Estratégia eficiente – ANÁLISE TÁTICA CRUZEIRO 1×0 SÃO PAULO

Por Pedro Galante

Depois da empolgante vitória no clássico Majestoso, o São Paulo foi para Belo Horizonte enfrentar o Cruzeiro, que briga contra o rebaixamento. A expectativa era de uma partida disputada, uma vez que o adversário precisava muito da vitória e tem um elenco com boa qualidade técnica.

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O Cruzeiro de Abel Braga veio escalado em um 4-2-3-1 com Robinho, Thiago Neves e David formando o trio de meias atrás de Fred. A Raposa veio com a estratégia de aproveitar o mando de campo e pressionar a saída de bola do São Paulo, buscando recuperar a bola.

Já Fernando Diniz, manteve o 4-1-4-1 contando com as voltas de Dani Alves – que compôs meio-campo ao lado de Hernanes – Antony e Juanfran. Com Pablo e Everton machucados, Pato e Tchê Tchê foram respectivamente, centroavante e ponta esquerda.

O primeiro tempo foi marcado pela pressão alta exercida pelo Cruzeiro, que conseguiu impor muita dificuldade ao São Paulo. O tricolor vinha evoluindo com a bola no pé, mas este foi apenas o quinto jogo da Era Diniz, o time está distante de ter todos os mecanismos assimilados e sofreu bastante contra a pressão alta.

br.jpgCruzeiro pressionando a saída são-paulina e forçando a bola longa. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Com dificuldades para sair pelo chão, o São Paulo recorreu a bolas longas que tão pouco foram aproveitadas. Com Alexandre Pato de centroavante – fora de posição – enfrentando um colossal Dedê o time visitante não conseguiu dar sequência em nenhuma boa jogada através de passes longos. No primeiro tempo, apenas uma finalização no gol.

Além da dificuldade da defesa em sair jogando é preciso destacar a partida ruim dos dois meio campistas: Hernanes e Daniel Alves. Ofereceram pouco auxilio na construção e não deram continuidade às jogadas. É claro que é preciso considerar a forma física dos atletas (Hernanes teve uma série de lesões no ano e Dani voltou às pressas da seleção) mas o São Paulo espera e precisa de mais de seus dois principais jogadores. Pato e Tchê Tchê também estiveram abaixo.

O Cruzeiro por sua vez, conseguia recuperar a bola graças a sua pressão, mas tinha dificuldade de criar chances. Com muitos jogadores concentrados por dentro e pouca movimentação, o ataque celeste era bastante previsível. As principais tentativas foram em bolas áreas, mas a zaga são-paulina foi efetiva.

br.jpgCruzeiro concentrava seus jogadores por dentro. Sem movimentação era fácil marcar. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Na segunda etapa, Diniz voltou com Vitor Bueno na vaga de Juanfran, deslocando Dani Alves para a lateral. A intenção era tirar Dani do meio-campo e colocá-lo em uma zona de menos pressão onde pudesse auxiliar melhor a saída de bola. Além disso, como lateral, Dani poderia se aproximar de Antony, que foi o melhor jogador do time na primeira etapa, responsável pelas melhores jogadas, mas sempre sozinho na hora de concluir.

Abel Braga trocou Robinho por Marquinhos Gabriel. Uma tentativa de dar mais velocidade e fazer com que o time explorasse mais as jogadas pelo lado.

A mudança de Diniz não surtiu grande efeito, pois o Cruzeiro voltou com uma pressão mais agressiva, começou a roubar bolas no ataque, criar chances e crescer no jogo.

br.jpgMapa dos duelos defensivos do Cruzeiro nos primeiros 15’ da segunda etapa: pressão no ataque estava efetiva. (Foto: Instat)

Aos 12 minutos, Reinaldo corta mal a bola e Fred aciona Marquinhos Gabriel no espaço vazio, que cruza para Thiago Neves marcar de cabeça.

br.jpgMomento antes do gol. Com Reinaldo caído, Fred aciona Marquinhos Gabriel em profundidade. (Foto: Instat/ Pedro Galante)

Depois do gol, o Cruzeiro naturalmente se retraiu e ficou ao São Paulo a missão de buscar o empate. Igor Gomes entrou para dar vigor e opção de passe por dentro.

O São Paulo agora não tinha mais sua saída de bola pressionada, conseguia avançar até o meio campo sem dificuldade, mas a partir desse ponto não conseguia avançar. O Cruzeiro defendia de forma muito compacta e o São Paulo ainda não tem a habilidade de abrir uma defesa fechada com o toque de bola. Também não tinha a possibilidade de bolas longas, uma vez que Pato não tem essa característica. Nesse cenário, a solução mais coerente seria buscar o drible, especialmente pelo lado do campo.

No entanto, aos 32 Diniz trocou Luan por Liziero, um volante controlador, que trocou muitos passes, mas poucos ofensivos. Tendo no banco Helinho – com o drible – e Raniel – com a presença de área, a alteração de Diniz não foi das melhores.

Fernando Diniz conhece a sua primeira derrota no comando do São Paulo. O resultado e o desempenho mostram que ainda há um longo caminho a ser seguido. É uma derrota natural de uma equipe em formação. Que as lições sejam tiradas e que o ânimo e ímpeto do trabalho não seja perdido.

Para o Cruzeiro é uma vitória essencial. Todo ponto é fundamental na briga contra o rebaixamento. Além disso, a vitória revela um componente mental importante, depois de ver a vitória escapar pelos dedos nos minutos finais contra a Chapecoense, o Cruzeiro fez uma boa partida, foi perfeito a nível estratégico e manteve a concentração até o último segundo.

@pedro17galante

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