“Going Up” – ANÁLISE TÁTICA SOUTHAMPTON 1×4 CHELSEA

Por Felipe Henriques

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Após conquistar sua primeira vitória na UCL diante do Lille, na França, por 2-1, o Chelsea voltou as suas atenções para a Premier League e de olho nas primeiras posições, com Frank Lampard iniciando a partida com um 4-2-3-1, onde Tomori e Zouma formavam a dupla de zaga, Kanté e Jorginho eram os dois centrais, além de Callum Hudson-Odoi iniciando sua segunda partida como titular na temporada para formar o trio de meias com Willian e Mason Mount.

Dessa forma, Mount atuou centralizado nessa trinca criativa, com Willian aberto pela direita e CHO aberto pela canhota. Porém, importante ressaltar como Hudson-Odoi e Mount não guardam posição e sempre buscam o setor da bola para buscar triangulações no último terço, como na primeira finalização de Abraham na partida aos 10’, quando Odoi, no lado direito do ataque, serve o centroavante na entrada da área.

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Aliás, até aos 10’, o Chelsea sentiu muitas dificuldades para escapar da pressão exercida pelos Saints, que atrapalhava a saída de jogo blue em seu próprio campo de defesa e forçando chutões de Kepa, por vezes pressionado pelos atacantes adversários. Quando o Chelsea exerceu a sua pressão no campo adversário, víamos, a princípio, um 4-1-4-1 e quando a marcação era para proteger a sua própria área, migrava-se para o 4-2-3-1.

Se o Southampton usava da pressão para fazer valer o seu mando de campo, foi em um desarme de Jorginho em Ward-Prowse no lado esquerdo da defesa que iniciou a jogada do primeiro gol.

Ou seja, provando que um detalhe situacional de uma partida pode mudar todo um contexto, principalmente quando a bola para nos pés de um talentoso jogador em plena evolução como parou nos pés de Hudson-Odoi, que fez um belíssimo lançamento para Abraham que, aproveitando a defesa desarrumada e a saída errada do goleiro, tocou por cobertura para abrir o placar.

O recurso do lançamento preciso e o recurso da finalização para aproveitar falhas. Graças à tecnologia da linha do gol, o lance resultou na abertura do placar no St. Mary Stadium.

A partir dos 19’, o Chelsea passou a ter um pouco mais de espaço para conseguir exercer a sua saída, utilizando um posicionamento 2-3 (dois zagueiros formando a primeira dupla, com os dois laterais abertos e um volante centralizado na segunda linha), com Jorginho sendo esse volante a frente dos zagueiros, com Kanté formando mais uma linha a frente com Mason Mount, para liberar Willian, Odoi e Abraham mais a frente.

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O que chamou a atenção foi como o gol virou a chave de domínio da partida, com o Southampton perdendo intensidade e o Chelsea cada vez mais confortável em campo, com Willian e Kanté subindo a sua marcação para pressionar a saída adversária, o que significava uma marcação tripla no campo adversário, para forçar o erro e retomar mais próximo ao gol.

Dessa forma, saiu o segundo gol dos Blues, onde Willian aproveitou o erro na saída dos zagueiros, armou a jogada com Jorginho na entrada da área e fez a assistência para Mount ampliar, usando a arma que era utilizada pelo time mandante para tentar chegar ao gol, em uma estratégia utilizada desde o início da temporada e que resultou em gols contra Leicester e Norwich, por exemplo.

Considerando que com o bom andamento do trabalho durante a temporada pode-se adquirir uma fluidez das estratégias firmadas em uma idéia de jogo, não seria errado pensar que será necessário ter atenção a saída de jogo contra um astuto Chelsea que gosta de subir suas peças para forçar o erro nas defesas adversárias.

Aos 30’, em um momento de desatenção defensiva após uma cobrança de lateral, Yan Valery conseguiu costurar no lado esquerdo da defesa londrina e cruzou rasteiro para Long, que venceu o duelo com Zouma e diminuiu. Uma bela jogada do lateral dos Saints, mas que não tira o demérito dos defensores que mesmo em seis jogadores, não conseguiram impedir o seguimento do ataque.

Quando espaços são cedidos em sua fase defensiva, isso pode acabar custando caro pois gera espaço e tempo para o desenvolvimento de uma jogada através de algo planejado e treinado, ou através do talento dos jogadores. Jorginho, com espaço para lançar, é sempre um jogador perigoso e com alta criatividade. No lance do terceiro gol dos Blues, aos 40’, o ítalo-brasileiro lançou Marcos Alonso pela esquerda, que aproveitou os espaços e encontrou Kanté livre na entrada da área, onde o francês com um remate seco ampliou novamente.

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Elemento surpresa? Não. Kanté estava posicionado ao lado de Abraham durante todo o lance anterior, permanecendo no último terço e não atraindo a atenção dos marcadores em nenhum momento. Se existem outros jogadores talentosos e de alta periculosidade ofensiva, é importante ter alguém para surpreender o adversário mesmo que esse jogador faça-se presente por alguns minutos no último terço.

O time parece estar em uma transição de melhora e amadurecimento, mas ainda está apresentando falhas defensivas que deixam em dúvida se conseguirá ser competitiva contra adversários maiores. Entretanto, já existe um caminho de evolução sendo trilhado com o time sendo mais adaptado ao estilo de jogo que Lampard quer implementar no Chelsea e, para isso, os retornos de Willian e Kanté são fundamentais para dar mais tranqüilidade e confiança aos jovens jogadores.

Porém, além da formação de um time, o próximo passo deverá ser o fortalecimento de um elenco. Se Pulisic esteve fora das últimas partidas porque não estava tão adaptado ao futebol inglês, segundo Lampard, o norte-americano entrou para servir Batshuayi no quarto gol dos Blues com uma interessante triangulação na entrada da área.

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Ainda é um início de trabalho, mas a quinta posição e o terceiro melhor ataque da competição geram ânimo para o torcedor dos Blues. As peças vão se encaixando e já são quatro vitórias seguidas na temporada, a segunda na PL.

@Lipe_Henry

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