Dominador – ANÁLISE TÁTICA DE VASCO 2 X 1 BOTAFOGO

Por Ricardo Leite

Apesar de Vasco X Botafogo ser um clássico regional e tradicional, a equipe de São Januário demonstra amplo domínio no histórico de confrontos. Em 329 jogos, o Gigante da Colina obteve a vitória 141 vezes contra 90 triunfos do Botafogo, além de 98 empates. Na noite desta quarta-feira, na Colina histórica os alvinegros se enfrentaram novamente. Vasco vindo de uma vitória diante do Fortaelza, e o Botafogo, que estreava Alberto Valentim no comando técnico, vinha de uma derrota diante do Palmeiras.

Na escalação inicial vascaína, o professor Luxemburgo bancou a titularidade de Bruno Gomes, volante muito promissor oriundo da base cruzmaltina. Ele ganhou a disputa com Andrey e foi escalado ao lado de Richard. Com isso o Vasco mantinha o 4-2-3-1, que vem aparecendo nos últimos confrontos. Henrique foi mantido na lateral esquerda, com Barcelos ficando como opção no banco de reservas. Sem Talles Magno, Felipe Ferreira ficou com a vaga de titular, mas quem jogou pela esquerda (como extremo), foi Marrony. Felipe, jogou mais centralizado, atrás de Ribamar se alternando como um construtor e um segundo atacante.

Como vem sendo rotineiro, o Vasco mais uma vez conseguiu impor um jogo de intensidade, com e sem a bola. A equipe vem sendo cada vez mais agressiva com seu sistema de encaixes na marcação, vem inclusive conseguindo subir o bloco por muitos minutos durantes os jogos e assim atrapalhar a construção inicial dos adversários. Na frente, jogadores incisivos como Marrony, Rossi e Ribamar tem papel importantíssimo.

O Vasco vem se defendendo num 4-4-2, que ao se tornar agressivo, pode virar até um 4-2-4, buscando encurralar o adversário. Desde o início o Botafogo teve mais posse, mas era o Vasco que dominava mesmo sem a bola. Negava espaços, forçava erros em pontos estratégicos do campo, e ao recuperar acelerava as jogadas e atacava com muitos atletas. Por algumas vezes foi possível ver os dois laterais, além dos dois volantes, participando ativamente do momento ofensivo. A entrada de Bruno Gomes entregou aspectos importantes para o jogo coletivo. Melhora na saída de bola, jogador associativo (se aproxima a todo momento para ser opção de passe para os companheiros), boa capacidade de controle e também de quebra de linha, além da chegada a frente. O jogador não sentiu em nada o “peso” de jogar nos profissionais. Com muita calma e excelente leitura, Bruno parecia o veterano no setor central vascaíno. Richard, seu companheiro, também vem sendo muito mais participativo nos momentos de posse e apesar de alguns erros vem evoluindo no seu desempenho individual.

Com início intenso, o Vasco ainda contou com a “sorte”. Antes dos 20 minutos, as duas únicas finalizações vascaínas se converteram em gols, e deram uma vantagem importantíssima. O primeiro em jogada pela direita, Rossi atraiu a marcação e observou a chegada de Bruno Gomes, que bateu de primeira e contou com desvio para marcar. Na segunda, em contra ataque rápido, Marrony atacou o espaço, observou Ribamar, que dominou, saiu da direita pra esquerda e acertou bela finalização para vencer Cavalieiri. Marrony aliás, fez excelente partida e apesar de oscilações técnicas e por vezes demonstrar falta de refino no acabamento das jogadas é primordial para o sistema vascaíno e entrega muito ao coletivo: velocidade, intensidade, bola aérea, infiltração, e capacidade de retenção de bola no ataque. E se na esquerda tudo ia bem, na direita Rossi foi o melhor em campo. Dobrando na marcação, auxiliando Pikachu, puxando contra ataques, dando profundidade, bem no 1×1, ele foi peça importantíssima para dar volume ao jogo vascaíno. A vantagem de dois gols no marcador não durou muito tempo. O Botafogo em cobrança de escanteio diminuiu.

O Glorioso ensaiou pressão, mas buscava muita ligação direta para a parede de Diego Souza, que até conseguia levar vantagem por algumas vezes, mas acabava sendo anulado com a “dobra”. Outra jogada de perigo da equipe de Valentim era a bola parada, João Paulo acertou muitas cobranças e deu trabalho à defesa vascaína. E se elogiamos aqui a intensidade sem a bola dos atacantes do Vasco, temos que fazer o mesmo com os defensores. A começar pela dupla de zaga, em partida quase perfeita, os laterais e volantes foram sóbrios e sólidos durante todo o jogo.
Para o segundo tempo, o Vasco voltou ainda mais confiante e leve. Jogou com a vantagem, de a bola ao Botafogo e foi ainda mais perigoso do que na 1ª etapa, acelerando as jogadas, e naturalmente com mais espaços, pois o Botafogo buscava o resultado. A entrada de Marcos Jr foi boa para a equipe e foi altamente participativo na criação, ora caindo pela esquerda, junto com Marrony (ou Pec, que entrou depois), ora flutuando por dentro. Após a saída de Ribamar, para a entrada de Gabriel Pec, Marrony foi deslocado para a posição de centroavante. E o Vasco manteve seu modo de jogar: muita movimentação dos homens de frente, jogadas verticais, buscando as laterais e com chegada dos homens de trás.

Ainda teve tempo para a estreia de Guarín, que substituiu Bruno Gomes (eleito craque da partida). O colombiano, ainda fora de forma, demonstrou lucidez e qualidade nos passes… surge aí mais uma opção para esse meio campo vascaíno.

@analisevasco

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