O Suficiente – ANÁLISE TÁTICA CHAPECOENSE 0x1 FLAMENGO

Por Felipe Henriques

Quando Bruno Henrique teve a sua primeira finalização aos 54 segundos de jogo após receber cruzamento de Renier, a superioridade rubro-negra foi demonstrada através da naturalidade da criação da jogada, desde os zagueiros até o ataque, mostrando de forma inconteste como a equipe rubro-negra sabe construir, criar, mesmo com desfalques importantes que prejudicam principalmente a fase construtiva do esquema do Mister JJ.

Sem Filipe Luís e Arrascaeta, lesionados e Gabigol, suspenso, Jorge Jesus promoveu as entradas de Renê, Renier e Vitinho no XI inicial e acredite: Isso interferiu diretamente na atuação coletiva do Flamengo e no seu comportamento ofensivo, com mudanças que merecem ser destacadas e que podem continuar nas próximas partidas devido aos desfalques.

Começando pelo posicionamento tático, o Mengão começou a partida no 4-2-3-1 que alternava com um 4-4-2 pela movimentação de Vitinho e Bruno Henrique no último terço, alternando o posicionamento entre ponta esquerda e centroavante com muita presença de área, já que Gabriel Barbosa não estava em campo. Porém, importante frisar que o camisa 27 foi a referência do ataque rubro-negro, enquanto Vitinho possibilita o 1×1 na fase terminal da jogada.

Ou seja, diferente das últimas partidas onde o ataque concentrava-se em sua maioria pelo lado esquerdo na fase de construção, com Filipe Luís, Bruno, Arrascaeta e Éverton Ribeiro se aproximando do setor da bola, dessa vez vimos o lado direito sendo utilizado como setor forte do ataque, aproximando Everton e Renier de Rafinha, possibilitando Vitinho a usufruir de dribles para conseguir vencer a marcação.

Aliás, o drible em marcação individual é uma das características mais fortes do atacante, que deve aproveitar essa atual chance que ganha com a lesão de Arrascaeta para provar que pode sim ser importante para a reta final da temporada.

Inclusive, segundo o site Instat, Vitinho conseguiu quatro dribles bem sucedidos em sete tentativas, mostrando como é um atacante habilidoso e com boa capacidade de desequilíbrio no último terço e, segundo o SofaScore, é o segundo jogador que menos precisa de minutos para dar um assistência de finalização (115 minutos para uma grande chance).

Adicione a isso, a movimentação para aproveitar os espaços mediante a sincronia com os companheiros de ataque que abre o corredor de amplitude para Renê atacar a linha de fundo, mesmo que seu posicionamento médio tenha sido a intermediária ofensiva e, já que chegamos a esse ponto, podemos falar da mudança do lado forte ofensivo rubro-negro.

Passando do lado esquerdo para o lado direito, Rafinha foi o lateral que subiu mais ao ataque, gerando amplitude e permitindo a movimentação de Everton Ribeiro e Renier visando sempre à entrada da área e a aproximação de Bruno Henrique, referência ofensiva. A idéia é usar o lateral que seja melhor tecnicamente e que taticamente seja mais seguro para fazer a manutenção rubro-negra no campo ofensivo, com um posicionamento que migrava do 2-4-4 para o 2-4-1-3.

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Porém, isso significa que Rafinha era utilizado como potencial homem ofensivo até a linha de fundo? Não. Rafinha foi utilizado como um jogador para abrir o campo e ficar na base da jogada, permitindo os avanços da dupla Renier-Everton. Dessa forma, você mantém uma segunda linha com os dois laterais e os dois volantes, com Renier centralizado atrás do trio Everton Ribeiro, Vitinho e Bruno Henrique.

Já pelo lado esquerdo, quem também se aproximava de Vitinho e Renê era Gérson, o que é interessante por termos dois jogadores com boa capacidade de infiltração e de associação, com um atraindo a marcação e com o outro exercendo a ação com a bola, como no lance do gol de Bruno Henrique, onde Gérson ataca a área e atrai o marcador, abrindo espaço para Vitinho realizar o cruzamento para a cabeçada de BH.

Após o gol, o Flamengo alterou a sua tática construtiva para o 3-1-3-3 (que depois virou 2-4-4), utilizando Renê na saída pela esquerda, em linha com Pablo Marí e Rodrigo Caio, liberando Rafinha pela direita para formar uma trinca com Gérson e Vitinho. Aliás, nesse contexto, não podemos ignorar a importância de Pablo na saída de bola da equipe, por vezes avançando até o campo ofensivo, com Willian Arão abaixando até a primeira linha defensiva, possibilitando o jogo pelo meio com Gérson e os meias buscando triangulações no setor da bola.

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Mas o que isso significa realmente? Simples. O Flamengo é um time que tem boa capacidade de criação através de saída pelo meio, saída pelas laterais e de lançamentos, onde o próprio zagueiro espanhol também costuma ter boa precisão e visão de jogo. Ou seja, uma equipe multiforme que consegue ser eficiente nas diferentes situações que a partida lhe ofereça, sem esquecer os contra-ataques mortais para um time que não perdoa os espaços deixados pela defesa adversária.

No 2T, podemos destacar o declínio físico da equipe, o que acabou interferindo principalmente no desempenho ofensivo, com as entradas de Berrío e Piris não proporcionando uma manutenção da qualidade ofensiva, seja na criação ou na definição, já que nos primeiros 45 minutos, foram 16 finalizações e na última etapa, esse número caiu pela metade: oito chutes a gol.

Porém, como uma equipe mantém a sua superioridade mesmo com uma queda na intensidade física? A resposta passa pela eficiência e uma solidez defensiva, o domínio do meio-campo através da manutenção da posse e contar com a habilidade ofensiva no último terço para aproveitar os espaços deixados pela defesa adversária. Para isso, dois jogadores foram fundamentais para o Flamengo confirmar a vitória: Willian Arão e Everton Ribeiro.

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Arão teve um ótimo jogo na fase defensiva conseguindo sete desarmes, sendo quatro em fase ofensiva, fundamental para manter um time no campo de ataque ao conseguir retomar a posse mais próxima ao gol. Everton, por sua vez, foi o principal driblador da equipe (5/7) e o principal organizador errando apenas 12 de 55 passes tentados, provando como os dois jogadores são cruciais para um domínio no meio-campo suficiente para garantir a vitória.

É verdade que Everaldo obrigou Diego Alves a fazer uma importante defesa no fim do jogo, porém não podemos negar que mesmo sem ser encantador como nos últimos jogos, o Flamengo oscila e consegue somar três pontos para seguir na liderança do campeonato.

Por hora, mediante os desfalques e o contexto geral do trabalho de JJ até aqui, é o suficiente.

@Lipe_Henry

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