Empate justo – ANÁLISE TÁTICA DE MAN. UNITED 1 x 1 LIVERPOOL

Por Henrique Mathias e Daniel Klabunde

Como comentado no nosso pré-jogo que foi publicado neste sábado, a partida tinha vários jogadores em dúvida para a partida que foram confirmadas uma hora antes com a escalação de Matip e Alisson, enquanto Salah ficou fora da partida, e a escalação de De Gea pelo lado do United com Martial iniciando no banco.

Com um primeiro tempo de muita pressão sofrida pelos Reds de Liverpool onde não conseguiam sair jogando com a bola no chão, muito pela forte marcação exercida por Andreas Pereira em Fabinho, tirando o camisa 3 da primeira etapa e assim anulando o bom passe de ruptura e distribuição de bola que o meio campista exerce no time.

Fabinho sempre marcado de perto por Andreas, anulando a saída de bola do Liverpool
Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

Além desta forte marcação outro ponto foi a falta de Salah no time, jogador que muitas vezes efetua o desafogo do time com sua velocidade e capacidade de drible, Origi não possui estas características.

A imagem acima demostra uma saída de bola quando o United estava em bloco baixo, mas pudemos ver em vários momentos uma marcação em bloco médio/alto efetuada pelo time de Manchester, forçando os defensores a saírem com bola longa da defesa.

Sem saída de bola com Fabinho, a forma utilizada eram os laterais Arnold e Robertson, com isso os dois precisavam recuar muito para receber o passe, tirando campo para que eles pudessem evoluir as jogadas e chegar à linha de fundo.

A primeira chance de gol do Liverpool aconteceu somente aos 33 minutos da primeira etapa em um contra-ataque cedido pelo United em um bom lançamento de Matip para Mané, que cruzou, mas Firmino acabou concluindo fraco para defesa de De Gea.

Três minutos depois os Reds sofreram da sua arma mais poderosa, a roubada de bola, em um lance duvidoso onde muitos pediram falta em Origi, Daniel James foi lançado e cruzou para a conclusão de Rashford, que fez ótimo movimento corporal para enganar a marcação de Matip e tirando o zagueiro de ação.

O primeiro tempo termina com uma atuação baixo do esperado pelo lado do Liverpool, sem saída de bola e com Firmino muito preso entre os zagueiros, não se movimentando como de costume para recuar e armar as jogadas, muito também pela marcação da linha de 5 imposta pelo United com mais uma linha de 3 ou de 4 a sua frente, impedindo o jogo entrelinhas do brasileiro.
No segundo tempo o domínio foi praticamente do Liverpool, empurrando os Red Devils para trás e tomando as ações da partida. As entradas de Ox-Chamberland e Keïta foram as que mais surtiram efeito, apesar de Lallana ter marcado o gol de empate, foram as que deram maior movimentação e profundidade no ataque.

A jogada do gol de empate começa com Keïta pela esquerda, importante ressaltar a posição corporal do camisa 8, onde ele se posiciona como se fosse efetuar o cruzamento, fazendo a marcação se afastar de Robertson e dando mais espaço para o lateral receber e cruzar.

Vejam na imagem abaixo que Keïta está de frente para o gol, fazendo com que os dois defensores também se virem na direção da área e dão as costas para o espaço vazio onde Robertson irá receber a bola.

Imagem: InStat / Edição: Daniel Klabunde

Reconhecer a superioridade de um rival e buscar fazer um planejamento adequado para competir de maneira efetiva é um dos maiores méritos que um treinador pode ter. Pensando nisso, Solskjaer buscou repetir ideias do trabalho de Mourinho e do planejamento do português para os clássicos. Desta maneira o United entrou em campo escalado no 5-4-1, com Wan-Bissaka e Young como defensores na linha de 5 e com Daniel James fechando o lado direito e apenas com Rashford mais avançado.

Imagem: Instat / Edição: Daniel Klabunde

Mesmo com essa proposta defensiva e com os jogadores entrando com uma boa concentração para o duelo, o United sofreu bastante nos primeiros 15 minutos da partida. O Liverpool começou o jogo conseguindo circular a bola em campo ofensivo, com Wijnaldum vencendo duelos no meio-campo e criando espaço entre os volantes do United através do drible. Sem Salah, Klopp fixou Origi na ponta esquerda e deslocou Mané para direita e tudo continuou orbitando ao redor de Roberto Firmino. Os Reds criaram boas chances de marcar, mas acabaram sem conseguir colocar a bola na rede.

Pouco a pouco o United foi estabelecendo sua ideia de jogo, conseguindo povoar a entrada da área, bloqueando a circulação do Liverpool e limitando as ações rivais. Com o jogo em ritmo desacelerado, os Red Devils começaram a somar saídas para o ataque, sempre através de dobradinhas. Primeiro com Daniel James deixando a beirada do campo para se juntar a Rashford pelo meio, mas também com Wan-Bissaka subindo para o campo de ataque e causando algum estrago com sua potência física. Aos 36 minutos do primeiro tempo, Origi foi desarmado em campo ofensivo e em poucos toques a equipe da casa chegou ao gol. Daniel James conseguiu o desmarque, se lançou ao ataque pelo lado direito e recebeu a bola antes de cruzar para Rashford bater Matip e marcar.

Imagem: Instat / Edição: Daniel Klabunde

O segundo tempo retornou e o cenário da segunda metade do primeiro tempo não se modificou. Mesmo com o ímpeto inicial do Liverpool em busca do empate, o United continuou defendendo bem, ocupando a entrada da área e deixando o jogo pouco fluído. O cenário começou a mudar quando Klopp trocou Origi por Oxlade-Chamberlain. O Liverpool cresceu, ganhou ritmo ofensivo e empurrou o United. Porque sim, o United jogava com linhas recuadas, mas tinha todo um plano para se defender e subia metros para acompanhar os pontas, o que deixou de acontecer depois da troca.

Sem somar saídas para o campo ofensivo, sem conseguir evitar os cruzamentos laterais, o United basicamente passou a resistir defensivamente. Neste sentido, partida praticamente perfeita de Harry Maguire e Scott McTominay. O Liverpool pressionou, insistiu, martelou e acabou conseguindo o gol do empate. Falha coletiva do United, que foi culminada com um erro grotesco de Marcos Rojo, que deixou Lallana atacar suas costas e marcar.

O empate é ruim para o United em termos de pontuação, mas o desempenho foi muito bom. Equipe mostrou força e comprometimento tático. O grande problema é que este cenário, onde o United pode recuar suas linhas e jogar com a transição, é raridade e quando a equipe precisa propor, até este momento da temporada, o desempenho vem sendo desastroso.

Um empate justo para o que apresentaram as duas equipes durante a partida, com United negando espaços e tirando a intensidade do Liverpool no primeiro tempo, e com o Liverpool tendo maior movimentação e conseguindo agredir mais no segundo tempo com as entradas de OX e Keïta.

@dktricolor e @riquemathias

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