Vitória suada – ANÁLISE TÁTICA LIVERPOOL 2×1 TOTTENHAM

Por Daniel Klabunde

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Décima rodada da Premier League, partida entre Liverpool e Tottenham em Anfield, a casa dos Reds, tinha tudo para ser uma partida muito movimentada com as duas equipes atacando os 90 minutos principalmente pelo recente confronto na final da Champions League, mas não foi o que vimos neste domingo.

Mas o tempo que você levou para ler esta introdução o Tottenham levou para abrir o placar em Anfield, isso mesmo, com menos de um minuto os Spurs saíram na frente com gol de Kane depois de cabecear o rebote de um ótimo contra-ataque concluído na trave por Son.

Após a abertura do placar os Spurs recuaram e começaram a investir nos contra-ataques, algo que não vemos com frequência no time de Pochettino, acostumado a atacar e propor o jogo. O que vimos foi uma formação no 4-5-1 de sua equipe tentando conter os avanços dos laterais Robertson e Arnold.

br.jpgMarcação em bloco baixo no 4-5-1 executado pelo Tottenham. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde.

Além da marcação mais recuada e tentando impedir os avanços dos laterais, Pochettino colocou Harry Kane para marcar o brasileiro Fabinho, não homem a homem, mas pelo menos negando as linhas de passe para o camisa 3 não receber a bola e iniciar as jogadas, pois o meio campista do Liverpool é quem começa a distribuição das jogas na transição ofensiva da equipe de Klopp.

br.jpgKane sempre negando as linhas de passe para Fabinho não receber a bola. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde.

Com essa marcação em cima do brasileiro a saída era pelos lados do campo, mas o Tottenham possuía uma linha de 5 atrás de Kane que limitava essa ação, então foi ai que Henderson e Lovren começaram a entrar mais na partida, primeiro com Henderson com Arnold pelo lado direito na saída de 3 do time, onde um dos dois se juntava a dupla de zaga e assim proporcionava espaços onde Salah pudesse movimentar quando Son saísse na perseguição.

br.jpgSaída de 3 com Son fazendo a perseguição em cima de Arnold e deixando um espaço nas suas costas. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde.

Quando a movimentação de Arnold não surtia efeito e o Liverpool não conseguia evoluir suas jogadas por este lado, Lovren entrava em ação e executava as bolas longas, principalmente com Robertson invertendo o lado de campo e na maioria das vezes pegando o camisa 26 livre de marcação por Aurier ficar muito por dentro na linha de marcação.

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A maioria das jogadas se desenvolveu por estas opções, tanto pelo lado direito quanto pelo lado esquerdo, com os laterais dando muita profundidade ao ataque e exagerando nos cruzamentos, foram 33 com apenas 10 certos, só no primeiro tempo foram 18 com apenas 5 certos, isso é abdicar do modelo de jogo adotado por Klopp que presa pelas triangulações e intensidade. A maior dificuldade dos Reds para jogar pelo meio se deve pela pouca movimentação de Firmino não saindo do comando de ataque para armar as jogadas, mas quando essa movimentação aconteceu levaram muito perigo ao gol de Gazzaniga.

br.jpgFirmino recua para armar a jogada e com isso Mané se movimenta por dentro abrindo espaço para o avanço de Robertson. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde.

O primeiro tempo termina com ampla superioridade dos Reds, mais posse de bola (75%) e empurrando a defesa do Tottenham para trás mas muitas vezes parando nas boas defesas de Gazzaniga (foram 12 defesas, destas, 8 de dentro da área).

O segundo tempo vem o panorama da partida continua o mesmo com o Liverpool atacando e amassando a defesa do Tottenham, mas agora com um detalhe que começa a fazer a diferença, a liberdade de Fabinho. Harry Kane larga um pouco a marcação do brasileiro e começa a marcar um pouco mais adiantado, tentando pressionar os zagueiros do Liverpool.

br.jpgFabinho com espaço para receber a bola e pensar o jogo, enquanto Kane abdica de marca-lo. Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde.

Com espaço para trabalhar o camisa 3 é praticamente fatal, na primeira oportunidade que teve deu um lindo passe por cobertura para Henderson empatar a partida e colocar ainda mais pressão para cima dos Spurs. Com o 1×1 no placar o Tottenham continuava se defendendo em bloco baixo, e em uma roubada de bola na defesa, Arnold chutou para frente no intuito de afastar a bola do seu campo de defesa, o que acabou sendo um lançamento para Mané que perdeu a posse dentro da área, se recuperou e sofreu pênalti de Aurier, Salah cobrou e decretou a vitória dos Reds.

Uma vitória sofrida e que demonstrou que o time precisa muito de Fabinho para fazer a distribuição de bola no meio campo, da mesma forma que precisa de Firmino na armação, pelo lado dos Spurs ficou o sentimento que Lucas Moura estando no time desde o início de partida poderia ter incomodado muito mais a defesa de Liverpool com sua velocidade e capacidade de drible, e por Dele Alli ter participado muito pouco da partida.

@dktricolor

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