O embate épico, parte 1 – ANÁLISE TÁTICA – GRÊMIO 1×1 FLAMENGO

Por Felipe Henriques e Maurício Wiklicky

O confronto tão aguardado, praticamente a decisão do melhor futebol do Brasil. De um lado o Grêmio copero, com Renato à frente da equipe multicampeã dos últimos anos. Do outro o Flamengo de Jorge Jesus, que encanta por sua vocação ofensiva.

O Grêmio com quatro desfalques (Leo Gomes, Geromel, Maicon e Jean Pyerre) foi a campo como os substitutos esperados. A maior dúvida (que analisamos no pré jogo) foi definida com a permanência de Michel no lugar de Maicon, com a esperança de uma maior segurança defensiva. Do meio para frente, Luan foi confirmado, e com ele o sonho gremista de ver o Rei da América novamente. O Flamengo foi a Arena do Grêmio com o seu melhor XI inicial, buscando um bom resultado para levar a vantagem ao Maracanã, no dia 23. A princípio, o 4-2-3-1 foi a escolha para a distribuição tática da equipe, com Arão e Gérson formando a dupla de volantes, Everton Ribeiro, Arrascaeta e Bruno Henrique formando a trinca criativa atrás do camisa 9, Gabriel Barbosa.

 

 

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O primeiro tempo foi uma aula de futebol rubro negra, mais do que as falhas gremistas. Desde a saída de bola para iniciar as jogadas, onde houve uma diferença na estratégia, mudando do 3-2 (dois zagueiros e um volante formando a primeira linha, com dois laterais abertos gerando amplitude) para a 3-3 (zagueiros e volante formando a primeira linha, com mais um volante formando a segunda linha com os dois laterais abertos).

fla-1.pngSaída 3-3. Imagem: Instat. Arte: Felipe Henriques.

Dessa forma, vemos uma superioridade numérica para sair com a bola e fazer com mais qualidade a evolução de um lance até o campo ofensivo. Gerson (que detalhamos mais abaixo) foi o maior responsável para essa condução ao ataque. Porém, Gérson não esteve sozinho. Muitas vezes, Everton Ribeiro descia à base da jogada para auxiliar na saída, deixando Arrascaeta com mais liberdade no último terço com Gabriel e Bruno Henrique. Gerson e Everton Ribeiro são os condutores dessa transição ofensiva, como podemos ver na imagem abaixo. Eles tem o objetivo de aproximar os meias e dos atacantes para gerar um setor forte, especialmente pelo lado esquerdo.

WhatsApp Image 2019-10-04 at 08.49.03 (1)Gerson e Everton Ribeiro são os maestros do Flamengo. Imagem: Instat Arte: Juno Martins

O mais interessante é ver como essa estratégia pode aproximar Arrascaeta, Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Gabigol, além de Filipe Luís. Compactar (aproximar), envolver e atacar, abrindo espaços na defesa adversária através de passes curtos, graças à movimentação dos atacantes rubro-negros e o alto nível técnico dos jogadores envolvidos como mostrado no lance a seguir:

Vídeo: Instat. Edição: Felipe Henriques

WhatsApp Image 2019-10-04 at 08.49.04WhatsApp Image 2019-10-04 at 08.49.04 (1)Bruno Henrique e Gabigol com intensa movimentação. Lances em sua maioria pelo lado direto da defesa do Grêmio, o ponto fraco tricolor. Imagens: Instat Edição: Juno Martins

Além do gol anulado de Everton Ribeiro (bem anulado, aliás), foram 30’ de muito conforto e segurança rubro-negra para propor o seu jogo, mesmo fora de casa. Muito disso passa pela imposição física de Gérson e o seu controle no meio-campo, conseguindo ofuscar a dupla de meio-campistas do Grêmio e sendo um perfeito elo defesa/ataque.

Segundo o Instat, o camisa 15 venceu 11 de 14 duelos, venceu as cinco disputas aéreas que disputou e acertou 40 de 45 passes tentados. Quando Gérson sai para a entrada de Piris, perde-se capacidade criativa e domínio no meio-campo em prol de mais proteção à área. Gérson é fundamental para o bom funcionamento do esquema de JJ no Fla.

Quando o Grêmio desceu suas linhas defensivas, o Fla buscou sitiar o campo ofensivo e isso incluía levar os zagueiros para o meio-campo e propor a partir daí, sempre utilizando aproximações e triangulações, usando o 3-4-3. Essa aproximação, com a qualidade individual fez com que o Grêmio tivesse com a bola apenas 34% do jogo, o menor número do tricolor na Arena, desde o comando de Renato. O próprio técnico tricolor comentou em entrevista pós jogo que o Flamengo poderia ter decidido o confronto no 1º tempo, que sua equipe marcou muito distante.

fla 2.jpg

É claro que o 2º tempo teve um Grêmio mais organizado e um Flamengo que mostrou um declínio físico (visto por todos e revelado por Arrascaeta ao fim do jogo) diminuindo o ritmo e abaixando suas linhas. Além da intensidade e físico, Renato corrigiu o posicionamento de Luan, que por vezes voltava a base da jogada para organizar o time (aqui o ponto da falta do capitão Maicon), e também atuar nas entrelinhas flamenguistas, onde é especialista. Com esses movimentos de Luan o Grêmio teve o controle de jogo nos primeiros 15 minutos (foram duas defesas de Diego Alves, enquanto Paulo Victor durante o jogo não fez nenhuma defesa, seja pelo gol, pelo VAR ou erro de conclusão).

WhatsApp Image 2019-10-04 at 08.49.04 (2)WhatsApp Image 2019-10-04 at 08.49.04 (3)A importância de Luan no jogo do Grêmio. Na primeira imagem, inicia as jogadas na ausência de Maicon. Na segunda, joga nas entrelinhas, buscando o espaço vazio. Imagem: Instat Arte: Juno Martins

Porém, mesmo com o desgaste e com menor intensidade, quando teve a bola o Flamengo procurou propor da mesma forma dominante da primeira etapa como no lance do gol de Bruno Henrique, com 18 passes desde o início com Diego Alves até a finalização, com a bola passando por dez jogadores, no melhor momento do Grêmio em todo jogo. O único que não tocou na bola foi o Gabigol, em uma ideia que lembra muito o segundo gol marcado contra o Ceará, no Castelão. Claro que os próprios desenhos das jogadas e as finalizações são diferentes, porém a construção dominante que mostra o controle da posse e uma estratégia de controlar o adversário mediante a posse e o domínio territorial, controlando o adversário. Muito se discute sobre a atuação da linha defensiva no gol tricolor. Porém para quem acompanha o Grêmio sabe que a marcação é por encaixes e não por zona. Kannemann sempre sai a caça, com Geromel fazendo a cobertura e o lateral do lado oposto junto com um volante entrando na área. Algo que já comentamos até nesse podcast do início do ano:

 

Porém, após o erro de Everton Ribeiro na entrada da área gremista, o Tricolor puxou um excelente contra-ataque que terminou no gol de Pepê, aproveitando os espaços deixados pelo Flamengo ao longo da jogada, como destacado pelo técnico Jorge Jesus. Jogada do gol que mostra a qualidade gremista, como velocidade de Pepê na condução da saída de bola, a inteligência de Luan e Maicon (que entrou no decorrer do segundo tempo), o craque Everton para cruzar e novamente o jovem Pepê, já dentro da área para concluir a gol. Aliás, o comentarista da Rádio MW, Mathaus Pauxis, destacou bem o erro dos jogadores rubro-negros ao posicionarem para evitar passes curtos, quando o lance foi baseado em passes diretos e rápidos.

A análise tática do belo gol gremista. Vídeo: Instat Edição: Juno Martins

Na estratégia, o Flamengo conseguiu ser superior e mostrar imponência. Porém, o Grêmio, abaixo do que pode apresentar conseguiu o gol de empate, mostrando seu espírito copero e vencedor. Está tudo aberto. A parte 2 promete ser espetacular no Templo Maior do futebol brasileiro.

Mais detalhes desse jogo você pode acompanhar no nosso canal do YOUTUBE no MW REVIEW!

@Lipe_Henry e @mwgremio

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