Os problemas de sempre – ANÁLISE TÁTICA CORINTHIANS 0x0 SANTOS

Por Jhonata Souza e Rodrigo Costa

WhatsApp Image 2019-10-28 at 14.35.29

Na tarde do último sábado (26), Corinthians e Santos empataram em 0x0 na Arena Corinthians em jogo válido pela vigésima rodada do Brasileirão. As escalações foram as seguintes:

CORINTHIANS: ​Cássio; Michel Macedo, Manoel, Gil e Danilo Avelar; Ralf, Júnior Urso (Sornoza), Pedrinho e Mateus Vital (Janderson); Boselli (Gustagol) e Vagner Love.

SANTOS: Everson; Pará, Luiz Felipe Gustavo Henrique e Jorge; Diego Pituca (Jobson), Jean Mota e Evandro; Soteldo (Felipe Jonatan), Eduardo Sasha e Taílson (Marinho). O clássico decepcionou quem esperava ver um jogo com muitas chances de gol. A equipe santista teve domínio da posse de bola, mas sofreu para furar a defesa rival. Enquanto que o Timão se defendeu bem, porém mostrou mais uma vez as dificuldades que tem para criar algo no ataque. O melhor momento do duelo aconteceu logo na sua reta final, pois o cansaço das duas equipes permitiu que espaços surgissem em ambas às defesas.

Ajude a melhorar nossas análises táticas! Contribua com o MW Futebol e ajude a manter o acesso gratuito aos nossos textos.

R$10,00

OS PROBLEMAS CORINTHIANOS

Dificuldades na construção das jogadas

O Corinthians de novo mostrou o velho problema na construção das jogadas. Apostou numa estratégia reativa, porém quando recuperava a posse estava muito atrás e tinha pouca organização para puxar o contra-ataque. E nos momentos onde tentou trabalhar a bola mostrou muitas dificuldades em jogar pelo chão. O Santos se postava na altura do meio campo e fechava muito bem os espaços por dentro, o que fez o Coringão tentar o jogo pelos lados (Fagner fez muita falta para fazer essa saída). Como não conseguia sair trocando passes à alternativa acabou sendo tentar lançamentos, com a intenção de se livrar dela, para Boselli brigar com a zaga santista, o que acabou não dando muito certo.

br.jpgSantos fechando as linhas de passes e dificultando a construção das jogadas corinthianas (Fonte: Instat/Premiere).

Quando conseguiu se estabelecer no campo de ataque os mandantes esbarravam em erros de passes e em várias tomadas de decisões erradas que mataram diversas jogadas promissoras. Nesse sentido cabe destacar o jogo abaixo de Pedrinho e Love que cometeram vários erros. Os seguintes números, retirados do Footstats Premium, demonstram as dificuldades corinthianas na criação:

  • 2° jogo com mais lançamentos no campeonato (44)
  • Jogo com o menos número de passes certos (222)
  • 36 passes errados
  • Não houve nenhuma tentativa de virada de jogo

O posicionamento de Vagner Love

Quando saiu a escalação existia a dúvida sobre em qual posição Vagner Love atuaria e ele jogou aonde menos rende que é aberto no 4-1-4-1. O artilheiro do amor cumpriu muito bem o seu papel defensivo, em alguns momentos se juntando a linha de defesa, porém quando a equipe recuperava a bola ele estava distante e não conseguia dar vida ao lado esquerdo de ataque. No segundo tempo houve uma mudança no seu posicionamento onde passou se tornou segundo atacante no 4-4-2. Por ali ele conseguiu ser mais participativo na pressão na saída de bola rival e teve as melhores chances de gol corinthianas na segunda etapa.

corLove atuando aberto pela esquerda no primeiro tempo (cima) e no segundo tempo ele jogando como segundo atacante (baixo) (Fonte: Instat/Premiere).

Os espaços cedidos

O grande mérito do Corinthians foi ter segurado o ímpeto do ataque santista, só que mesmo assim alguns problemas se repetiram. Os pontas recuavam tanto que se formava uma espécie de 6-3-1 na hora de se defender, além disso, a equipe em vários momentos se postou muito perto da própria área dando assim espaços para os adversários receberem o passe e arriscarem um chute ou cruzamento sem ter alguém os pressionando. Outro problema que se repetiu foi à dificuldade em realizar uma pressão alta eficiente. O Corinthians subiu sua linha de meio, mas a defesa não acompanhou e assim se criou espaços onde o Santos conseguiu fazer a sua saída de bola com tranquilidade e acelerar o jogo.

br.jpgEspaço dado para os chutes de longe (cima) e o espaço atrás do meio campo onde os jogadores do Santos estavam livres para receber o passe (baixo) (Fonte: Instat/Premiere).

OS PROBLEMAS SANTISTAS

A dependência de Carlos Sanchez

Sampaoli escalou o Santos com um trio de meio formado por Pituca, Evandro e Jean Mota. No momento defensivo esse trio se mostrou pouco intenso na marcação e não conseguiu manter o mesmo nível de pressão ao portador quando a equipe tem Sanchez, além de ceder espaços no segundo tempo para o ataque rival. Quando o Santos atacava os três pouco contribuíram. Eles auxiliavam na circulação da posse de bola no campo, já que ambos possuem bom passe, porém nenhum tinha a característica de infiltração, algo que Sanchez faz muito bem e que fez falta contra uma defesa tão bem fechada como a do Corinthians.

br.jpgEspaço que um dos meias poderia aproveitar para infiltrar, porém não fizeram durante o jogo (Fonte: Instat/Premiere).

A falta de um camisa 9 e os erros no ataque

O Santos teve cerca de 65% de posse de bola, porém não conseguiu traduzir este domínio em diversas chances de gol. A equipe circulava a bola pelo meio sem conseguir infiltrar na defesa corinthiana e a alternativa virou mandar bola nos pontas, que atuaram bem abertos, a fim de que fizessem alguma jogada individual que quebrasse a marcação. Soteldo, pela esquerda, conseguiu em duas oportunidades no primeiro fazer isso e levar perigo ao gol de Cássio, mas no segundo tempo já não fez mais. O jovem Taílson fez uma partida tímida e foi substituído por Marinho que entrou dando bastante trabalho pela direita, mas pecou demais na hora de finalizar as jogadas.

Sem ter meias que aparecem como elemento surpresa no ataque, a única forma de entrar na área adversária era com cruzamentos, e o Santos abusou dessa jogada, tanto que este foi o sexto jogo com mais cruzamentos errados (22). Isso só deixou evidente a falta que faz ter no elenco um centroavante que consiga brigar no alto com os zagueiros, já que Sasha acabou ficando encaixotado na marcação.

br.jpgDupla de zaga corinthiana não dando espaços para Sasha (Fonte: Instat/Premiere).

O empate não foi bom para nenhuma das equipes e só evidenciou alguns dos problemas que os seguem durante a temporada. O Santos vai para o segundo jogo sem vitória, vê o Palmeiras aumentar a diferença na briga pelo segundo lugar e na próxima rodada tem um jogo complicado contra o Bahia em casa. No lado do Corinthians o resultado e o desempenho foram decepcionantes e o alvinegro da capital caiu para sexto e vê a sua vaga no G-6 muito ameaçada pelo Grêmio. Agora são 6 jogos sem vencer e dois jogos difíceis pela frente.

@Jhonny14Souza e @costarodrigosfc

Anúncios

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s