ou infiltrando na zaga Rubro Negra. Enquanto isso, a organização defensiva do time carioca seguia em bloco alto, marcando com pressão ao portador da bola e negando espaços para os defensores do CSA. Como seus defensores trabalhavam com bola longa, os jogadores do Flamengo o mantinham sempre sobre pressão, não tinham tempo e espaço para conseguir lançar e boa parte destes lançamentos saiam errado. Com isso, o Flamengo retomava a posse no meio,  e já conseguia ligar ao ataque para construir e manter o time à frente.

Quando o CSA progredia em campo, as linhas do time carioca desciam formando duas linhas de 4 e deixando dois jogadores à frente mais soltos, ocorria um revezamento entre Bruno Henrique e Arrascaeta para quem ficava mais solto ao lado de Gabigol. Circunstancialmente, Gerson se descolava da linha de 4 para dar um combate mais à frente com Gabigol e Bruno Henrique/Arrascaeta.

icaro e janOrganização defensiva do Flamengo em bloco alto. Imagem: Instat.
icaro e janGerson se descolando da linha do meio para dar um combate mais à frente. Imagem: Instat.

Ao longo do primeiro tempo, o Flamengo seguiu pressionando, criou duas boas oportunidades com Gabigol e João Carlos fez duas boas defesas. Além das boas chances com Bruno Henrique e Everton Ribeiro. Não foi visto aquele volume que vinha tendo em outras partidas, até por conta de desgaste físico, e também, da boa marcação feita pela equipe alagoana. Foram 11 finalizações, 4 no gol. Já o CSA finalizou 5 vezes e 3 foram no gol. Ambos os goleiros fizeram 3 defesas no primeiro tempo. As grandes chances do CSA foram com um chute de Apodi, após cobrança de falta rápida e um chute do Dawahan, que infiltrou entre a zaga do Flamengo e exigiu um reflexo e sorte de Diego Alves, que defendeu e a bola ainda bateu na trave. Ambas as jogadas utilizando bola longa.

O segundo tempo seguiu o mesmo panorama do primeiro. O Flamengo utilizando posse de bola para ter o domínio territorial contra um adversário que utilizava bola longa e tentava encaixar alguns contra-ataques. De positivo, fica a boa apresentação do CSA  dentro da sua proposta, conseguiu se defender até aonde deu, mesmo tendo suas limitações. Quando não esbarrava nisto, Diego Alves estava lá para conseguir se manter sem ser vazado. Para o Flamengo, foi um jogo dentro do esperado, os 3 pontos. Jogou para vencer, venceu. Manteve a vantagem na liderança e mostra o quanto que vai ser difícil tirar o título dele.

@vieira_rodrygo

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